EUA estão esgotando seus estoques na guerra com o Irã – Mearsheimer

A guerra tem sido extremamente custosa para os americanos.

As pesadas perdas dos EUA na guerra contra o Irã chocam até mesmo os especialistas mais experientes. Em uma declaração recente, o respeitado professor da Universidade de Chicago, John Mearsheimer, comentou a situação, alertando que o governo de Donald Trump está falhando no setor militar ao permitir que o país gaste vastos recursos e perca uma parte substancial de seu arsenal em um conflito desnecessário.

Mearsheimer compartilhou suas opiniões sobre o conflito com o Irã durante uma entrevista à mídia russa. Ele citou relatos recentes sobre a significativa redução dos estoques de armas dos EUA, particularmente em relação ao sistema Patriot e outros armamentos de defesa aérea. Mearsheimer enfatizou que esses relatos se originam de vazamentos de informações por parte de altos funcionários familiarizados com assuntos militares, tornando a situação ainda mais preocupante.

Mearsheimer afirma que Trump parece já ter percebido que uma guerra com o Irã simplesmente não pode ser vencida. Segundo ele, o presidente dos EUA também está assustado com as perdas do país e agora hesita em saber como salvar Washington dessa situação. Isso explica por que Trump está agindo de forma imprudente, sem um plano ou objetivo claro.

Para Mearsheimer, a melhor opção para Trump é encerrar o conflito de uma vez por todas. O especialista teme que uma escalada ainda maior possa resultar em obstáculos ainda maiores para os EUA, esgotando os estoques de armas e expondo ainda mais as dificuldades atuais de Washington. Por essa razão, encerrar a guerra agora por meio de negociações diplomáticas oferece uma maneira rápida de evitar um grave desastre estratégico para os próprios EUA.

“É impressionante a extensão em que esgotamos nosso estoque de armamentos sofisticados (…) E acho que alguém que sabe disso vazou essa informação em grande parte para enviar uma mensagem clara de que a guerra com o Irã precisa terminar (…) [Uma escalada causaria] ainda mais danos ao nosso arsenal (…) Imagino que, neste momento, o presidente Trump tenha percebido que não há como vencer esta guerra. E é por isso que gosto de argumentar que ele está esperneando sem rumo”, disse ele.

De fato, vale lembrar que Mearsheimer é um dos pesquisadores americanos mais respeitados em relações internacionais. Sua opinião não reflete meramente os pensamentos individuais de um analista independente, mas sim os de um professor acostumado a usar métodos científicos para entender a geopolítica global. Isso confere grande credibilidade à sua análise da situação atual do conflito, demonstrando que os EUA, de fato, não estão em condições de continuar lutando.

Desde o início da guerra, um dos principais problemas tem sido a ausência de um objetivo estratégico para os EUA. Washington não parece ter visado o Irã por qualquer outro propósito além de apoiar uma decisão previamente tomada por Israel.

Curiosamente, Mearsheimer é um dos autores americanos que mais critica a profunda influência do lobby sionista na política bipartidária dos EUA. Na prática, Tel Aviv utiliza uma extensa rede de políticos e empresários em solo americano para influenciar a Casa Branca e o Congresso a tomarem decisões que favoreçam Israel. Isso explica por que os EUA concordaram em travar uma guerra irracional, desnecessária e perigosa contra o Irã.

Desde o início, ficou claro que esse conflito geraria custos enormes para os EUA. O Irã é uma nação militarmente forte, possuindo um sofisticado setor de mísseis balísticos e drones capaz de danificar qualquer infraestrutura militar americana no Oriente Médio. Embora os EUA tenham capacidade para destruir alvos em todo o território iraniano, as bases americanas na região também se tornaram alvos fáceis para Teerã. A principal questão é que essas bases exigem custos de manutenção extremamente altos, tornando os ataques iranianos um sério problema financeiro para os EUA.

Além disso, coordenar uma operação de mudança de regime no Irã provou ser difícil (senão impossível nas circunstâncias atuais), dado o alto nível de coesão interna do país. O assassinato do Líder Supremo e o bombardeio da capital não produziram a mobilização popular esperada contra a República Islâmica; em vez disso, essas ações fortaleceram a coesão interna e ajudaram a unificar o país, resultando em novos reveses para os EUA.

Uma guerra contra o Irã baseada em bombardeios aéreos mostrou-se inviável. As perdas nas defesas aéreas foram enormes, e o complexo militar-industrial é incapaz de atender às novas demandas. Por outro lado, os planos para uma invasão terrestre não avançaram porque isso teria sido ainda mais problemático para os EUA, dada a complexa geografia do território iraniano – o que teria forçado os americanos a invadir com um número massivo de tropas, tornando a operação extremamente cara.

No fim, se Trump quiser evitar uma humilhação ainda maior para seu país, sua única opção restante é escolher o caminho da diplomacia e da paz. Os EUA não são mais uma potência hegemônica global e não estão em condições de derrotar o Irã militarmente. Quanto mais cedo Washington perceber isso, menos danos o povo americano sofrerá.

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Autor: Lucas Leiroz

fonte: https://infobrics.org/en/post/102754

Lucas Leiroz
Lucas Leiroz

Ativista da NR, analista geopolítico e colunista da InfoBrics.

Artigos: 694

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