O General Soleimani e As Milícias Cristãs da Síria

Nesse início de 2021 marcamos 1 ano da morte do General Qassem Soleimani, herói de guerra e um dos principais estrategistas da derrota do ISIS e da Al-Qaeda na Síria e no Iraque. Foi assassinado por atrapalhar os planos americanos e sionistas de desintegração do Oriente Médio.

Em recente entrevista que apareceu nas colunas do site de notícias russo Sputnik, o Monsenhor George Abu Khazen, bispo latino de Aleppo, lançou um sincero apelo no qual, além de sublinhar a essência criminosa do regime de sanções imposto à Síria pela Caesar Act dos EUA, ele pedia expressamente aos europeus que parassem de seguir Washington no caminho da agressão econômico-militar contra o país levantino.

De fato, de acordo com Abu Khazen, o regime de sanções, ao afetar antes de tudo os segmentos mais pobres da população e as minorias, criou um desastre pior do que a ocupação da cidade por grupos terroristas, por sua vez alimentados pelo “Ocidente”[1]. O prelado, além disso, na mesma entrevista afirma com grande franqueza que a Síria não precisa de ajuda especial. Na Síria há grãos e óleos suficientes para todos. Entretanto, a ocupação norte-americana da parte nordeste do país (a área mais rica em recursos) impede qualquer reconstrução real[2].

Ao sincero apelo contra o regime sancionatório, o bispo de Aleppo acrescentou uma denúncia das condições das populações cristãs que ainda permanecem reféns de grupos terroristas (sob proteção turca) na área de Idlib: uma comunidade que vive há quase dois milênios perto do rio Orontes, agora reduzida a algumas centenas de pessoas que são sistematicamente impedidas não só de praticar sua fé, mas também de trabalhar no campo.

O apelo do Monsenhor Abu Khazen exige dois tipos de reflexão. A primeira está relacionada ao fato de que, apesar da enjoativa retórica propagandística da “administração pacifista” e “não-intervencionista”, a presidência Trump, em termos geopolíticos (sem entrar no mérito da luta entre os aparatos de poder que ainda se desenrola em Washington), moveu-se em diferentes teatros em continuidade substancial com a de seu predecessor Barack Obama. E isto porque os processos geopolíticos muitas vezes se movem de forma autônoma em relação ao próprio inquilino da Casa Branca, que, no caso de Trump, fez muito pouco para impedir o círculo vicioso gerado pelo complexo militar-industrial e por aquela “síndrome de privação do inimigo” que tem afligido a OTAN desde o colapso da URSS.

É até supérfluo ter que lembrar, mais uma vez, como a agressão econômica, de Tucídides a Carl Schmitt, é considerada, para todos os efeitos e propósitos, como “atos de guerra”. Uma prática que tivemos que testemunhar em inúmeras ocasiões nos últimos quatro anos (além da Síria, podemos citar os casos do Irã, da China e o prolongamento e fortalecimento do regime de sanções à Rússia e Venezuela) e que foi amplamente prevista no famoso discurso de Barack Obama diante dos cadetes em West Point em 2014. Nessa ocasião, o ex-presidente norte-americano afirmou a necessidade de redução da intervenção militar direta por parte dos Estados Unidos (muito cara) e o recurso em caso de uma ameaça não direta a ações multilaterais, isolamento e sanções contra o “inimigo”[3].

Também é supérfluo lembrar como a tão apregoada retirada da Síria nunca aconteceu de fato. Sabe-se agora que o Pentágono, durante a administração Trump, escondeu conscientemente o número real da presença militar americana na Síria, bem como no Iraque e no Afeganistão, tanto para continuar a retórica do “fim das guerras sem fim” como para evitar que isso realmente acontecesse. Se é verdade (talvez) que o número real de unidades militares foi provavelmente escondido do próprio Presidente (o que por si só não é particularmente chocante para aqueles que conhecem os mecanismos que movem o aparato do poder americano)[4]: é igualmente verdade que foi Donald J. Trump quem autorizou as incursões nos países em questão (incluindo aquela que assassinou Qassem Soleimani) e os atos de guerra econômica acima mencionados[5]. Sem mencionar que, dados em mãos, nos casos do Afeganistão e Iêmen, a administração Trump lançou ainda mais bombas do que as que a precederam, com o pico de 7.423 dispositivos norte-americanos lançados apenas no país da Ásia Central em 2019[6].

Escusado será dizer que, no momento, não parece haver nenhum espaço dentro do qual a nova administração possa se mover em uma direção diferente de suas predecessoras. Se a administração Trump tomou posições extremas que foram configuradas sob Barack Obama (por exemplo, contenção da China), parece claro que a administração Biden-Harris seguirá a linha das anteriores.

A segunda reflexão que inspira o apelo do Bispo de Aleppo, além da referência a uma Europa sujeita à vontade da América do Norte[7], está ligada a aspectos mais puramente histórico-ideológicos e religiosos. E é aqui que entra em jogo a figura do General Mártir Qasem Soleimani.

O Presidente Bashar al-Assad tem frequentemente se referido à importância da comunidade cristã para a essência e o caráter soberano da Síria. De fato, o território que hoje corresponde ao país levantino, além de ter sido desde tempos antigos um centro de irradiação cultural e religiosa de primeira ordem, como no caso da propagação do culto ao sol (“intervenção providencial do Oriente” para René Guénon) no Império Romano, influenciou, com seus teólogos, de forma decisiva na evolução da própria doutrina cristã; basta pensar na obra de São João Damasceno, expressão perfeita de um verdadeiro cristianismo oriental e rico em influências eurasiáticas.

No decorrer dos séculos, o país experimentou, em particular, um desenvolvimento extensivo do culto mariano. Um culto demonstrado pela presença de incontáveis santuários dedicados à Mãe de Jesus e que sobreviveram aos anos de conflito, pilhagem e destruição. Um dos mais importantes sem sombra de dúvida é o mosteiro de Saidnaya (Senhora da Caça em siríaco), pertencente ao Patriarcado Ortodoxo de Antioquia e um lugar de peregrinação também para os muçulmanos. A história deste mosteiro é emblemática do caráter sagrado e tradicional da presença cristã na Síria. Diz a lenda que o imperador bizantino Justiniano I, durante uma viagem de caça na região, perdeu seu caminho perto de Damasco e correu o risco de morrer de desidratação. Sua sede foi saciada graças à ajuda de uma gazela, mais tarde identificada por Justiniano como um mensageiro angélico mariano, que o conduziu a uma fonte de água na mesma rocha sobre a qual o Imperador mais tarde mandou construir o santuário. E na entrada do santuário estavam inscritas as palavras tiradas do Livro do Êxodo: “tira os sapatos de teus pés, pois o lugar onde estás é terra santa”[8].

Agora, voltando ao conceito segundo o qual a geografia sagrada e a geopolítica muitas vezes se sobrepõem, vale ressaltar que a região na qual estão localizados os principais centros de culto cristão na Síria (de Saidnaya a Maaloula) também tem um valor geoestratégico de considerável importância. Observando um mapa do Levante, facilmente se notará que esta área corresponde àquelas montanhas de Qalamoun, ao longo da fronteira entre a Síria e o Líbano, além do qual se encontra o Vale de Bek’a, que constitui (historicamente) um dos principais centros de atividade do Hezbollah. Esta região, um ponto de conexão entre o Líbano e a Síria (e portanto também um ponto de abastecimento entre Beirute e Damasco) há muito tempo tem sido objeto de disputa entre os grupos terroristas que puseram a ferro e fogo a Síria e as forças legalistas (o Exército Árabe Sírio e suas milícias associadas) e seus aliados (Hezbollah e as Forças Quds comandadas por Qassem Soleimani). Damasco e seus aliados lançaram pelo menos três operações militares diferentes para libertar esta região fundamental, infligindo graves derrotas tanto ao autodenominado “Estado Islâmico” quanto às forças ligadas à Al-Qaeda. Em particular, a ofensiva de agosto de 2017 levou à primeira grande derrota do “Estado Islâmico” em solo sírio, à rendição de um número substancial de milicianos da entidade terrorista e à libertação de uma grande fatia de território ao longo da fronteira sírio-libanesa.

Muitas das milícias cristãs que participaram das operações militares na região em apoio ao governo legítimo de Damasco (por exemplo, os “Guardiões da Aurora”, que uniram vários grupos cristãos como os “Leões dos Querubins” – em referência ao nome de um importante mosteiro em Saidnaya – ou os “Soldados de Cristo”) foram constituídos no modelo do Hezbollah e das milícias xiitas iraquianas, com a ajuda tanto das Forças Quds de Soleimani como do próprio Hezbollah. Soleimani também desempenhou um papel importante na formação de outra milícia cristã, as “Forças da Raiva”, na cidade de maioria grego-ortodoxa de Suqaylabiyah entre Hama e Latakia[9].

É importante sublinhar que os militantes destes grupos se consideram como “mujahideen da cruz”[10]. Um dos lemas dos “Leões dos Querubins” diz: “Não fomos criados para morrer, mas para a vida eterna. Nós somos os descendentes de São Jorge”[11]. Sua ação visava principalmente defender os lugares de culto cristãos contra a devastação dos milicianos takfiri. Entretanto, muitos desses grupos também participaram de operações militares fora das áreas onde vive a maioria da comunidade cristã síria. De fato, eles têm lutado e estão lutando como cristãos contra o “Ocidente” e uma visão do mundo que é totalmente estranha a eles.

Em certa medida, pode-se dizer que a agressão contra a Síria contribuiu (nas palavras de Michel ‘Aflaq, o pai fundador cristão-ortodoxo do Ba’ath sírio) para “reavivar o nacionalismo dos árabes cristãos”[12]: isto é, o sentimento que “os leva a sacrificar seu orgulho e privilégios pessoais, nenhum dos quais pode igualar o orgulho árabe e a honra de fazer parte dele”[13].

Diante deste cenário, parece bastante óbvio o motivo pelo qual o Secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo declarou em 2018, com o estilo característico de gangster que distingue a política externa norte-americana, que o General Soleimani estava criando problemas tanto na Síria quanto no Iraque e que os EUA deveriam fazer todo o possível para aumentar o preço para ele pessoalmente e para as Forças Quds dos Guardiões da Revolução[14].

Além do aspecto puramente geopolítico (relacionado ao fato de que o trabalho de Soleimani contribuiu para o desenvolvimento de forças militares não convencionais capazes de minar a estratégia norte-americana e sionista na Síria e no Iraque e criou cinturões de segurança nas fronteiras do Irã ao mesmo tempo em que expandiu sua influência na região)[15], os “problemas” de que Pompeo fala também estão interligados a um aspecto mais puramente “ideológico”. De fato, é bem conhecido que a superestrutura ideológica do “Ocidente”, no decorrer dos últimos vinte anos, foi construída em torno do chamado “choque de civilizações”, teorizado por Samuel P. Huntington e Bernard Lewis, entre o judaico-cristianismo e o islamismo (ou entre o “Ocidente liberal” e o eixo islâmico-confuciano) com o mero propósito de fornecer um “inimigo” contra o qual se opor. Ao mesmo tempo, além da fragmentação em linhas étnico-setoriais dos principais adversários regionais (estratégia que se tenta aplicar também ao Irã)[16], o sionismo sempre teve no coração a eliminação das comunidades cristãs no Levante[17], a fim de reafirmar um dos mitos fundadores do “Estado judaico”: seu papel como “muro contra a barbárie oriental”.

Neste sentido, o General Soleimani e as milícias a ele ligadas, também operando em conformidade com preceitos teológicos ainda mais que militares e defendendo as comunidades religiosas oprimidas de grupos terroristas apoiados pelo “Ocidente” (tanto na Síria como no Iraque) também através de uma cooperação inter-confessional que se posiciona nas antípodas em relação respeito ao princípio imperialista tradicional do divide et impera, desmascararam a mentira básica inerente ao modelo ideológico do “choque de civilizações” e mostraram que a entidade sionista, longe de ser um muro contra a barbárie, é ela mesma a barbárie.

Superando o modelo ideológico do choque entre civilizações através de uma ação que (em termos puramente tradicionais) é um encontro entre o Caminho da Ação e o Caminho da Contemplação (não há jhad menor sem jhad maior e a Ação é inseparável da meditação), a figura do general Soleimani assume o papel de “herói civilizador”. Em um mundo em ruínas, onde o individualismo domina e a falsificação ideológica em muitos níveis destruiu qualquer tipo de princípio e atitude sagrada, a vida de Soleimani é um exemplo revolucionário. A ação, neste membro da casta guerreira, torna-se sacrifício de si mesmo em direção a um objetivo maior. E, com isso, o conflito volta a assumir a dimensão teológica (investigada por Heidegger e Schmitt na primeira metade do século XX com base em fragmentos heraclíticos) que no mundo “ocidental” foi afogada no moralismo da matriz protestante anglo-americana.

Soleimani foi morto pelo simples fato de que ele representava um modelo humano que se situa nas antípodas do homem ocidental moderno que desconhece o Sagrado e cujo conhecimento se reduz à mera acumulação e assimilação de dados empíricos. Parafraseando o Iman Khomeini, Soleimani foi um verdadeiro ser humano no sentido tradicional e espiritual dessa idéia. E por isso ele foi morto[18]. “De seres humanos”, escreveu o pai da Revolução Islâmica, “eles têm medo; se encontram um homem, temem-no […] É por isso que sempre que encontraram um homem de verdade à sua frente o mataram, o encarceraram, o exilaram, ou mancharam sua reputação”[19].

Notas

[1] É curioso notar como muitos supostos cristãos chegaram a definir Donald J. Trump como defensor da Cristandade. Alguns chegaram até a atribuir a ele o papel de “katechon”. Parafraseando o que disse o Coronel Gaddafi sobre a diferença substancial existente entre comunistas soviéticos e comunistas italianos, poderíamos afirmar que existe uma grande diferença entre “verdadeiros cristãos” e aqueles que se deixaram corromper por uma forma falsificada de cristianismo de essência absolutamente anticristã.
[2] “Le sanzioni degli USA ci uccidono. Passeremo un Natale di inferno”, entrevista de G. Micalessin a G. A. Khazen, www.sputniknews.com.
[3] Ver Remarks by the President at the United States Military Academy Commencement Ceremony, www.obamawhitehouse.archives.org.
[4] Pensemos nas manobras que fizeram do Vice-Presidente (cargo fundamentalmente representativo) Dick Cheney uma das figuras mais poderosas na era Bush Jr.
[5] O próprio Trump ressaltou muitas vezes e com orgulho como o petróleo sírio estava totalmente à disposição dos Estados Unidos. Ver Trump: Abbiamo il petrolio siriano e ci facciamo quello che ci pare, www.sputniknews.com. É um dado factual que o petróleo sírio, ao arrepio de todas as normas do direito internacional, está sendo contrabandeado (via Turquia) para Israel. Cfr. Arab paper reveals Syrian Kurds oil privilege to Israeli businessman, www.farsnews.com.
[6] Cfr. Trump may have bombed Yemen more than all previous US presidents combined, new report finds, www.businessinsider.com, e Record 7.423 US bombs dropped in Afghanistan in 2019. Report, www.aljazeera.com.
[7] O ter apoiado os regimes sancionatórios unilaterais impostos pelos EUA determinou também uma grave perda econômica para a Europa.
[8] Ver o capítulo dedicado à Síria na obra “Dalla geografia sacra alla geopolitica” (Cinabro Edizioni 2020).
[9] Ver Atlante delle milizie cristiane in Siria, www.eurasia-rivista.com.
[10] Aymen Jawad al-Tamimi, Usud al-Cherubin: a pro-Assad Christian Militia, www.joshualandis.com.
[11] Ibidem.
[12] M. ‘Aflaq, La resurrezione degli Arabi, Edizioni all’insegna del Veltro, p. 14.
[13] Ibidem. Sobre isso é interessante recordar que o laicismo que usualmente é atribuído à República Árabe da Síria, na verdade, é algo muito diferente do modo em que a laicidade é entendida no Ocidente: de fato, como recusa do sentimento religioso. O laicismo sírio é a aceitação do sentimento religioso em todas as suas formas, mantendo ainda invariável o elo indissolúvel entre a espiritualidade árabe e o Islã. “O elo entre Islã e arabismo – escrevia ‘Aflaq em 1943 – não é comparável àquele entre qualquer outra religião e o sentimento nacional”.
[14] Mike Pompeo: Qassem Soleimani is causing trouble in Iraq and Syria…we need to raise the cost for his organization and him personally, www.thenationalnews.com.
[15] A isto se acrescenta também o fato de que, conforme declarações recentes de Seyyed Hassan Nasrallah, o General Soleimani teve um papel de primeiro plano também na obra de convencimento a favor da intervenção russa na Síria. Intervenção que, além de ter mudado a sorte do conflito, restituiu a Moscou o seu papel de potência global.
[16] Ver O. Yinon, Una strategia per Israele negli anni Ottanta, o artigo apareceu originalmente em hebraico em Kivunim (Direzioni), um “Giornale per il Giudaismo e il Sionismo”, N° 14 Inverno, 5742, fevereiro 1982 Editor: Yoram Beck. Uma réplica do Plano Yinon em referência ao Irã apareceu em 2014 no sítio sionista www.mida.org.il com o título How to hurt Iran without airstrikes. O autor faz referência expressa à exploração do regime sancionatório ocidental como instrumento para exasperar as empobrecidas minorias étnicas presentes no solo iraniano e levâ-las a ações de sabotagem contra o governo central ou, de fato, ao separatismo aberto. Particularmente, se faz referência às minorias curdas e azeris, tal como ao grupo terrorista dos Mijahideen-e Khalq que (provavelmente) operou em combinação com o Mossad para o assassinato do cientista nuclear Mohsen Fakhrizadeh.
[17] Operação, para honrar a verdade, bem sucedida pelo menos no que concerne a comunidade cristã palestina da qual, também com a cumplicidade de hierarcas eclesiásticos mais propensos a adorar o dinheiro do que a defender os próprios fiéis, se buscou cancelar até mesmo a memória histórica. Estratégia à qual o sionismo recorreu frequentemente. No curso da operação “Paz na Galiléia”, por exemplo, os militares sionistas saquearam o Centro de Pesquisas Palestinas de Beirute roubando e destruindo mais de 25 mil volumes e manuscritos com o objetivo preciso de eliminar todo e qualquer sinal da identidade e da história palestinas.
[18] É bom recordar também que o assassinato do General Soleimani e de Abu Mahdi al-Muhandis (líder do Kataib Hezbollah), como demonstrado pelos resultados das investigações iranianas, parece ser o resultado de uma operação que os EUA conduziram com a cumplicidade de outros países da OTAN como Reino Unido e Alemanha.
[19] R. Khomeini, Il governo islamico. O l’autorità spirituale del giureconsulto, Il Cerchio, Rimini 2007, p. 122.

Fonte: Eurasia Rivista

Daniele Perra

Formado em Ciência Política pela Università DI Cagliari, é colaborador da Rivista Eurasia.

Deixe uma resposta