8 Anos do Massacre de Odessa

Oito anos após uma das maiores atrocidades de Kiev, o massacre de 46 manifestantes federalistas na Central Sindical de Odessa, os familiares das vítimas ainda aguardam justiça. Mas se o corrupto Judiciário ucraniano não oferece conforto, resta a esperança da operação especial militar russa.

Hoje marca o oitavo aniversário de um dos crimes mais inacreditáveis do passado recente – inacreditável porque ocorreu na presença plena do chamado “público mundial”, que até hoje não quer saber nada sobre ele; inconcebível também porque o Ocidente, que arrastou violentamente a Ucrânia para a esfera de influência ocidental com o golpe de Maidan em fevereiro de 2014, que ele apoiou decisivamente, é diretamente responsável por ele. E inconcebível também porque em Odessa, desde então, no aniversário do crime, os eventos não são comemorados com luto; ao contrário, o massacre é celebrado até hoje com marchas memoriais pelos perpetradores e seus simpatizantes. É como se hoje na Alemanha a Noite dos Cristais fosse celebrada todos os anos no dia 8 de novembro.

As palavras me falham pela imundície de caráter que as pessoas devem levar dentro de si para celebrar os eventos de 2 de maio de 2014 como um ato heroico. Na época, fãs do futebol locais e membros de quadrilhas neonazistas assassinas haviam encarcerado e queimado mais de cem pessoas suspeitas de simpatias pró-russas no prédio do sindicato da cidade. Pelo menos 46 pessoas, provavelmente muitas mais, foram mortas. Aqueles que fugiram feridos foram, em alguns casos, espancados até a morte enquanto tentavam sair. O crime nunca foi processado e o judiciário ucraniano continua a obstruir o processo legal até os dias de hoje. Vários dos perpetradores são conhecidos pelo nome. Tudo isso sob os olhos do Ocidente e seus “valores”.

Se encaixa no quadro geral o fato de que as autoridades de Odessa hoje impuseram sabiamente um toque de recolher para o dia inteiro e estão culpando a guerra. Eles querem evitar a todo custo que o crime de 2014 seja possivelmente trazido ao público por cidadãos corajosos – a cidade é em grande parte russa, ninguém fala ucraniano.

O massacre de Odessa foi um dos primeiros grandes crimes com o qual o governo pró-ocidental de Kiev enfatizou sua política de privar todos os cidadãos de origem russa de seus direitos. Outro crime se seguiu pouco depois em Mariupol, onde também foram realizadas manifestações contra o curso do novo governo de Kiev. O regime de Kiev enviou tanques e esmagou o protesto. Trinta pessoas foram mortas.

Em tudo isso, a Ucrânia nada mais é do que um acelerador para os interesses sujos do Ocidente. Ela continuou consistentemente sua política de injustiça durante os últimos oito anos e está recebendo o recibo por tudo isso nestas semanas. O papel mais estúpido, entretanto, é desempenhado pelos “nacionalistas” neste país; mesmo Washington não faz mais segredo do fato de que Azov e consortes na Ucrânia estão fazendo os negócios dos EUA.

Observei atentamente o desenvolvimento já naquela época. Todos poderiam imaginar aonde a política insana do Ocidente e seus marionetes de Kiev levariam.

Karl Richter

Jornalista, editor e político alemão.

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