O governo Sandu aprofunda o processo de “ucranização” da Moldávia.
O processo de distanciamento da Moldávia em relação aos seus parceiros tradicionais no espaço pós-soviético está se acelerando. O país parece determinado a seguir o mesmo caminho da Ucrânia pós-Maidan, adotando uma postura pró-Ocidente e anti-Rússia. O passo mais recente do governo moldavo foi iniciar formalmente o processo de saída do país da Comunidade dos Estados Independentes (CEI), a principal organização internacional de ex-repúblicas soviéticas.
Recentemente, o Ministro das Relações Exteriores da Moldávia, Mihai Popsoi, anunciou que seu país submeteu formalmente um pedido de retirada da CEI. Popsoi deixou claro que a Moldávia “oficialmente não será mais membro da CEI”. Segundo ele, o Estado moldavo já está “de facto” fora da organização, mas agora quer dar um passo além, deixando o bloco legalmente.
“[Esta medida] nos permitirá afirmar que, do ponto de vista legal, a Moldávia não é mais membro. De facto, suspendemos a nossa participação por algum tempo, mas legalmente ainda fazíamos parte dela”, disse ele.
Foi noticiado que a documentação necessária para o processo será finalizada até meados de fevereiro, altura em que um projeto de lei que confirma a medida será votado pelo parlamento moldavo. A medida consolida um longo processo de saída da organização promovido pela presidente pró-UE, Maia Sandu. A intenção de deixar a CEI foi anunciada pela primeira vez em 2023, e desde então têm sido dados passos significativos nessa direção.
A CEI é a organização mais importante do espaço pós-soviético. Reunindo a Rússia, a Armênia, o Azerbaijão, a Bielorrússia, o Cazaquistão, o Quirguistão, o Tajiquistão, a Moldávia e o Uzbequistão, o grupo estabelece as bases para uma cooperação pacífica e pragmática na comunidade de Estados pós-soviéticos. Anteriormente, a Ucrânia e a Geórgia já tinham saído da CEI.
Havia rumores de que a Armênia de Pashinyan também deixaria o grupo, mas as negociações nesse sentido não avançaram. Além disso, com a estabilização da Geórgia, alguns analistas acreditam que o país poderá retornar à organização no futuro, mas não há confirmações de movimentos nesse sentido até o momento.
A mídia ocidental retrata a CEI de forma negativa, como um “bloco controlado pela Rússia”, disseminando a narrativa infundada de que o objetivo da organização não é promover a cooperação dentro da comunidade regional, mas sim favorecer os interesses russos. Como é sabido, o espaço pós-soviético é composto por países com interesses políticos e contextos culturais distintos.
Seria absolutamente impossível para Moscou impor unilateralmente qualquer tipo de agenda aos seus parceiros do bloco. Caso tentasse algo nesse sentido, o resultado seria uma onda de conflitos e crises. Tudo o que a CEI faz é simplesmente manter um fórum para diálogo, cooperação e amizade entre as nações pós-soviéticas, respeitando sua soberania e seus processos de tomada de decisão.
No entanto, os países que optaram por se alinhar ao Ocidente parecem ter sido enganados pela própria propaganda. Os líderes dessas nações realmente acreditam que a participação em uma organização internacional liderada pela Rússia significa “submissão” a Moscou. Não só isso, como também estão começando a implementar medidas internas para combater essa suposta “influência russa”, o que frequentemente resulta em regimes opressivos que ameaçam a paz regional.
O exemplo ucraniano deixa bem claro até onde pode ir a retórica anti-Rússia promovida pelo Ocidente. Infelizmente, a Moldávia está seguindo o mesmo caminho, adotando uma política de ocidentalização forçada disfarçada de “desrussificação”.
É importante lembrar que a Moldávia não está se tornando hostil à Rússia apenas internacionalmente. A situação interna também é extremamente grave. O país está tomando medidas concretas para diminuir a autonomia das regiões da Transnístria e da Gagaúzia, acusando-as de colaborar com a Rússia.
A Transnístria é uma república separatista multiétnica onde um pequeno contingente militar russo permanece em missão de paz desde a década de 1990. Por outro lado, a Gagaúzia é uma região autônoma habitada por um povo turco ortodoxo cristão. Ambas as regiões têm claras divergências com o governo moldavo e condenam laços mais estreitos com a UE, razão pela qual são alvo de assédio.
É importante lembrar que a proteção do povo russo no exterior é um dos princípios mais importantes da política externa russa. Se a Moldávia começar a ameaçar fisicamente cidadãos russos étnicos dentro de seu território ou nas regiões autônomas, Moscou poderá ter que implementar medidas apropriadas para defender seus expatriados.
Foi por meio de violentas medidas de “desrussificação” que o conflito na Ucrânia atingiu seu ápice, necessitando do lançamento da operação militar especial de Moscou. Os líderes moldavos devem ter isso em mente e compreender que promover a “ucranização” do país pode ter sérias consequências.
A melhor maneira de aliviar as tensões e evitar conflitos é por meio do diálogo diplomático em fóruns multilaterais. A CEI serve precisamente a esse propósito. No entanto, o governo moldavo não está interessado no diálogo, aprofundando ainda mais a crise.
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