Panorama rápido das forças que disputam a nação

O Brasil é um país mergulhado numa crise política e um jogo nefasto entre poderes internos e externos pelo domínio dos seus diversos setores estratégicos e produtivos. É mister que os identifiquemos adequada e criticamente.

Há poucos anos, mais ou menos no início do governo Bolsonaro, descrevi as seguintes forças enquanto núcleos politicamente engajados em um tensionamento interno permanente:

Uma seita satânica milenarista e aceleracionista que possui como objetivo fundamental levar o país a uma guerra civil, e que não tem qualquer interesse para além do caos absoluto;

Uma facção militar, liberal e americanófila munida de uma estratégia maquiavélica e visando alcançar o status de “poder moderador” da República para garantir uma submissão suave e supostamente vantajosa do Brasil ao sistema mundial;

Uma cúpula jurídica, iluminista e cosmopolita, que, nesse momento, dispõe deste status de “poder moderador” e cujo projeto liberal-libertário envolve a dissolução do país em um globalismo sorosiano, enxergando a si mesma como estando acossada por forças que pretendem reduzir seu poder.

O ano de 2022 trouxe o grande enfraquecimento da seita aceleracionista com a morte de Olavo de Carvalho. Os olavianos permanecem, mas nem todos possuem os mesmos ímpetos e interesses e, na prática, cada um deles segue seu próprio rumo. Os aceleracionistas são uma minoria entre os pós-olavianos.

O papel da facção militar liberal foi confirmado pelo “Projeto de Nação” do Instituto Villas-Bôas e da Fundação Sagres. Trata-se, precisamente, de um tecnocratismo liberal “moderado” cuja finalidade é proporcionar uma integração suave em uma ordem globalista.

Quanto à Juristocracia, esta seguiu se fortalecendo. Ela é, hoje, uma fortaleza de poder, com estreitos vínculos com o lava-jatismo, com agências de inteligência estrangeiras e com ONGs internacionais.

As outras forças são bastante secundárias. Se olharmos para o PT, veremos que ele está tentando se encaixar e compor com a Juristocracia, apesar dos danos que ela causou ao PT no passado. Toda a esquerda brasileira está alinhada à Juristocracia.

Se formos refletir sobre a estratégia de poder evangélica, veremos que ela é muito incipiente e que, de modo geral, está mais próxima do militarismo liberal-americanista, se esforçando também para colocar representantes na Juristocracia.

O sistema financeiro, simplesmente, não se importa e não precisa se importar porque ele está bem alinhado com todas as facções e partes. Os acionistas têm que lucrar. Os acionistas continuarão lucrando.

O papel de tentar empurrar o país na direção da guerra civil, hoje, é desempenhado pela esquerda pós-moderna e progressista, grupo social integralmente apadrinhado pela Juristocracia e pelas forças internacionais: não é um polo independente interno.

Em outras palavras, o Brasil ainda não conhece nenhuma força que represente uma alternativa institucionalmente posicionada para disputar a construção futura do Brasil. Não há representante de uma visão cesarista do poder, por exemplo — nenhum soberanismo autêntico, nenhum representante de um tradicionalismo, etc.

Trata-se, ainda, de um embate entre uma Tecnocracia jurídica liberal-libertária contra uma Tecnocracia militar liberal-evolucionista, com outras forças como apêndices, mas ainda inaptas a representar polos independentes de poder interno.

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Isaac Silva

Militante da NR, carioca, trabalhista, defensor incondicional do SUS e nacionalista.

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Um comentário

  1. Ou os nacionalistas e unem com o objetivo de salvar a o Brasil e sua soberania, ou seremos estraçalhados por esses grupos apátridas nefastos.

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