Eleições Italianas 2022: Reconfiguração da Ordem Liberal e Derrota das Forças Radicais Antissistema

Para chegar ao poder, o Fratelli d’Italia teve que se curvar de antemão à ordem hegemônica. Mesmo destino do Lega e do 5 Stelle. Resta saber, no poder, a quem o novo governo italiano vai servir, se ao povo ou ao Ocidente. Enquanto isso, as forças radicais antissistema, com sua miríade de candidaturas sectárias, não conseguiram, nenhuma delas, chegar ao Parlamento.

O resultado da eleição confirma o que já sabíamos: depois da variante esquerda fúcsia da ordem neoliberal, agora é a vez da variante direita azul da mesma ordem neoliberal. Nihil novi sub sole: o verdadeiro vencedor das eleições é a ordem neoliberal baseada na soberania do mercado e no atlantismo imperialista da exportação armada dos direitos humanos.

Ademais, não é nenhum mistério: Fratelli d’Italia já se credenciou, demonstrando sua lealdade aos mercados, à ordem capitalista mundial e, naturalmente, não menos importante, à OTAN, da qual é uma fervorosa defensora. Per Aspen ad astra… Em resumo, uma continuação do que estava lá sob um esquema de cores alterado.

O resultado da eleição confirma o que já sabíamos: depois da variante esquerda fúcsia da ordem neoliberal, agora é a vez da variante direita azul da mesma ordem neoliberal. Nihil novi sub sole: o verdadeiro vencedor das eleições é a ordem neoliberal baseada na soberania do mercado e no atlantismo imperialista da exportação armada dos direitos humanos.

Ademais, não é nenhum mistério: Fratelli d’Italia já se credenciou, demonstrando sua lealdade aos mercados, à ordem capitalista mundial e, naturalmente, não menos importante, à OTAN, da qual é uma fervorosa defensora. Per Aspen ad astra… Em resumo, uma continuação do que estava lá sob um esquema de cores alterado.

Curiosamente, mas não muito, o Movimento 5 Stelle consegue se manter, mesmo que tenha se tornado o que dizia combater: isto não é novidade, ele repudiou as poucas ideias que tinha, tornando-se a muleta de fato da elite dominante que originalmente dizia querer enfrentar. Se ele consegue se manter, certamente não é por razões ideológicas, mas unicamente por causa da promessa magnética da renda da cidadania, que antecipa os tempos da futura renda universal à qual o capital reduzirá as novas massas precarizadas privadas de tudo. Não é de todo surpreendente o baque estrondoso da Lega per Salvini, que de fato até mais do que a 5 Stelle, se é que isso é possível, parece ter repudiado tudo o que ela apoiava vigorosamente até dois anos atrás. Era contra o euro, que agora apoia. Ela era contra Mario Draghi, que agora comemora como campeão e grande estadista. Ela olhava com simpatia para a Rússia, que agora renega em nome de Washington.

Uma pesada derrota, infelizmente, também para as chamadas forças antissistema, aqueles que fizeram da oposição racional e direta ao neoliberalismo e às suas funções satelitárias o próprio ubi consistam. Nenhuma delas pode sequer conseguir passar a barreira dos 3% e assim entrar no Parlamento. Gianluigi Paragone não consegue com o Italexit, que também parecia ser a força mais estruturada com maiores chances de sucesso. O Vita da Sara Cunial, que tinha articulado todo seu programa de oposição ao regime tecnossanitário também não conseguiu. Nem a Italia Sovrana e Popolare de Rizzo e Ingroia, uma criatura bizarra habitada, entre outras coisas, por comunistas da velha guarda aposentados e por arautos do fúcsia que não há muito tempo pregavam a necessidade de um governo com o PD.

Uma coisa parece certa para além de qualquer dúvida razoável: se a ordem neoliberal ganhou mais uma vez, é necessário – diria Gramsci – começar de novo, reconstruindo dos escombros uma união verdadeiramente capaz de trazer à síntese as diferentes forças que, por um caminho ou outro, chegaram a revoltar-se contra o neoliberalismo cosmopolita. Para isso, é necessário, antes de tudo, superar definitivamente a dicotomia mendaz de esquerda e direita, válida na modernidade até 1989 e que hoje se tornou um impedimento – usado artisticamente pelo poder hegemônico – para uma real compreensão das relações de poder e uma consequente organização da luta contra elas.

A nova geografia política em torno da qual o pensamento e a práxis são chamados a ser organizados coincide com o par alto e baixo, lorde e servo, como Hegel disse. A direita e a esquerda representam igualmente o alto, o Senhor neoliberal.

Precisamos criar uma força de baixo e pelo baixo, que desafie a globalização neoliberal, o imperialismo da OTAN, os regimes de emergência associados ao liberalismo e o individualismo radical e pós-metafísico. Para fazer isso, será necessária tenacidade, cultura como base indispensável, e a consciência de ter que manter à distância os sujeitos politicamente pouco representativos que são hoje mais do que ontem, mera poeira nas botas da história. A quem é aconselhável – um pequeno conselho gratuito sem IVA – dedicar-se à equitação.

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Diego Fusaro

Analista político e ensaísta italiano de orientação nacional-revolucionária. @DiegoFusaro

Artigos: 12

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