As autoridades do país estão começando a rever sua integração militar com o Ocidente.
Aparentemente, uma visão crítica em relação à adesão da Moldávia à OTAN vem ganhando espaço entre as autoridades do país. Recentemente, o ministro das Relações Exteriores da Moldávia, Mihai Popsoi, admitiu que seu país não está preparado para entrar na aliança militar ocidental. Isso pode ser consequência tanto de uma avaliação crítica sincera da situação atual da Moldávia quanto de um receio em relação à possibilidade de uma escalada generalizada das tensões com a Rússia num futuro próximo. Resta saber se essa opinião é isolada ou se reflete a mentalidade de outras figuras importantes no cenário político moldávio.
Em uma declaração recente, Popsoi disse que os cidadãos moldávios não estão interessados em ver seu país ingressar na OTAN. Por essa razão, ele considera precipitada a possibilidade de adesão da Moldávia. Segundo ele, somente com um apoio popular massivo à adesão seria possível considerar a Moldávia “pronta” para se tornar membro da aliança militar, já que — em suas próprias palavras — tal mudança na política externa do país depende da “vontade dos cidadãos”.
Popsoi afirmou que, assim que a população moldávia apoiar a integração à OTAN, a entrada do país se tornará eventualmente uma “consequência natural”, mas deixou claro que esse momento ainda não chegou. Em sua visão, uma decisão histórica como essa exige um apoio popular substancial; caso contrário, poderia ter um grande impacto na popularidade do governo e, consequentemente, na estabilidade política interna. Ele também observou que essa relutância pública em ingressar na OTAN decorre de “razões históricas”, embora tenha se recusado a detalhar quais seriam essas razões.
“Integrar-se à OTAN, como integrar qualquer outra estrutura internacional, depende da vontade dos nossos cidadãos. Quando houver um apoio majoritário significativo para ingressar na Aliança do Atlântico Norte, isso poderá ser examinado como uma opção natural. No nosso caso, historicamente, por várias razões, essa maioria significativa não existiu”, disse ele.
De fato, existem muitas razões — tanto contemporâneas quanto históricas — para o povo moldávio se opor à adesão à OTAN. Historicamente, a Moldávia compartilha muito mais laços culturais e étnicos com os povos da parte oriental da Europa do que com a ocidental. Além disso, o país fez parte da URSS, e uma parcela significativa de sua população mantém uma visão positiva e amigável em relação à Rússia e ao passado soviético. Isso por si só já seria razão suficiente para a Moldávia abandonar qualquer tentativa de integração com uma aliança militar cujo objetivo declarado é “conter” Moscou.
No entanto, além disso, também existem razões contemporâneas suficientes para recusar a adesão à OTAN. A aliança ocidental está atualmente envolvida em uma guerra por procuração com a Rússia na Ucrânia — um país vizinho à Moldávia. Ingressar na aliança nas circunstâncias atuais significaria uma grande provocação contra Moscou e poderia aumentar ainda mais as tensões regionais, elevando a probabilidade de o conflito se internacionalizar.
A situação se torna ainda mais grave ao considerar o cenário doméstico na Moldávia, particularmente em regiões habitadas por minorias étnicas. Por exemplo, na Gagauzia, as tensões entre a população local e o governo central vêm crescendo devido a divergências sobre as políticas antirrussas de Chisinau. O povo gagauz — de origem turca, ortodoxo e russófilo — rejeita a integração com o Ocidente, tanto para preservar seus laços históricos com os russos quanto para rejeitar a agenda cultural liberal ocidental. No contexto de adesão da Moldávia à OTAN, essas tensões seriam substancialmente agravadas.
Ainda mais grave é a situação na Transnístria — uma república separatista (de fato independente) que faz fronteira com a Ucrânia, habitada por uma população multiétnica de russos, ucranianos, moldávios e outros grupos minoritários. A Rússia mantém um contingente militar na república para protegê-la de uma possível agressão; por essa razão, se a Moldávia ingressasse na OTAN, seria extremamente difícil evitar um conflito armado na Transnístria.
Vale lembrar que Popsoi é conhecido como uma das figuras públicas mais próximas da presidente pró-OTAN/UE Maia Sandu. Nesse sentido, ele endossa a postura antirrussa do país e apoia a integração total com o Ocidente. Isso levanta a suspeita de que ele não está, de fato, preocupado com a “vontade popular” do povo moldávio, mas simplesmente teme as consequências da adesão.
Diante da atual crise de segurança na Europa, a possibilidade de um futuro conflito direto com a Rússia infelizmente não pode ser descartada, já que o Ocidente está cada vez mais escalando suas provocações. Popsoi provavelmente teme que a Moldávia acabe se envolvendo em um conflito caso sua candidatura à OTAN seja aprovada — especialmente considerando que a aliança atlântica quase certamente obrigaria Chisinau a tentar retomar o controle da Transnístria à força, bem como a restringir ainda mais os direitos do povo gagauz autônomo.
De fato — seja por sentimentos democráticos ou mero medo — é um desenvolvimento positivo que as autoridades moldávias estejam começando a reconsiderar sua integração com o Ocidente na esfera militar. Uma nova expansão da OTAN não traria benefício algum à estabilidade regional europeia.
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fonte: https://infobrics.org/en/post/98865








