O Carnaval e os moralistas travestidos de pandeminios

O Carnaval vai ser usado para resgatar a narrativa pandêmica em escala sensacionalista e inflar os índices de infecção e óbitos por Covid.

Assim como em 2020, os falsos moralistas irão mais uma vez culpar erroneamente a festa popular por um suposto aumento dos infectados pelo coronavírus, como se as pessoas já não se aglomerassem diariamente o ano todo.

A conta não fecha. O número de habitantes, com ou sem Carnaval, é o mesmo. Fora que os riscos de infecção são mais altos no dia a dia do povo, que pega transporte público lotado para trabalhar ou estudar; que está em bares todos os fins de semana; em churrascos nos dias de futebol; em festas de aniversário. Não serão míseros 4 dias de Carnaval que vão elevar drasticamente o número de infectados.

Eu vejo exatamente o contrário. O Carnaval não é esse monstro que pintam, ele é um escape, uma salvação e até uma possível cura para pessoas que adquiriram depressão, ansiedade e outros problemas psicológicos ocasionados pela pandemia.

Nisso, os zés moralistas rebatem com o argumento de que o Carnaval é o período de maior índice de assaltos e homicídios do ano. Aí eu pergunto: você já viu alguém sendo assaltado ou morto durante o Carnaval? Veja bem, eu não estou perguntando se você ouviu, se alguém lhe contou ou se você formulou os dados baseados em noticiários a que assistiu, estou perguntando se VOCÊ VIU. E não, você não viu. Mesmo se tivesse visto, sua experiência isolada não serve para construir estatísticas, pois você estaria dando um significado cultural para um possível fator circunstancial.

Se formos levar em conta esse argumento, então eu posso desmontá-lo usando minha experiência pessoal, já que participo de Carnaval de rua desde criança e nunca vi ninguém sendo assaltado ou assassinado nessa festa, mas fora dele sim, muitas vezes e em dias comuns.

A verdade é que o homem comum está muito mais exposto aos riscos (doenças e violência) em sua vida diária na cidade do que em menos de uma semana de Carnaval.

Enfim, quero dizer também aos pseudotradicionalistas que acusam o Carnaval de não ser mais uma tradição pelos rumos que tomou, que parem então de celebrar a Páscoa e o Natal, pois são feriados que também se modernizaram e se americanizaram. Mas claro, isso o Zé Moralista não vê, porque ele tem frustrações e problemas pessoais com o Carnaval e os camufla sob o manto do tradicionalismo, quando na realidade o problema é ele, não o Carnaval.

Por mim, que liberem a maior festa popular do mundo.

Rhainer Fernandes

Rhainer Fernandes é membro da NR-RJ, católico e estudante de Relações Internacionais.

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