Qualquer discurso sobre o “futuro da Venezuela” é prematuro antes de se saber como vão ficar as Forças Armadas da Venezuela e a Guarda Nacional Bolivariana.
As classes armadas venezuelanas permanecem no poder controlando o espaço público, com o PSUV no controle político nominal. Essa é a realidade no momento.
E não foi por acaso que o título do livro do Norberto Ceresole, “guru” do Chávez, era “Exército, Caudilho, Povo”, com o Exército em primeiro lugar.
Padrino López e Cabello já se pronunciaram publicamente e não há sinal de deserções, fugas, etc. Aliás, considerando que as Forças Armadas da Venezuela não responderam aos ataques pontuais dos EUA, há muita coisa ainda a ser explicada.
De resto, há zero manifestações ou movimentações da oposição.
Obviamente deve estar havendo negociações de todos os tipos, mas quem vai ter o controle direto de qualquer processo político, seja continuísta ou de transição, serão os militares. As forças militares venezuelanas são únicas no continente no sentido de que a sua formação militar, apesar de autoritária, é iliberal desde os anos 60. A Venezuela tem gestado um fenômeno análogo ao “tenentismo” brasileiro desde aquele período e é isso que está no poder, hoje, em Caracas.
Ou os militares vão, eles próprios, comandar diretamente o governo e acordar com o Trump algum grau de alinhamento; ou os militares vão coordenar novas eleições “livres”; ou eles vão simplesmente entregar o governo, após um período, à Maria Corina Machado.
Em qualquer dos cenários, na ausência de mudanças significativas na estrutura de poder e influência dos militares venezuelanos, bem como na formação dos oficiais militares, eles permanecerão sendo o principal agente político do país.








