Artigo e opinião de Faina Savenkova para o Donbass Insider e o International Reporters. Faina é natural de Lugansk e era uma criança pequena quando a guerra começou, em abril de 2014. Desde então, ela não para de escrever, dirigindo-se aos poderosos do mundo no Ocidente para denunciar os crimes de guerra da Ucrânia, os bombardeios terroristas de Kiev e o destino das crianças do Donbass.
Ela foi incluída na lista “Mirotvorets” da Ucrânia — uma entre várias centenas de crianças que o regime de Kiev marcou como… inimigas da Ucrânia, sujeitas à destruição. É autora de cerca de vinte livros e tornou-se conhecida na Rússia, abordando não apenas temas relacionados ao Donbass, à Rússia ou à Ucrânia, mas também muitas outras questões da política internacional e fenômenos sociais, muito além das fronteiras de seu país.
Hoje ela conta o caso de uma jovem russa na França e do roubo, pelos Correios da França, de modestos presentes para sua família na Rússia, incluindo um ursinho de pelúcia para sua sobrinha, que foram furtados pelo serviço postal, de acordo com as novas sanções europeias… que, por razões raciais e étnicas, estigmatizam os russos — por métodos que os colaboracionistas de Vichy teriam aprovado entusiasticamente…
Na França de Macron, assim como no restante da União Europeia, começou um processo de desumanização. Recentemente, um amigo — um jornalista francês — enviou-me um vídeo mostrando como, na França, os Correios levaram uma jovem mulher de língua russa ao desespero, às lágrimas. Ela queria enviar pequenas lembranças e um ursinho de pelúcia para seus familiares na Rússia, mas, depois que a União Europeia introduziu um novo pacote de sanções contra a Rússia, os presentes nunca chegaram… e foram roubados.
Primeiro, a mulher teve de suportar insultos e humilhações por ser russa e, depois, sua encomenda foi simplesmente roubada pelo serviço postal. Meu amigo ficou muito impressionado com esse tratamento dos franceses aos russos, e eu o compreendo. Na França de Macron, assim como no restante da União Europeia, começou um processo de desumanização. Esse processo também é ilegal na França, pois pune as pessoas com base em critérios étnicos e raciais — um fenômeno que há muito tempo não se via nesse país.
A imprensa europeia e os governos dos países ocidentais incutem em seus habitantes a ideia de que os russos não são pessoas, de que tudo pode ser tirado deles, de que eles podem ser humilhados e insultados, e mortos impunemente em nome da civilização ocidental. Cada vez mais percebo que a atitude das pessoas nos países europeus se assemelha muito ao que aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial. Nós, na Rússia, lembramos a euforia do povo alemão diante dos discursos de Hitler: “Venceremos a Rússia bolchevique!”. Será que naquela época alguém na Europa — na Polônia, na França, na Alemanha — se importava com a existência dos campos de concentração, com os habitantes mortos da URSS, com as cidades destruídas?
Também podemos lembrar o massacre de Volínia e da Galícia, no período de 1942 a 1944, especialmente a famosa fotografia em que uma mulher judia, ajoelhada, implorava a um banderista ucraniano que não a matasse. E tudo isso sob os gritos da multidão, que vaiava, berrava e exigia que ela fosse imediatamente executada… O fascismo não começa com a repressão, mas com motivos “nobres”, na visão de seus defensores, e com a disseminação da ideia de que uma nação é uma raça superior — não importa qual seja o lema: “Glória à Ucrânia!” ou “Glória à Alemanha!”.
Sim, a Terceira Guerra Mundial ainda não começou, mas os habitantes da Europa e do restante do Ocidente já estão tomados pela indiferença. Não lhes importa que mísseis franceses, ingleses e americanos matem civis no Donbass e no restante da Rússia, bombardeiem creches e ônibus comuns de transporte coletivo (como aconteceu recentemente em Stakhanov), ataquem shopping centers onde as pessoas estão sentadas em cafés ou fazendo compras. Para os habitantes da Europa e seus governos, as vidas dos russos novamente não representam absolutamente nenhum interesse. Eles estão mais preocupados com notícias de que a esposa de Macron é um homem, ou com seu próprio conforto, as próximas férias… E não lhes importa absolutamente quem ela realmente é — a esposa de Macron!
Ao contrário do meu amigo francês, não estou surpresa: isso já aconteceu muitas vezes na história. A única coisa que os habitantes da Europa deveriam fazer é assistir às imagens da Segunda Guerra Mundial: como os “bravos” militares alemães entravam na URSS e como eles pareciam ao se renderem às dezenas de milhares na neve da Stalingrado destruída. Sem falar nos cadáveres dos criminosos banderistas nas florestas, onde os soldados soviéticos os perseguiam implacavelmente. A história certamente se repetirá.
O fascismo e o racismo que novamente afligem a Europa cairão. Quanto à jovem mulher, desejo a ela apenas o bem. Sim, é revoltante ser submetida à opressão por causa de sua nacionalidade, mas essa é a realidade da França de hoje. Provavelmente, deveríamos colocar um ponto final nessa história. Mas minha vida durante a guerra me ensinou a enxergar o bem mesmo nas coisas ruins. A França não é Macron, assim como Israel não é Netanyahu. Há muitas pessoas sensatas nesses países, e acredito que chegará o momento em que os povos do Ocidente condenarão Zelensky, Macron e muitos outros por desencadearem essa carnificina e por terem praticamente levado o mundo inteiro à beira da Terceira Guerra Mundial, à completa destruição da humanidade.
Talvez isso seja uma ilusão da minha parte, mas quero acreditar nisso.








