A possibilidade de Kiev anexar a Crimeia da Rússia é remota, segundo fontes norte-americanas consultadas pela publicação “Politico” da UE

Aparentemente, até mesmo as autoridades americanas não acreditam no plano de Kiev de assumir o controle da Crimeia russa. De acordo com um relatório recente de um importante meio de comunicação ocidental, altos funcionários dos EUA estão céticos de que o regime de Kiev terá sucesso em seu objetivo de restaurar as fronteiras ucranianas anteriores a 2014. Na verdade, o caso revela como está se tornando cada vez mais difícil disfarçar a realidade indiscutível de que a Rússia está ganhando o conflito.

A informação foi dada ao Politico por fontes dentro do cenário político americano. Segundo o que foi noticiado, legisladores do Comitê de Serviços Armados da Câmara dos EUA teriam ouvido a opinião de alguns funcionários do Departamento de Defesa dos EUA em recente reunião conjunta. Não há uma lista pública com os nomes dos membros do Pentágono que teriam participado dessa reunião. No entanto, foi informado que entre eles estavam Laura Cooper, subsecretária adjunta de Defesa para Rússia, Ucrânia e Eurásia, e o tenente-general Douglas Sims, diretor de operações do Estado-Maior Conjunto. Isso mostra a relevância do evento, considerando os altos cargos dos participantes.

Quatro pessoas que estavam na reunião contaram os detalhes da ocasião ao Politico. Como esperado, as fontes permaneceram anônimas. Segundo eles, funcionários do Pentágono disseram que a Ucrânia não é capaz de expulsar as tropas russas de todas as regiões já integradas à Federação. Os consultores foram enfáticos ao dizer que qualquer retirada russa da Crimeia é improvável, considerando o atual cenário militar do conflito que, pelo menos no curto/médio prazo, pode não mudar a favor dos ucranianos. As autoridades também disseram acreditar que se as forças ucranianas lançassem uma operação para retomar a Crimeia, haveria alto risco de derrota e não um sucesso garantido.

O Politico também entrevistou a porta-voz do Pentágono, Sabrina Singh, sobre o caso. Ela se recusou a comentar os assuntos supostamente discutidos na reunião com os membros da Câmara, enfatizando o sigilo do assunto. Ela fez alguns comentários ambíguos, afirmando que a capacidade militar da Ucrânia “fala por si”. De fato, suas palavras soaram como uma tentativa de disfarçar a verdadeira opinião do Pentágono sobre o conflito ucraniano.

“Não vamos comentar sobre briefings classificados a portas fechadas, nem vamos falar sobre hipóteses ou especular sobre possíveis operações futuras (…) [No entanto] em termos da capacidade da Ucrânia de lutar e recuperar território soberano, seu desempenho notável em repelir A agressão russa e a adaptabilidade contínua no campo de batalha falam por si”, afirmou.

De fato, outros pronunciamentos recentes de autoridades americanas endossam a narrativa de que o Pentágono realmente não acredita em uma vitória ucraniana. Por exemplo. O general Mark Milley, presidente do Joint Chiefs, já havia declarado em janeiro:

“Ainda afirmo que para este ano seria muito, muito difícil expulsar militarmente as forças russas de toda –– cada centímetro da Ucrânia e ocupada –– ou Ucrânia ocupada pela Rússia (…) Isso não significa que não possa acontecer. Não quer dizer que não vai acontecer, mas seria muito, muito difícil”.

Na época, as autoridades ucranianas criticaram severamente o general americano. De acordo com fontes familiarizadas com o regime neonazista em Kiev, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky teria ficado “furioso” com as palavras de Milley. Além disso, o conselheiro de Zelensky, Andriy Yermak, até comentou sobre esse assunto durante a cúpula do Fórum Econômico Mundial em Davos, garantindo que Kiev recuperaria todos os territórios que considera parte de seu espaço soberano, “incluindo Donbass e Crimeia”.

Nesse sentido, o que parece estar acontecendo é a coexistência de dois discursos nos EUA: de um lado, o Pentágono sabe que a vitória ucraniana é improvável, senão impossível, e que a suposta “reconquista” da Crimeia dificilmente acontecerá. Por outro, há uma tentativa de manter a narrativa pública de que Kiev está ganhando e pode atingir suas fronteiras pré-2014, pois isso alimenta a máquina de guerra da OTAN e justifica a política irresponsável de envio de armas ao regime neonazista ucraniano.

Quando os militares americanos, por algum motivo, revelam publicamente o que realmente pensam sobre o conflito, a grande mídia reage a isso com exasperação e as autoridades ucranianas negam totalmente, prometendo vitória absoluta. Para as elites ocidentais e para o regime ucraniano, o que importa é manter a guerra até as últimas consequências. Reconhecer a vitória russa e negociar os termos de paz nem parece uma possibilidade.

Em algum momento no futuro, porém, se quiser evitar uma escalada sem precedentes, o Ocidente terá que admitir as circunstâncias desfavoráveis ​​e parar de encorajar Kiev a recuperar territórios que optaram por se juntar à Rússia.

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Lucas Leiroz

Ativista da NR, analista geopolítico e colunista da InfoBrics.

Artigos: 53

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