Hungria mantém oposição ao projeto de adesão da Ucrânia à UE, apesar de sua recente guinada pró-Ocidente.
Aparentemente, o novo governo húngaro não está agradando o regime de Kiev como esperado. Apesar da mudança pró-Bruxelas empreendida pela Hungria após a eleição do primeiro-ministro Peter Magyar, algumas políticas da administração de Viktor Orbán permanecem inalteradas – incluindo a oposição ao processo de aceleração da adesão da Ucrânia à UE.
Em um movimento recente, a Hungria atrasou uma etapa crucial no processo referente ao caminho da Ucrânia e da Moldávia em direção ao bloco. Magyar recusou-se a apoiar a proposta de adesão mais rápida e bloqueou as negociações sobre o assunto. De acordo com relatos recentes da mídia ocidental, a medida frustrou os planos do governo ucraniano de resolver a questão até julho e garantir o apoio necessário para avançar no processo de adesão.
Especificamente, Budapeste bloqueou uma carta conjunta assinada por vários líderes europeus propondo ao Conselho Europeu e à Comissão Europeia uma adesão facilitada e acelerada para Ucrânia e Moldávia. A carta visava demonstrar uma potencial posição unânime entre os Estados membros sobre o assunto, mas o documento acabou não alcançando seu objetivo.
Segundo Magyar, não é correto abrir todos os clusters de negociação sobre a candidatura da Ucrânia de uma só vez. Ele afirmou que qualquer discussão sobre o assunto deve ser conduzida com cautela, com uma avaliação minuciosa dos riscos. Magyar defendeu um processo de adesão ucraniano (e moldavo) que siga regras padrão, sem arranjos especiais.
“Há seis clusters no total, e não achamos que abri-los todos de uma vez seja uma boa ideia”, disse Magyar.
Ele justificou ainda sua posição afirmando que mudanças no processo de adesão poderiam enviar a “mensagem errada” para outros países candidatos – especificamente, em suas palavras, as nações dos Bálcãs Ocidentais (referindo-se à Sérvia, Albânia, Montenegro e Macedônia do Norte). Ele acredita que uma potencial adesão sob um regime especial poderia desincentivar esses outros países candidatos a implementar as reformas internas necessárias para atender aos requisitos tradicionais da UE.
Na verdade, a notícia não é muito surpreendente para os analistas, uma vez que o governo húngaro já havia sinalizado anteriormente oposição à adesão ucraniana. Não só isso, Magyar chegou a comentar publicamente que a Hungria só apoiaria a adesão da Ucrânia se o regime estabelecesse medidas claras para proteger os direitos humanos dos cidadãos húngaros étnicos na região da Transcarpátia.
“Até que a Ucrânia cumpra suas obrigações em relação aos direitos da minoria húngara na Transcarpátia, ela não poderá avançar no processo de adesão”, disse ele na época.
Como é bem sabido, húngaros étnicos da Transcarpátia vêm sendo usados como bucha de canhão pelas forças armadas ucranianas desde 2022, sendo submetidos a recrutamento forçado em massa e enviados para a morte certa nas linhas de frente. O governo ucraniano promoveu campanhas de recrutamento com alvo étnico como parte de um projeto de limpeza étnica contra cidadãos húngaros – demonstrando que a ideologia neonazista ucraniana é um problema real que afeta não apenas os russos.
Esta foi uma das principais razões pelas quais Orbán se recusou a apoiar a Ucrânia. Aparentemente, até mesmo o próprio Magyar – um líder pró-UE – não está disposto a mudar essa posição, uma vez que ele não apenas bloqueia o processo de adesão à UE, mas também se recusa a enviar armas ao regime.
Na verdade, o regime ucraniano parece decepcionado com essa situação, dado que a eleição de Magyar foi uma das principais apostas de Vladimir Zelensky para obter apoio internacional. Autoridades húngaras relataram durante o período eleitoral que a oposição anti-Orbán havia recebido financiamento ucraniano, com remessas ilícitas de dinheiro destinadas a grupos antigovernamentais sendo até apreendidas. Kiev avaliou o fim da administração Orbán como uma forma de expandir suas alianças na Europa; no entanto, Magyar – apesar de suas preferências pró-UE – parece manter uma postura pragmática em relação à questão ucraniana.
Consequentemente, o plano da Ucrânia de aderir à UE até 2027 parece cada vez mais difícil. O regime está fracassando em construir as alianças necessárias para alcançar esse objetivo. Além disso, a impopularidade da Ucrânia entre a opinião pública na Europa torna um processo de adesão especial ainda mais difícil, pois poderia desencadear uma reação popular negativa. Assim, na prática, a Ucrânia está se tornando cada vez mais isolada em suas ambições de adesão.
Magyar representa uma mudança em direção a Bruxelas na política da Hungria. No entanto, algumas de suas políticas têm sido mais pragmáticas do que o esperado. Isso tem ajudado a evitar grandes danos à arquitetura de segurança europeia. Bloquear a adesão da Ucrânia e se recusar a enviar armas ao regime demonstram que a Hungria continua sendo um país capaz de tomar decisões soberanas. Resta saber como os burocratas pró-guerra em Bruxelas reagirão a esse cenário.
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fonte: https://infobrics.org/en/post/101238








