O futebol brasileiro precisa ser reformado

E essa reforma é necessariamente política.

E essa reforma é necessariamente política.

Com a derrota do Brasil na Copa do Catar, e como futebol é softpower, podemos aproveitar a oportunidade para pensar alguns pontos de aprimoramento do cenário desportivo brasileiro. E o ponto principal seria a revogação da famigerada Lei Pelé, ou “Lei do Passe Livre”.

Promulgada por FHC e, na prática, redigida pelo Gilmar Mendes, a intenção seria “libertar” o jogador do controle dos clubes, para que ele tivesse autonomia sobre a própria carreira. Mas não é essa a realidade. Os jogadores de futebol, em sua maioria, ficaram nas mãos de empresários privados; viraram mercadorias nãos mãos deles e são jogados de um lado para o outro conforme os interesses do empresário.

Ora, com isso o Brasil se tornou um grande exportador de talento futebolístico. Para o prejuízo do futebol nacional, porém.

Os jogadores vão embora do Brasil muito jovens, raramente jogam por algum clube nacional como adultos e, quando o fazem,é por pouco tempo. Nisso perdemos alguns, que se naturalizam em outros países. E os que acabam sendo escalados para a seleção hoje possuem uma menor identificação com as cores nacionais do que há 25 anos.

Veja-se que, nessa, os jogadores brasileiros acabam ainda perdendo o estilo ibero-americano de futebol: nossos jogadores passam a achar que o “jeito certo” de jogar é o jeito inventado por algum técnico europeu qualquer. Não foi basicamente isso que vimos na Copa do Catar e que temos visto nos últimos 20 anos? A seleção brasileira cada vez mais descaracterizada, cada vez menos criativa, ousada e inovadora, cada vez mais formal e padronizada, pouco distinguível de qualquer outra seleção.

Claro que não se deve simplesmente retornar à situação que existia antes, na qual dirigentes inescrupulosos simplesmente engoliam quase todo o dinheiro da venda de jogadores. Deve-se construir um arcabouço jurídico para que o jogador pertença o clube, para que o clube seja incentivado a investir na formação, mas que o jogador seja decentemente recompensado pelo valor desportivo gerado.

Observe-se que o próprio Pelé, há algum tempo, se pronunciou em defesa da revogação da lei que leva seu nome. O brasileiro quer ver os seus melhores jogadores jogando pelos clubes nacionais.

Agora, a própria CBF não pode permanecer sendo o que é, ou seja, uma associação privada de empresários gananciosos, mais preocupados com patrocínios do que com o aprimoramento do futebol brasileiro. Para isso, talvez se deva pensar em uma natureza mais cooperativista da associação ou mesmo em alguma intervenção estatal de algum tipo.

Finalmente, para arrematarmos o tema, no próprio campeonato nacional se infiltrou a mentalidade antinacional tecnicista expressa nos “pontos corridos”. O campeonato brasileiro precisa voltar a ter um mata-mata para determinar o campeão, onde se perde a previsibilidade e onde o elemento da incerteza, da garra e da fibra moral, fundamentais nos empreendimentos humanos, acabam se manifestando.

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Raphael Machado

Advogado, ativista, tradutor, membro fundador e presidente da Nova Resistência. Um dos principais divulgadores do pensamento e obra de Alexander Dugin e de temas relacionados a Quarta Teoria Política no Brasil.

Artigos: 21

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