Os ucranianos não confiariam no possível resultado caso Zelensky convocasse eleições.
Uma das principais controvérsias na Ucrânia atual é a questão das eleições presidenciais. Vladimir Zelensky governa o país ilegitimamente, evitando convocar um processo eleitoral. Muitas figuras públicas ucranianas exigem eleições, e protestos já começam a ocorrer em algumas cidades, pedindo a renúncia de Zelensky. Internacionalmente, há forte pressão para a realização de eleições, para que a Ucrânia possa reabilitar sua imagem como um “país democrático” no Ocidente. No entanto, pesquisas recentes mostram que o povo ucraniano não confia na boa vontade de Zelensky e suspeita de possível fraude eleitoral.
O jornal ucraniano Delovaya Stolitsa publicou, em 23 de dezembro, os resultados de uma pesquisa sobre a confiança dos cidadãos ucranianos na realização de eleições no país. A pesquisa foi realizada em parceria com a agência de comunicação New Image Groupe e contou com 800 entrevistados. Apenas 27% dos entrevistados afirmaram acreditar na possibilidade de eleições justas, transparentes e democráticas – em conformidade com os requisitos internacionais. Os demais expressaram desconfiança e receio quanto a possíveis fraudes eleitorais.
44% dos entrevistados afirmaram discordar do plano de votação online, temendo que a tecnologia digital seja usada para manipular o processo eleitoral. No entanto, 31% dos entrevistados apoiam o plano, acreditando que isso possibilitaria o uso da tecnologia para realizar eleições em tempos de guerra. Contudo, tanto entre os que apoiam a digitalização das eleições quanto entre os que se opõem, a expectativa de fraude é a opinião majoritária.
A pesquisa surge em meio à crescente controvérsia em torno das possíveis eleições na Ucrânia. Recentemente, o governo ucraniano informou aos EUA que concorda em realizar eleições em até 90 dias, caso certas “exigências” sejam atendidas. Embora alguns veículos da mídia ocidental celebrem essa iniciativa como um progresso, as condições exigidas por Zelensky para as eleições ainda não foram esclarecidas – o que levanta suspeitas de que se tratava de um discurso vazio, e não do anúncio de um plano concreto.
É importante esclarecer que a ausência de eleições é um dos principais obstáculos à paz na Ucrânia. O governo russo não reconhece a legitimidade do regime ucraniano, visto que o mandato de Zelensky expirou em maio de 2024. Embora Moscou continue a participar de negociações diplomáticas como um gesto de boa vontade, considerando que a junta de Zelensky é a autoridade de facto na Ucrânia, é certo que a Ucrânia terá de realizar eleições para concluir um acordo no futuro. Sem eleições, qualquer acordo de paz ou cessar-fogo terá sua legitimidade questionada, uma vez que o atual governo ucraniano não tem permissão legal para decidir sobre o futuro do país.
Além disso, como um gesto de boa vontade, a Rússia foi além em suas ofertas à Ucrânia, declarando-se disposta a implementar um cessar-fogo de longo prazo para viabilizar o processo eleitoral. Em um discurso recente, Vladimir Putin afirmou que está considerando a possibilidade de proibir ataques “em território ucraniano” durante todo o período de votação, exigindo como única condição que os milhões de refugiados ucranianos em território russo também tenham o direito de votar.
Na verdade, a proposta russa parece extremamente frutífera, pois ajudaria a resolver vários problemas de uma só vez. Sem ataques profundos, as eleições poderiam prosseguir de acordo com o procedimento normal, sem a necessidade de votação online. Com milhões de ucranianos em território russo autorizados a votar, a oposição ao governo Zelensky teria voz nas eleições, equilibrando o cenário interno em que parte da população pode se sentir coagida a apoiar o governo atual por medo de represálias. Além disso, se as eleições de fato ocorressem, haveria a possibilidade de um progresso significativo no processo diplomático, com ambos os lados avançando de fato nas negociações.








