O racismo russofóbico ocidental segue crescendo

O ódio irracional incitado pela mídia pró-OTAN contra o povo russo em reação à Operação Militar Especial na Ucrânia continua a ganhar força em todo o mundo. Os cidadãos russos da diáspora que não têm nada a ver com o governo ou os militares são freqüentemente afetados pela animosidade anti-russa. Entretanto, o principal alvo hoje parece ser a cultura russa, que é cada vez mais combatida e “cancelada” pelos ocidentais.

Em recente declaração durante uma conferência da UNESCO no México, Sergei Obryvalin, Vice-Primeiro-Ministro da Cultura da Federação Russa, comentou sobre a questão da russofobia e expressou profunda preocupação com a atual rejeição global da cultura russa. Ele disse considerar a forma como o Ocidente lida com questões culturais uma “politização desnecessária e prejudicial”. Mais do que isso, Obryvalin até denunciou a existência de tendências russofóbicas no próprio fórum da UNESCO, onde proliferam discursos discriminatórios e narrativas falsas sobre uma suposta “destruição” de outras culturas pela Rússia.

“Casos flagrantes de discriminação cultural contra a Rússia e cidadãos russos estão acontecendo em todos os lugares nos países ocidentais (…) As falsas acusações [contra] a Rússia, de suposta destruição do patrimônio cultural, não são nada mais que uma manifestação da política de genocídio cultural contra a Rússia e os russos (…) Tais fatos, é claro, nos causam pesar e sérias preocupações (…) (…) [A Rússia] mantém consistentemente uma atitude zelosa em relação à herança cultural, à memória histórica, à liberdade de criação literária, artística e outras formas de criatividade, [assim como] garante o pluralismo de opiniões e a abertura da esfera cultural (…) Ninguém é capaz de cancelar a singular civilização russa e sua rica cultura, de destruir ou abalar a Rússia”, disse ele durante o discurso.

Não houve resposta das autoridades da UNESCO em relação às alegações de que a organização atua em cumplicidade com o discurso anti-russo. Representantes de 193 países participaram do evento e falaram em momentos diferentes, mas este tópico não foi mencionado por nenhum deles. O caso refletiu no campo da cultura algo que tem se tornado cada vez mais comum no cenário internacional: o silêncio por parte das organizações quando Moscou denuncia algo errado. Nos últimos meses, as organizações internacionais só fazem pronunciamentos se o objetivo for condenar a Rússia, ignorando sempre que as autoridades russas apresentam reclamações.

Entretanto, a evidente realidade da russofobia cultural não pode ser ignorada. Desde fevereiro, reações irracionais à operação anti-Nazista iniciada por Moscou foram promovidas em todo o mundo, principalmente em países ocidentais, incluindo a proibição de livros russos ou traduzidos para a língua russa, o cancelamento de concertos musicais russos e até mesmo o boicote de comida e bebida de fabricação russa. Autores clássicos da literatura russa também foram retirados dos cursos acadêmicos ocidentais como forma de “protesto” contra movimentos militares na Ucrânia, algo que sem dúvida causa grandes danos culturais, considerando a importância da Rússia na história literária mundial.

Esta intolerância cultural é apenas uma das muitas faces do racismo russofóbico que se tornou vital para as “respostas” ocidentais contra a Rússia. Casos de violência física contra cidadãos russos também ocorreram em todo o mundo. As igrejas ortodoxas têm sido vandalizadas. As redes sociais têm estimulado o racismo e o discurso pró-agressão contra os cidadãos russos. Na verdade, há tentativas de “anatematizar” o povo russo de todas as maneiras possíveis. E, neste sentido, o cancelamento cultural parece ser uma estratégia fundamental a ser seguida pelos ocidentais.

De fato, com estas atitudes, o Ocidente se torna cada vez mais parecido com seu representante ucraniano na forma como lida com os russos. Nos últimos oito anos, Kiev vem promovendo a perseguição direta e explícita do povo e da cultura russa. Não por acaso, uma das primeiras leis aprovadas pelo governo Maidan foi a abolição da política de língua co-oficial em zonas etnicamente russas, o que permitia o uso da língua russa em documentos oficiais.

Com o início da participação russa no conflito, Kiev radicalizou ainda mais suas políticas racistas, com o parlamento ucraniano aprovando em junho deste ano um projeto de lei para proibir livros e canções escritas por autores russos. As forças ucranianas também têm freqüentemente realizado exibições públicas, queimando literatura russa, o que lembra as práticas nazistas alemãs (grande inspiração do governo ucraniano)

O Ocidente, embora sob o pretexto da “democracia” liberal, está caminhando na mesma direção. A cultura russa é gradualmente criminalizada e a violência contra os cidadãos russos ocorre sem nenhuma restrição, em absoluta impunidade. Isto só tende a exacerbar ainda mais as tensões internacionais e as fricções diplomáticas. O processo de nazificação do Ocidente não pode de forma alguma ser tolerado por Moscou, que tende a se afastar das organizações internacionais que toleram o racismo e formam novos eixos de decisão internacional, em parceria com países emergentes que também lutam historicamente contra práticas discriminatórias.

Fonte: Infobrics
Tradução: Augusto Fleck

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Lucas Leiroz

Ativista da NR, analista geopolítico e colunista da InfoBrics.

Artigos: 593

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