Bilionários criam nova empresa de mídias sociais para, supostamente, combater a desinformação

O presente artigo de Sara Fischer apresenta uma série de tópicos sobre uma nova empreitada dos bilionários liberais George Soros e Reid Hoffman, com o objetivo de criar uma empresa capaz de regular e caçar informações falsas. Apesar de uma ideia aparentemente inocente, é nítido que há algo muito maior por trás desse financiamento da chamada Good InformationInc.: a tentativa de vetar qualquer tipo de pensamento contra-hegemônico que vá de encontro aos dogmas do liberalismo e qualquer ideia que confronte o ideal de progresso.

por Sara Fischer

Uma nova empresa de utilidade pública[1] apoiada pelos bilionários Reid Hoffman, George Soros, entre outros, foi lançada no dia 26 de outubro deste ano, com o objetivo de fundar novas companhias midiáticas e um levantamento de combate à desinformação.

Por que isso importa: Good InformatioInc. visa financiar e enumerar empresas através de câmera eco[2] baseadas em informações factuais. Como parte de sua missão, possui o objetivo de investir em novas companhias locais.

O grupo será liderado por Tara McGowan, uma antiga estrategista Democrata que, anteriormente, dirigia uma organização progressista sem fins lucrativos chamada ACRONYM.
• ACRONYM investe em companhias de fins lucrativos que construam soluções de mídia e tecnologia para causas progressistas. Ela realizou uma das maiores campanhas digitais para derrotar o Presidente Trump nas eleições de 2020, o gasto total foi de 100 milhões de dólares.
• Uma das companhias em que investiu, a chamada Shadow, foi motivo de notícias no ano passado por contribuir para o atraso na divulgação das eleições prévias do partido Democrata de Iowa[3].

Hoffman, o criador do LinkedIn, apoiou a ACRONYM.
Detalhes: Good Information está sendo lançada com um investimento inicial multimilionário liderado por Hoffman e acompanhada por Ken e Jen Duda, Incite Ventures e George Soros.
• “Nós estamos divulgando nossos investidores pelo fato de acreditarmos – especialmente agora em um ambiente permeado pela falta de confiança – que transparência é realmente importante”, diz McGowan.
• ACRONYM enfrentou uma reclamação da FEC (Federal Election Comission – USA) ano passado, que alegou não haver transparência o bastante sobre o apoio de Courier. Eventualmente, a reclamação foi retirada. “Se eu pudesse fazer as coisas diferentes, eu teria sido mais transparente”, disse McGowan.
• Good InformarionInc. investirá em novos negócios e soluções que rastreiem a crise de desinformação. Isso significaria investimento de novas ou já existentes empresas que impulsionariam notícias nos meios de comunicação.

Ainda que apoiado e lançado pelos progressistas, McGowan diz que o grupo poderia fazer investimentos em entidades ao redor do espectro político, desde que seu editorial permaneça apoiando informações de cunho factual.
• Ela cita o The Bulwark, um site de notícias de centro-esquerda, fundado em oposição ao trumpismo, como um exemplo de site de notícias de centro-esquerda que poderia ser financiado.
• “A crise de informação em que estamos afundados é muito maior do que a política”, afirmou McGowan.
• McGowan fará parte de um conselho de quatro cinco pessoas, o qual será anunciado até o fim do ano. Incluirá dois membros indicados por investidores e três membros indicados por gerentes.

Good Information Inc. adquirirá Courier Newsroom[4] da ACRONYM, por uma quantia ainda não revelada, como parte do acordo.
Courier Newsroom é um jornal local com perspectivas progressistas. Há, atualmente, aproximadamente 60 pessoas que trabalham por tempo integral nos oito escritórios.
• McGowan desse ter sido recusada nas negociações da ACRONYM para vender a Courier, pelo fato dela ainda fazer parte do conselho da empresa enquanto a compra estava sendo negociada. Os termos da negociação não estão sendo revelados.
• Good Information Inc. adquirirá o boletim informativo[5] FWIW da ACRONYM, o qual cobre os gastos da “politicagem digital”.

O comitê de consultoria da companhia consiste em quase duas dúzias de especialistas políticos, midiáticos e tecnológicos, incluindo o antigo Diretor de Comunicações da Casa Branca, Bran Dan Pfeiffer, o fundador da Civic Signal Eli Pariser, o cofundador da Check My Ads Nandini Jammi, o antigo editor da Chicago Tribune e do Chicago Sun-times, Mark Jacob, a cofundadora da Accountable Tech Nicole Gill, e outros.

Entre linhas: em fevereiro, Recode relatou sobre materiais que vazaram, sugerindo que o grupo incluiria apoio sem fins lucrativos. McGowan disse à Axios que não há planos para de lançar uma organização sem fins lucrativos.
• O artigo da The Recode diz que McGowan estava procurando arrecadar 65 milhões de dólares. No entanto, ela não confirmou esse número para a Axios.

O quadro geral: é o mais recente exemplo de investimentos feitos por bilionários visando à desinformação.
Craig Newmark, o fundador da CraigsLists,[6] investiu milhões para apoiar relatórios válidos através da sua empresa sem fins lucrativos, Craig Newmark Philantrhopies.
Steven Ballmer, ex-CEO da Microsoft, fundador da USAFacts, uma organização sem fins lucrativos programada para fazer dados precisos acessíveis e compreensíveis, em 2017.
Laurene Powell Jobs investiu em inúmeras organizações jornalísticas, incluindo a Axios, através de sua coletiva de investimentos, a Emerson Collective[7].

E agora, o que vem a seguir? McGowan disse que o objetivo do grupo, no próximo ano, é o aumento das soluções imediatas para conter a desinformação antes que ela se espalhe.

Nota do editor: este artigo foi corrigido para observar que reclamação FEC ainda está pendente. Originalmente, o artigo dizia ter sido descartado.

1 Public benefit corporation.
2 Echo chamber.
3 O termo em inglês utilizado aqui foi “Iowa caucuses”.
4 Courier Newsroom é uma empresa de mídia digital que possui o objetivo de promover candidatos Democratas nos EUA.
5 Newsletter.
6 CraigsLists é uma rede de online que distribui anúncios gratuitos.
7 Corporação focada em educação, reforma da imigração, meio ambiente, mídia, jornalismo e saúde.

Fonte: axios.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *