Não é Imigração: É a Deportação de Novos Escravos

A esquerda, que há muito esqueceu qualquer preocupação com a classe trabalhadora, se debulha em lágrimas em defesa das migrações em massa. Mas as migrações em massas não são nada além do novo tráfico escravagista. Seres humanos são deportados, por meios indiretos, de seus lares para servirem como mão-de-obra barata e melhor explorável e, com isso, reduzem os salários das classes trabalhadoras dos países desenvolvidos. A esquerda, ao defender esse fenômeno, tornou-se linha auxiliar do turbocapitalismo mais radical e monstruoso.

Digamos sem perífrase. Contra todo direito marítimo, navios privados encarregados de realizar uma deportação embarcam seres humanos ao largo da costa da Líbia desestabilizada pelo Ocidente e seu imperialismo humanitário cego (2011) e os deportam em massa para a Itália. Eu digo contra todas as leis do mar, porque estas leis exigem que os resgatados sejam levados para o porto seguro mais próximo. Que, considerando que saem da Líbia, não podem estar na Itália. Por que isso está acontecendo? São barcos privados e conhecemos a lógica do setor privado: negócio é negócio. Não para guardar, mas para obter lucros. Não para integrar, mas para tirar proveito

Não salvando vidas, mas traficando novos escravos. Com que fim? A quem interessa este neocolonialismo pós-moderno desumano? Os senhores do capital, a classe dominante turbocapitalista. Ela deporta novos escravos da África, uma força de trabalho dócil e superexplorável (campos de tomate, etc.). E, ao fazer isso, reduz os salários da classe trabalhadora como um todo, tanto nativa quanto imigrante. Além disso, a classe dominante cria confrontos horizontais entre estes últimos. Em vez de lutarem verticalmente contra os acima mencionados, eles agora lutam horizontalmente, dividindo-se entre imigrantes e nativos, brancos e negros.

A esquerda cosmopolita, por sua vez, com seus idiotas úteis a serviço do capital, acrescenta legitimação cultural: elogio lacrimogêneo à imigração em massa, glorificação dos barcos de deportação, deslegitimação de toda regulamentação (imediatamente marcada como autoritária e fascista).

Já está, ou deveria estar, claro a esta altura. Sociedade aberta, mentes abertas, portos abertos: tudo aberto, para que tudo se esvazie. Este é o sonho do mundo turbocapitalista: a redução do mundo a um mercado planetário com livre circulação omnidirecional de commodities e pessoas comoditizadas.

Há algumas semanas, houve outro naufrágio terrível e inaceitável. 6km da costa líbia, 340km da costa de Malta e 445km (sic!) da costa da Itália. E os porta-estandartes do progressismo, os devotos da terceiro-mundização da Europa e os auxiliares-de-campo do cosmopolitismo capitalista repetem incessantemente que o que aconteceu é culpa da Itália. A lógica é invertida, a subcultura irracional das emoções toma conta, com inevitáveis imagens lacrimogêneas usadas ad hoc.

Nas revistas nacionais de notícias, as manchetes lamurientas sobre o tema dos migrantes seguem uma após a outra. No entanto, quando os trabalhadores foram massacrados sangrentamente pela Lei do Trabalho e pela reforma Fornero, nem uma palavra. Afinal, a própria imigração em massa serve para massacrar os trabalhadores de forma mais eficaz: tirando-lhes os poucos direitos sociais restantes, baixando monstruosamente seus salários e fazendo-os pensar que os inimigos são os imigrantes e não aqueles que os deportam para melhor massacrar a classe trabalhadora.

E depois há o sempre presente Boeri, que pontifica com o selo hierático do sacerdote da globalização do mercado: “a diminuição dos imigrantes é um problema muito sério para as aposentadorias a serem pagas”.

Em resumo, há muito boas razões para deportar os novos escravos da África em navios particulares: 1) eles trabalham a um custo muito baixo (reduzindo os salários dos nativos), 2) eles pagam nossas aposentadorias.

O rei está nu.

Fonte: Interesse Nazionale

Diego Fusaro

Analista político e ensaísta italiano de orientação nacional-revolucionária. @DiegoFusaro

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