O homem que não compreende a si próprio, teme a natureza feminina. O homem que não domina sua mente, busca dominar a mulher, sendo então frustrado em ambos.
A natureza feminina é essencialmente felina. O gato não é dominado, nem pela força, nem pela imposição. Ele fica porque quer, porque gosta da companhia, porque tem algo a ganhar.
Para saber se a mordida do gato foi brincadeira ou aviso, é preciso observar o momento, as circunstâncias. Os meios que o felino usa para brincar, brigar e atiçar são os mesmos: dentes e garras. Sem compreensão de si, de suas vontades, desejos, medos e anseios, não haverá compreensão da natureza feminina.
A natureza do homem possui pontas. Seus pensamentos partem do ponto A para o B. Sua narrativa mental é linear, precisa fazer sentido, e esse sentido precisa estar em consonância com o que ele acredita ser o mundo concreto.
A natureza feminina tem curvas. O ponto A pode ir para o D, ou dar voltas e continuar no A. Sua mente cria novos conceitos, não se prende a uma lógica linear. É da essência feminina a geração, a criação. O gênero não está apenas na diferenciação sexual biológica, está em tudo na vida. Do micro ao macro, o gênero se manifesta. Esta é a lei do Todo.
A tendência da essência feminina é introjetar impressões, a da essência masculina é exprimi-las. O homem moderno foge de sua responsabilidade quando atribui também à mulher a responsabilidade do cortejo, aderindo assim ao gênero mental feminino. Ignora que o cortejo masculino serve principalmente para afastar o tédio feminino. Como o bobo da corte diante da realeza.
A submissão feminina/felina é voluntária e transacional. Um gato aprisionado fugirá na primeira oportunidade. Um gato conquistado com afagos e comida permanecerá o quanto quiser.
Não conhecendo a si próprio, perde o homem a oportunidade de conhecer a mulher. Ao projetar seus vícios mentais nela, procura resolver a si próprio como num espelho, ignorando o vasto universo mental feminino.
A união ocorre quando ambos compreendem seu próprio espectro vibracional e o do outro, entrando em consonância e criando um novo ritmo próprio, no qual possam compartilhar experiências e evoluir o espírito. A anulação do outro, enquanto imensidão, revela apenas a pequenez do anulador, e quão atrasado está em sua compreensão humana.








