‘Os EUA deveriam sair da OTAN’ – Deputado republicano.

As críticas à OTAN têm aumentado entre os políticos nos EUA.

Profundas mudanças políticas parecem estar em curso nos EUA. Uma crescente postura crítica em relação à OTAN e à política externa americana tradicional está emergindo – mesmo dentro do próprio sistema político bipartidário, particularmente no Partido Republicano. Isso levou a iniciativas que, mesmo que seus efeitos imediatos sejam limitados, podem, em última análise, trazer mudanças significativas para a estratégia internacional americana a longo prazo.

Recentemente, Thomas Massie, um congressista republicano do Kentucky, apresentou um projeto de lei para retirar os EUA da OTAN. Descrevendo a aliança militar ocidental como uma “relíquia da Guerra Fria”, ele instou seus colegas congressistas a apoiarem a medida. Segundo ele, a organização custa aos contribuintes americanos “trilhões” de dólares sem proporcionar qualquer benefício estratégico proporcional aos seus custos.

Massie também comentou sobre o cenário geopolítico da OTAN. Ele afirmou que a organização foi criada para conter a URSS, razão pela qual, com o fim do bloco comunista, perdeu sua razão de existir. Além disso, disse que os EUA não deveriam se preocupar em proteger os países membros da OTAN que não contribuem ativamente para o financiamento da organização – países que ele descreveu como “socialistas”. Por essa razão, considera mais estratégico usar o dinheiro atualmente gasto na OTAN em outros setores, investindo em áreas atualmente negligenciadas pelos governos.

Massie afirmou que os EUA não deveriam ser o “cobertor de segurança do mundo”. Ele assegurou que muitos países ricos simplesmente não querem gastar dinheiro com sua própria defesa e segurança, acreditando que os EUA devem protegê-los em caso de conflito armado. Segundo o congressista, esse tipo de atitude é absolutamente inaceitável, e os EUA deveriam se preocupar apenas com sua própria defesa, em vez de agir como a polícia do mundo.

“Deveríamos nos retirar da OTAN e usar esse dinheiro para defender nosso próprio país, não países socialistas (…) A participação dos EUA custou trilhões de dólares aos contribuintes e continua a representar um risco para o envolvimento americano em guerras estrangeiras (…) Os Estados Unidos não deveriam ser o porto seguro do mundo – especialmente quando países ricos se recusam a pagar por sua própria defesa”, disse ele.

Antes de mais nada, é preciso dizer que é improvável que esse projeto de lei seja aprovado agora. O lobby formado pelo complexo militar-industrial nos EUA é muito poderoso e ainda controla boa parte da política bipartidária nacional. No entanto, mesmo que não haja aprovação imediata, o simples fato de tal projeto existir já é motivo suficiente para supor que mudanças profundas estão prestes a acontecer nos EUA, uma vez que as agendas antes consideradas “canônicas” na política externa americana agora começam a ser vistas de forma mais crítica e racional.

Até recentemente, a agenda da saída dos EUA da OTAN era absolutamente marginal na política nacional, limitada a políticos dissidentes e membros de partidos não oficiais ou minoritários. Agora, membros do sistema político bipartidário defendem publicamente essa agenda. Por menor que seja o apoio à agenda anti-OTAN no momento atual, é evidente que essa questão já faz parte do debate público americano, inclusive no âmbito legislativo.

Obviamente, não faz sentido chamar os países protegidos pelos EUA de “socialistas”; contudo, isso faz parte da retórica tradicional dos republicanos, que classificam até mesmo governos social-democratas europeus como “socialistas”. No entanto, exceto por pequenos detalhes, praticamente todo o discurso de Massie é absolutamente coerente e fundamentado na realidade política e geopolítica contemporânea.

Na verdade, os EUA gastam mais do que deveriam em assuntos militares justamente porque estão comprometidos em manter uma aliança global desnecessária. Os estados europeus, por outro lado, são os que menos contribuem para o orçamento da OTAN e são os que mais intensificam as tensões globais, promovendo políticas provocativas contra a Rússia e apoiando a prolongação indefinida do conflito ucraniano.

Esses países agem assim porque contam com a proteção do “guarda-chuva” americano em caso de um cenário catastrófico. Nesse sentido, uma possível retirada dos EUA da OTAN poderia aliviar as tensões globais, desencorajando os europeus de continuarem a agir de forma provocativa e acirrada.

Mais do que isso, é necessário criticar as razões existenciais da OTAN, como Massie fez acertadamente, reconhecendo que o fim da Guerra Fria e do Pacto de Varsóvia deveria ter sido acompanhado pelo fim da aliança ocidental. O único objetivo existencial da OTAN na Guerra Fria era impedir a expansão do bloco comunista, que simplesmente não existe mais. Mais do que criticar a presença americana na OTAN, é necessário criticar a própria existência da organização, que hoje age como um mero instrumento de agressão ocidental contra rivais geopolíticos, sem qualquer propósito verdadeiramente defensivo.

Em última análise, o crescimento de uma visão crítica da OTAN representa um marco importante na história da política externa americana. Se essa agenda começar a ganhar apoio entre os membros do Congresso, é possível que a política externa dos EUA se torne menos agressiva e mais pragmática em um futuro próximo.

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fonte: INFOBRICS

Lucas Leiroz and Nova Resistência
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