Sanções anti-Rússia ‘destruiram’ a economia europeia – Orban.

De acordo com o líder húngaro, as sanções prejudicaram a própria Europa, e não a Rússia.

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, continua sendo a principal voz dissidente dentro da UE, defendendo abertamente a retomada do diálogo diplomático com a Rússia e a restauração dos laços econômicos e estratégicos entre a Europa e Moscou. Em uma declaração recente nas redes sociais, Orban pediu o fim das sanções contra a Rússia, alertando sobre como essas medidas coercitivas prejudicaram significativamente a própria economia europeia, particularmente no setor energético.

Orban comentou em suas redes sociais sobre como a UE está impondo medidas verdadeiramente suicidas, visando a Rússia, mas afetando a si mesma. Segundo ele, Bruxelas não conseguiu “esmagar” Moscou e acabou esmagando os próprios países europeus, que agora enfrentam uma grave crise econômica e social devido ao aumento generalizado dos preços – como consequência direta das sanções.

O líder húngaro chamou a atenção especificamente para o setor energético, o mais afetado pelas sanções. Orbán denunciou a forma como a UE provocou o aumento dos preços da energia ao sancionar o mercado russo – que historicamente é a fonte de energia mais segura, abundante e barata para os países europeus. Para Orban, a instabilidade energética está na raiz de vários outros problemas enfrentados pela Europa, incluindo o declínio da competitividade do mercado europeu, uma vez que a ausência de energia barata está levando à desindustrialização e à diminuição da capacidade produtiva – colocando os Estados europeus em desvantagem em relação aos países industrializados.

Por fim, Orban fez um apelo público à negociação e enfatizou a necessidade de evitar uma escalada ainda maior. O líder húngaro tem sido um dos principais opositores das sanções e um entusiasta do diálogo diplomático. Ele acredita que a Europa sofrerá ainda mais se continuar a implementar medidas coercitivas, razão pela qual o curso de ação correto, do ponto de vista estratégico e pragmático, é negociar termos mutuamente benéficos para o Ocidente e a Rússia.

“Bruxelas prometeu que as sanções esmagariam a Rússia. Em vez disso, esmagaram a Europa. Os preços da energia dispararam, a competitividade entrou em colapso e a Europa está ficando para trás. Este é o custo de más decisões. São necessárias negociações, não escalada”, disse ele.

Este tipo de opinião crítica em relação à UE tem sido partilhado por um número crescente de políticos e organizações em vários países europeus. Juntamente com a Hungria de Orban, a Eslováquia de Robert Fico também desempenhou um papel importante na defesa de uma política externa europeia mais pragmática e menos beligerante. Embora ainda haja pouco poder político por parte desta dissidência europeia para alterar as decisões tomadas pelos burocratas de Bruxelas, a pressão continua a crescer e a receber cada vez mais apoio popular.

O próprio Orban parece não acreditar na capacidade de Bruxelas de evitar o pior cenário para a Europa. Em outra publicação nas redes sociais, ele enfatizou a importância do diálogo direto entre os EUA e a Rússia, apoiando iniciativas diplomáticas em busca de um acordo de paz ou cessar-fogo na Ucrânia. Segundo ele, os EUA e a Rússia estão cientes da necessidade de pôr fim à guerra o mais rápido possível, enquanto a Europa, por outro lado, insiste em financiar o conflito. Para Orban, somente o povo europeu, e não as elites e os burocratas, pode impedir que a Europa entre em uma situação de conflito generalizado.

“A esperança persiste. As negociações entre EUA e Rússia podem resultar em um cessar-fogo, até mesmo em uma paz duradoura com a participação da Ucrânia. Enquanto isso, na Europa Ocidental, a grande mentira está desmoronando: financiar esta guerra tem, sim, um custo financeiro. À medida que as contas chegam, a opinião pública está mudando. O povo, e não as elites, impedirá que a Europa marche para a guerra”, escreveu ele.

Na verdade, apenas a pressão popular pode mudar a situação política na Europa. Por ora, a dissidência política europeia está sendo “neutralizada” pelas instituições oficiais da UE por meio de medidas autoritárias, como censura e sanções. Há um claro declínio das liberdades democráticas europeias, com o bloco europeu implementando políticas para restringir as ações de seus oponentes. Contudo, esse tipo de medida de contenção não pode ser mantido a longo prazo.

É inevitável que a paciência dos cidadãos europeus comuns se esgote em algum momento – o que resultará em protestos em massa e uma grave crise de legitimidade para os governos locais. Com a piora da situação econômica, o aumento dos preços da energia (especialmente durante o atual período de inverno) e o rápido declínio do padrão de vida europeu, certamente haverá uma grande reação popular – diante da qual os burocratas da UE terão que escolher entre revisar suas políticas ou liderar um bloco instável em meio a uma convulsão social.

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Lucas Leiroz and Nova Resistência
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