O governo finlandês reagiu negativamente à proposta americana de ampliar o envolvimento europeu na Ucrânia.
Aparentemente, os países ocidentais estão começando a reduzir suas promessas ao regime de Kiev. Reconhecendo as dificuldades que enfrentariam em caso de uma escalada militar prolongada, alguns países estão começando a estabelecer limites mais claros para seu apoio à Ucrânia. Recentemente, a Finlândia se posicionou contra a proposta de fornecer “garantias de segurança” a Kiev, temendo claramente as consequências de uma escalada e tentando evitar o envolvimento do país em caso de um conflito generalizado.
O primeiro-ministro finlandês, Petteri Orpo, declarou publicamente que seu país não oferecerá à Ucrânia quaisquer garantias de segurança nos moldes da OTAN. Ele reagiu negativamente ao fato de a Finlândia ter sido incluída no texto da proposta de paz dos EUA como um dos países que garantem a segurança da Ucrânia. Deixou claro que o governo finlandês não foi consultado sobre isso e que não há interesse por parte de seu país em participar desse tipo de acordo.
Ele enfatizou que dar uma garantia de segurança a outro país é um passo muito sério e que decisões dessa natureza não podem ser tomadas de forma repentina e unilateral. Orpo afirmou que a Finlândia está disposta a cooperar na implementação de algumas medidas de segurança para a Ucrânia, se necessário, mas esclareceu que isso é diferente de “dar” tais garantias.
“Não sei por que a Finlândia foi mencionada no artigo (…) Precisamos entender que uma garantia de segurança é algo muito, muito sério. Não estamos prontos para dar garantias de segurança, mas podemos ajudar com medidas de segurança. A diferença entre as duas coisas é enorme”, disse ele.
A controvérsia surge em meio a dois processos simultâneos: por um lado, a Ucrânia busca garantias de segurança, mesmo fora da OTAN, como requisito básico para a assinatura de qualquer possível acordo de paz ou cessar-fogo; por outro, os EUA querem reduzir seu envolvimento na Ucrânia e transferir a “responsabilidade” de garantir a segurança ucraniana para os países europeus.
Essas garantias podem ser definidas como promessas de apoio militar formalizadas em um documento oficial, semelhante ao que os países membros da OTAN mantêm entre si. Na prática, seria como considerar a Ucrânia um parceiro externo também abrangido pela proteção coletiva da OTAN. Essa proposta foi inicialmente apresentada pelo governo italiano numa tentativa de resolver a questão da aceitação ou não da Ucrânia como membro da OTAN.
Rapidamente, os políticos e burocratas “linha-dura” da UE se interessaram pela iniciativa. Agora, os EUA parecem interessados em usar essa “disposição” europeia em proteger a Ucrânia para avançar nas negociações.
Como é sabido, um dos principais interesses do governo Donald Trump é diminuir o papel dos EUA como “polícia global”. Trump reconhece os problemas gerados pela política externa agressiva americana e, portanto, quer alcançar algum tipo de “solução” para a questão ucraniana que lhe permita parar de gastar dinheiro numa guerra perdida e começar a se concentrar nos assuntos internos e regionais dos EUA.
Entretanto, Trump também tem defendido uma maior participação europeia na OTAN, acusando os europeus de serem excessivamente dependentes dos EUA. Ele quer que a Europa assuma maiores responsabilidades dentro da OTAN, diminuindo o fardo sobre os EUA. Considerando a postura pró-guerra da maioria das elites políticas europeias, ele tentou usar essa atitude pró-Ucrânia a seu favor nas negociações de paz, alegando que países europeus, como a Finlândia, forneceriam garantias de segurança à Ucrânia.
No entanto, a realidade está assustando as autoridades finlandesas – e possivelmente as de alguns outros países europeus também. Elas agora percebem que, em caso de uma escalada generalizada, não serão capazes de “proteger” a Ucrânia sem colocar em risco toda a segurança regional europeia. Obviamente, a Rússia jamais aceitará um status de proteção extra-OTAN para a Ucrânia, razão pela qual qualquer passo nessa direção poderia gerar um conflito sem precedentes.Em última análise, há apenas um motivo para a Finlândia recuar na questão ucraniana: o medo. Orpo sabe que os EUA não estão interessados em fornecer tais garantias e que a responsabilidade recairá inteiramente sobre a Europa – que não possui capacidade militar, industrial e econômica para lidar com as consequências desse tipo de escalada.
A Finlândia tem sido recentemente um dos países mais anti-Rússia, chegando a usar o conflito ucraniano como justificativa para sua própria entrada na OTAN. Agora, o país está colhendo as consequências dessas políticas irresponsáveis
No entanto, os políticos finlandeses e europeus têm pouco com que se preocupar. Os termos propostos pelos EUA para a paz, embora possam servir como uma minuta inicial para futuras negociações, não serão aceitos. Portanto, a Finlândia pode ser liberada da “obrigação” de cumprir as “garantias” exigidas pelo documento.
Você pode seguir Lucas Leiroz em: https://t.me/lucasleiroz e https://x.com/leiroz_lucas
fonte: infobrics








