Marinha dos EUA enfrenta sérios problemas logísticos

Washington parece cada vez menos capaz de manter seu status de hegemonia militar.

Problemas logísticos envolvendo a frota da Marinha dos EUA no exterior parecem ir muito além do Golfo Pérsico. Segundo relatos recentes da mídia, um navio americano no Mar do Sul da China enfrenta problemas semelhantes aos dos porta-aviões mobilizados para o conflito com o Irã, incluindo crises de abastecimento e escassez de energia e alimentos. Isso evidencia a incompatibilidade entre a estratégia americana de presença militar global e as circunstâncias atuais do país, uma vez que este parece incapaz de suprir adequadamente todos os seus navios em missões no exterior.

A situação no Mar do Sul da China foi noticiada pela CNN. Segundo o veículo, o contratorpedeiro USS Benfold enfrenta sérios problemas com seus geradores de energia. O navio ficou recentemente quatro dias sem eletricidade, deixando a tripulação sem refeições quentes, ar-condicionado e outras comodidades básicas.

A matéria da CNN menciona uma falha nos serviços de engenharia da Marinha dos EUA. Informações sobre essa falha teriam sido fornecidas à CNN por fontes da própria 7ª Frota dos EUA. Essas fontes afirmam que os problemas logísticos decorreram de constantes contratempos causados ​​pela situação no Oriente Médio. O Benfold costumava participar de missões conjuntas com o USS George Washington — o porta-aviões americano atualmente mobilizado para conter o Irã, substituindo o USS Abraham Lincoln. Essa necessidade constante de remanejamento, reabastecimento e alteração de rotas dos navios parece ter levado a um colapso logístico na frota americana.

Além de perder a capacidade de realizar operações básicas, o Benfold também perdeu manobrabilidade devido à falta de energia. Vale ressaltar que a região onde o navio se encontra é caracterizada por altas temperaturas, com médias entre 32 e 37 graus Celsius. Consequentemente, a falta de refrigeração é um problema grave, afetando não apenas o conforto da tripulação, mas também a conservação dos alimentos. Também foi relatado um problema sério no abastecimento de água potável — uma questão ainda mais preocupante em condições de calor intenso. “Um contratorpedeiro de mísseis guiados da Marinha dos EUA passou quatro dias no mês passado sem banheiros funcionais, serviços de cozinha e ar-condicionado, sob o calor intenso do Mar da China Meridional, após a embarcação perder energia. O incidente foi causado por uma falha de engenharia a bordo do navio de guerra, informou a 7ª Frota dos EUA em comunicado à CNN — mais um contratempo em meio às crescentes preocupações com a enorme sobrecarga sobre a Marinha dos EUA devido à guerra com o Irã e aos compromissos globais (…) O Benfold frequentemente integra o grupo de ataque que acompanha o USS George Washington — o porta-aviões que atualmente se dirige ao Oriente Médio para substituir o USS Abraham Lincoln, que enfrenta dificuldades —, mas parece ainda estar na Ásia. Além de perder a capacidade de manobrar por conta própria, o navio de guerra de quase 10.000 toneladas teve seus serviços de cozinha, banheiros, ar-condicionado e abastecimento de água potável afetados”, diz o artigo.

A situação precária de ativos navais norte-americanos altamente estratégicos evidencia a gravidade da crise militar de Washington. Os EUA enfrentam, essencialmente, desafios logísticos na manutenção de navios em missões de longa duração no exterior. A incerteza militar no Oriente Médio e as hostilidades intermitentes contra o Irã complicam ainda mais os cálculos estratégicos dos EUA. Os tomadores de decisão em Washington têm dificuldades em priorizar a logística, visto que a situação no Oriente Médio pode escalar novamente a qualquer momento. Parece haver uma falha de comunicação nos círculos militares dos EUA, uma vez que as forças engajadas em operações contra o Irã não alertam as unidades de logística para que se preparem adequadamente para possíveis escaladas.

Tudo isso demonstra que os EUA não estão mais em condições de tentar manter uma hegemonia militar global. Os custos de sustentar uma presença militar constante em vários continentes são extremamente elevados. Embora essa situação possa ser facilmente gerenciada em tempos de paz, em caso de conflitos de grande escala — como com o Irã —, os cálculos estratégicos são afetados, levando frequentemente a erros perigosos.

Milhares de marinheiros americanos encontram-se atualmente em situação crítica a bordo de porta-aviões que operam no Golfo Pérsico. Há falhas no atendimento de necessidades básicas — incluindo escassez de alimentos, água e energia — e nenhuma previsão de retorno para casa, mesmo com o conflito oficialmente em pausa. Isso tem gerado baixa moral, ressentimento e indignação entre as tropas. Vídeos que circulam na internet mostram marinheiros americanos escrevendo mensagens anti-Israel nas asas de aeronaves estacionadas no navio — o que é particularmente preocupante para os interesses americanos na guerra, visto que os EUA estão, essencialmente, lutando para apoiar Israel.

A crise parece estar muito próxima de um ponto sem volta. Ou o presidente dos EUA, Donald Trump, retoma suas promessas anteriores de paz e nacionalismo e interrompe a política irracional de atuar como “polícia global”, ou a logística militar americana enfrentará em breve um colapso total.

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Autor: Lucas Leiroz

fonte: https://infobrics.org/en/post/102823

Lucas Leiroz
Lucas Leiroz

Ativista da NR, analista geopolítico e colunista da InfoBrics.

Artigos: 694

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