O que foi o Populismo na Era Vargas?

Acusações de populismo contra Vargas fazem parte do repertório comum tanto a liberais como a esquerdistas uspianos. Mas em que consistia, concretamente, esse populismo de Vargas? De que forma ele se justificava e por que ele era necessário? Abordamos isso aqui.

O que era o populismo: a participação das massas civis na vida pública sob uma forte direção propagandística do governo, com diversos objetivos, manutenção da governabilidade, governança, crédito político, capilaridade eleitoral, isto é ruim? Não, é uma oportunidade de participação direta, formação de conselhos populares, popularização do debate público. Os liberais que usam pejorativamente este termo, apontam para uma insalubridade do povo na vida cívica, nada cheira tão mal e elitista quanto isso.

A redemocratização formal do Brasil, pós-Estado Novo, cuja primeira eleição deu ao cargo de presidente Eurico Gaspar Dutra, ex-Ministro da Guerra, elegendo-se por meio do PSD, partido do centro democrático, tinha forte capilaridade na região interiorana do país e então apoiado pelo PTB, partido trabalhista, com cortes da Doutrina Social da Igreja, com forte capilaridade entre o proletariado urbano-industrial.

A nova carta constitucional de 1946, com princípios liberais e democráticos, cumpre o seu espírito liberal, expressando a sua aversão durante os anos Gaspar Dutra. O terror dos sindicatos e da organização coletiva laboral, em 1947, Dutra promove a intervenção em mais de 100 sindicatos. Fecha a Conferência Geral dos Trabalhadores (CGT), sob o argumento de que operários organizados traziam agitação coletiva, algo essencialmente ruim para a sociabilidade liberal, que prezava um espírito contratualista, do homem livre kantiano, o senhor não gostou do seu trabalho e das regras laborais? Não seja por isso, demita-se e arrume um novo emprego.

O PCB, Partido Comunista Brasileiro foi posto na ilegalidade e seus mandatos suspensos, o problema parecia ser nominal, com nome e sobrenome, Getúlio Vargas. A elite paulista cafeeira dizia “odiamos Getúlio”, pretendendo falar em nome do povo, mas não é que o odiado voltou eleito em 1950?

A eleição de Vargas confirmava já o queremismo, movimento que solicitava a continuidade do governo getulista no pós-guerra. Ele voltava nos braços do país, na contradição entre uma elite estadual e o povo disperso nacionalmente em todo o território, Getúlio foi a síntese desse embate.

“Retomando a política que adotara durante a ditadura, Vargas apóia-se no populismo e na propaganda interna para conquistar adesão a seu projeto nacionalista.” (Lerche e Farias, p.106, 2007).

Aqui faço citação a Sofia Lerche e Isabel Maria Sabino de Farias, que identificam a política propagandística. O que penso a respeito? Certamente o populismo não é ruim. A democracia, regime no qual Getúlio Vargas estava inserido naquele contexto era um regime de conquista e não de concessões. Convencer as massas faz parte do espírito cívico de uma República democrática.

Guilherme Melo

24 anos, professor de Sociologia, formado pela Universidade de Pernambuco, graduado em ciências sociais; graduando em licenciatura em Geografia na Universidade Federal de Pernambuco; fluente em alemão, realiza sua pesquisa a respeito dos “BRICS” e o pensamento política de Maquiavel por meio do Núcleo de Pesquisa de Ciências Sociais da UPE.

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