Eventos na Palestina: o Fim está mais próximo do que nunca

A escalada de violência na Terra Santa traz à baila algumas narrativas de caráter escatológico. Grosso modo, as três maiores religiões monoteístas concordam que o fim do mundo irá começar com uma grande guerra na Terra Santa. Para Alexander Dugin, o fim do mundo está mais perto do que nunca.

Os eventos na Palestina estão no centro da atenção da mídia mundial. A escalada do conflito entre os israelenses e palestinos chegou a um nível de tensão sem precedentes nos últimos dias. É importante apontar que não só os israelenses estão massacrando os palestinos, como também os foguetes lançados pelo Hamas estão atingindo os seus alvos. Os israelenses também estão perdendo vidas.

A eclosão do conflito árabe-israelense mais uma vez ressuscita toda uma gama de sombrios enredos apocalípticos. Todas as três religiões monoteístas do mundo – Judaísmo, Cristianismo e Islamismo – concordam que o fim do mundo irá começar com uma grande guerra na Terra Santa. Então, o fim do mundo está mais perto do que nunca.

O Estado de Israel em si é, nos olhos dos judeus religiosos, um Estado do Fim. A Quarta Diáspora (Galut), que começou com a destruição do Templo de Jerusalém por Tito em 70, levando os judeus a se espalharem pelo mundo, termina somente na Era do Messias Judeu. A Israel Moderna é, em um sentido, construída a longo prazo.

Os judeus após a Segunda Guerra tensionaram toda a sua força em tomar o controle da Palestina a qualquer custo. Eles pensaram que, com seus esforços, iriam apressar a vinda do atrasado Messias judeu. Ao prepararem terreno para a sua vinda, eles criaram uma espécie de Pré-Estado. Depois, eles tomaram Jerusalém pela força e fizeram dela a capital.

O último passo seria derrubar a Mesquita de Al-Aqsa, sagrada para os muçulmanos, e começar a construção do Terceiro Templo. De acordo com a tradição judaica, você deve primeiro achar uma vaca vermelha e oferecê-la em um ritual de sacrifício. Mas se for totalmente necessário, é possível interpretar o que se quer dizer por “vermelho” de diferentes formas, e até – no espírito da pós-modernidade – pintar lugares duvidosos. Mas se o Messias Judeu atrasar mais, pode haver uma falência fundamental não só de Israel, mas também do Judaísmo e da Judiaria como um todo.

Para os muçulmanos, a Palestina e Jerusalém, bem como a Mesquita de Al- Aqsa, cujo destino eles temem justificadamente, são ao mesmo tempo:

° O lugar de milhares de anos de habitação fixa;

° Um santuário, o terceiro em significado depois de Meca e Medina.

Novamente, os muçulmanos acreditam que o fim do mundo estará diretamente relacionado a uma grande guerra religiosa no Oriente Médio – numa área abrangente da Síria ao Egito, incluindo toda a Israel Moderna. Então, o Mundo Islâmico e Árabe, reagindo violentamente hoje à escalada de violência na Palestina, é motivado não só pela indignação contra a ocupação judaica e o estilo truculento – algumas vezes racista – do israelitas, mas também por antecipação à Última Batalha. Tanto os xiitas como os sunitas estão prontos para isso. Desde que o Fim dos Tempos seja levado em conta, ambas as vertentes do Islã concordam entre si. E ambas enxergam a solução do Problema Palestino somente na destruição de Israel enquanto Estado Nacional judeu.

Para o mundo cristão, Jerusalém também é sagrada. E as profecias bíblicas, bem como o Apocalipse Cristão, falam da Última Batalha de Satã contra o exército do Arcanjo Miguel, que deve acontecer na Terra Santa. Obviamente, na era do materialismo massificado, é comum interpretar essas histórias alegoricamente, como puras metáforas, mas os cristãos que levam as Escrituras seriamente não podem fazer outra coisa senão notar o quão os eventos de nossos tempos se parecem com as profecias do Fim dos Tempos. Armageddon se localiza em Israel. E aquele que os judeus consideram como o seu Messias, no entendimento cristão, será ninguém mais, nada menos que o Anticristo.

Então, para o mundo cristão, a escalada na Palestina é também um símbolo bastante alarmante.

Céticos e materialistas, é claro, irão novamente explicar isso tudo como:

° Intrigas de Netanyahu, confuso pelas políticas domésticas;

° Condições Sócio-Econômicas;

° Covid 19;

° Flutuações do Mercado Acionário;

° Preço do Petróleo.

Mas aqueles que matam uns aos outros em Israel, e aqueles que acreditam mais nos Escritos Sagrados do que em comentaristas frívolos e experts que mudam de visão a cada dia que passa, estão claramente interpretando esses eventos de uma maneira mais séria. O preço da vida humana é muito grande para ser pago com algumas coisas pequenas e passageiras. Se envolver em um tenso cenário do Fim do Mundo é outra questão.

A coisa certa a se fazer é se envolver. Essa é a minha diretriz de hoje. A História está chegando a um desfecho. E é melhor encará-lo.

Aleksandr Dugin

Filósofo e cientista político, ex-docente da Universidade Estatal de Moscou, formulador das chamadas <em>Quarta Teoria Política</em> e <em>Teoria do Mundo Multipolar</em>, é<em> </em>um dos principais nomes da escola moderna de geopolítica russa e um dos mais importantes pensadores de nosso tempo.

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