Pazuzu, o demônio invocado por Bolsonaro

Quem é Eduardo Pazuello, general de divisão do Exército Brasileiro e ex-ministro da Saúde durante a pandemia de COVID-19 no país, pego de calças curtas negociando vacinas superfaturadas?

Pazuzu foi pego com a boca na botija negociando vacinas superfaturadas e agora nega veementemente que ele tenha feito o que o vídeo demonstra que fez. O engraçado é a exposição da corrupção do general.

Durante o regime civil-militar, sabíamos que o aparato de repressão e tortura formado por baixos oficiais [tenentes, capitães etc.] se envolveu com a criminalidade do Rio, com o Clube Barão de Drummond, e com contrabando de armas e produtos nas fronteiras. Mas a lama não respingava muito sobre a cúpula das Forças Armadas.

Pazuzu está mudando esse paradigma. Tem tudo pra ser defenestrado, exposto e desmoralizado até o osso, publicamente, em horário nobre, pra todas as famílias brasileiras assistirem.

A família do general é oligarquia poderosa no Norte do Brasil. Seus negócios vêm dos anos 1920 e 1930, e sempre estiveram na margem da ilegalidade. Dizem até que lucraram horrores com a exportação criminosa de peles de jacaré — o que torna interessante a menção de Bozó à possibilidade de ”virar jacaré” se tomassem a vacina. Tem mais coisa aí do que parece a um primeiro olhar desavisado.

Essa máfia da qual sai Pazuzu tem origem judaica. Eram imigrantes cujos negócios prosperaram muito com ajuda da burocracia do regime civil-militar e os investimentos públicos na Amazônia. O general tem costas quentes na política e no empresariado da região, e provavelmente laços bem complexos com o Deep State brasileiro.

Chamá-lo de Pazuzu é reconhecer essa dimensão do personagem. Não estamos falando de qualquer entidade menor dos reinos infernais. É um demonho de alta patente, de fato.

André Luiz dos Reis

Historiador, mestrando em História pela UFRJ, cristão ortodoxo e membro da NR-RJ.

 

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