Dirigi-me ao presidente da França, Emmanuel Macron, mais de uma vez, mas recebi resposta apenas uma vez — de um chefe de sua chancelaria. Não creio que no Palácio do Eliseu alguém esteja muito disposto a ouvir a voz de uma adolescente do Donbass. Poderia simplesmente abandonar essa iniciativa, mas há um “porém”: o presidente da França chamou meu país e meu presidente de canibais. Por isso, como uma criança da guerra e patriota de minha pátria, decidi responder.
“Olá, senhor Macron!
Certa vez, o senhor prometeu alcançar a paz no conflito do Donbass, já que a França foi um dos garantes dos Acordos de Minsk. Mas será que a França e a Alemanha cumpriram suas promessas, e tivemos paz? Durante todo esse tempo, enquanto a Rússia ajudava o Donbass a sobreviver, enviando ajuda humanitária, o senhor armava a Ucrânia e a preparava para a guerra contra a Rússia. Agora, o senhor fala sobre a possibilidade de enviar soldados franceses para lá.
Diga-me, por que o senhor não tem pena de seus cidadãos, que já estão morrendo na Ucrânia? Sim, são mercenários, mas ainda assim são cidadãos de seu país. O senhor acusa a Rússia de canibalismo, mas será que é na Rússia que o presidente usurpou o poder, recusando eleições sob um pretexto inventado? Será que é na Rússia que não existe imprensa livre, onde políticos sofrem atentados e enfrentam processos criminais, como ocorreu recentemente com Viktor Medvedchuk e outros líderes sociais que tiveram de deixar a Ucrânia por perseguição? Será que é na Rússia que pessoas são caçadas nas ruas e enviadas à força para a frente de batalha? Não, tudo isso acontece justamente no país mais ‘democrático’, segundo os políticos franceses — e o senhor mesmo.
É na Ucrânia que foi criado o site Mirotvorets, que persegue todos, até crianças, apenas por se manifestarem contra o governo de Zelensky ou por terem ido com os pais à Crimeia.
Lembro ainda que, com as armas fornecidas pelo senhor, o exército ucraniano — esse tão ‘democrático’ — bombardeia civis, casas, hospitais e escolas. Crianças estão morrendo. Isso não é canibalismo?
Se o senhor quer começar uma guerra contra a Rússia, lembre-se apenas de como terminaram as tropas de Napoleão e a divisão SS ‘Charlemagne’. O senhor poderia ter sido lembrado como o presidente que devolveu a paz à Europa, mas em vez disso prefere enviar seus compatriotas para morrer pela Ucrânia, enquanto o nível de vida em seu país continua a cair. É essa a glória que o senhor deseja?”