Sempre alerta! O dia do escoteiro e a luta pela civilização

“Alerta, ó Escoteiros do Brasil, alerta!
Erguei para o ideal os corações e flor!
A mocidade ao sol da Pátria já desperta
A Pátria consagrai o vosso eterno amor
Por entre os densos bosques e vergéis floridos,
Ecoem nossas vozes de alegria intensa!
E pelos campos afora em cânticos sentidos
Ressoe um hino ovante à nossa Pátria imensa!
Alerta! Alerta! Sempre Alerta!”

Hoje, dia 23 de Abril, comemora-se o dia nacional do Escoteiro. Data escolhida pelo fundador do Movimento Escoteiro o Lorde e General Baden-Powell por ser o dia de São Jorge, o Santo Padroeiro dos Escoteiros, que por coincidência também é Santo Padroeiro da Nova Resistência. Como dito por Baden-Powell “exatamente como o S. Jorge da antiguidade, os Escoteiros de hoje lutam contra tudo que for mau e impuro.” Escolheu-o por representar todas as virtudes que o escoteiro deve possuir.

Em síntese, o Movimento Escoteiro é um movimento educativo de crianças e jovens assumindo o protagonismo no processo educativo. O adulto assume o papel secundário no processo educativo. O chefe escoteiro não manda, não instrui, não ensina, mas orienta, aconselha e serve de exemplo como se irmão mais velho fosse.

Em 1937, Baden-Powell declara que “o nosso objetivo último é criar homens viris para os nossos respectivos países, fortes de corpo, de mente e de espírito; homens em quem se possa confiar; homens que saibam enfrentar trabalho duro e também tempos difíceis; homens que saibam decidir por si próprios, sem se deixarem levar pela sugestão das massas; homens que saibam sacrificar muito do que é pessoal em prol do interesse mais vasto da nação. O seu patriotismo não deve ser estreito e mesquinho; pelo contrário, com a sua visão mais ampla, eles deverão ser capazes de ver com compreensão e simpatia as ambições dos patriotas dos outros países”.

Não existe escoteiro sem comunidade, melhor, sem suas comunidades macro e micro, desde sua rua, seu condomínio ou bairro, passando pelo seu estado e sua pátria, até chegar aos grandes espaços e por fim na grande fraternidade mundial, que só é possível graças a preservação da alteridade, reconhecer e respeitar o outro, não porque somos iguais, termos os mesmos gostos, temperamentos, línguas, culturas ou religião, mas simplesmente porque somos irmãos.

Baden-Powell em seu discurso intitulado de “A educação pelo amor substituindo a educação pelo temor” pode-se inferir que o escotismo preenche o vazio que acarretaria a supressão de uma educação militarizada para as nações, é o escotismo algo que conduz à paz fraternal sem desvirilizar os homens e ao mesmo tempo os mantêm longe dos horrores das guerras.

Dito isto, alguns podem dizer que os escoteiros trabalham em construção de um mundo utópico. Pode-se dizer que é uma utopia, sim, é uma utopia! A construção do mundo e o avanço da história dependem de homens que acreditam em utopias e dependem dessas ideias. Manoel Bomfim escreve em América Latina: males de origem: “utopia… utopia… repetirá a sensatez rasteira. Utopia, sim; sejamos utopistas, bem utopistas, contanto que não esterilizemos o nosso ideal, esperando a sua realização de qualquer força imanente à própria utopia; sejamos utopistas, contanto trabalhemos”.

Talvez por essas e outras que o mesmo Manoel Bomfim, que chamam de “rebelde esquecido”, que estava em estudos na Europa, de forma visionária, instou Oficiais da Marinha a levarem o escotismo ao Brasil. O mesmo Manoel Bomfim de América Latina: males de origem, que apontava para a educação do povo latino-americano como uma saída para as suas mazelas, imperialismos, espoliação parasitária levando a construção de um senso de comunidade. Acreditando no ideal e nos objetivos do escotismo tornou-se escoteiro e foi presidente da Confederação Brasileira dos Escoteiros do Mar em 1923.

Grandes pensadores e grandes líderes afirmam repetidas vezes que são necessárias grandes e preciosas virtudes para construção, desenvolvimento e até mesmo libertação de nossas pátrias, nossas comunidades e regiões, em verdade, tanto aos escoteiros tanto às fileiras da Nova Resistencia, não serve a cidadania passiva, que segundo Baden-Powell “não é suficiente para manter evidência, no mundo, as virtudes de LIBERDADE, JUSTIÇA e HONRA. Só a cidadania ativa pode consegui-lo. E, neste mundo, cidadania passiva não é suficiente para assegurar liberdade, justiça, honra e honestidade. Só nos servem, em verdade, cidadãos ativos e úteis”.

Quão maravilhoso seria um mundo que todos fossem escoteiros!

Por fim, neste dia, saudamos com um cordial Sempre Alerta! todos os escoteiros e ex-escoteiros do Brasil, herdeiros atemporais dos cavaleiros medievais pelas práticas virtuosas, lealdade e serviço ativo à comunidade.

Rickson Vieira

Graduando em Direito e Gestão de Segurança Privada, Desenvolvedor Web.

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