Jünger e a Inviolabilidade do Lar

Seguem abaixo parágrafos atualíssimos e de extrema pertinência do escritor Ernst Jünger, segundo o qual o espírito livre deve ter a preeminência sobre a Constituição para que seja possível defender o lar. 

O debate atual sobre o direito de ter armas para defesa do lar – que não sei se é de fato debate ou apenas ruído – fez com que me lembrasse de alguns parágrafos de Ernst Jünger que, anos atrás, Antonio Escohotado destacou em um de seus livros:

“Na antiga Islândia, por exemplo, um ataque à inviolabilidade do lar teria sido impossível da maneira como ocorreu, como mera medida administrativa, em Berlim, em 1933, no meio de uma população de milhões de almas. Merece ser citado, como exceção honrosa, o caso de um jovem social-democrata que matou uma dúzia dos chamados “policiais auxiliares” a tiros no corredor de seu apartamento. Aquele homem continuou participando de uma liberdade substancial, da antiga liberdade germânica que seus adversários exaltavam em teoria. Naturalmente, o jovem mencionado não havia aprendido isso no programa de seu partido […].

“Supondo que fosse possível ter um desses casos em cada uma das ruas de Berlim, apenas um, as coisas teriam ocorrido de outra maneira. Longos períodos de calma favorecem certas ilusões de ótica. Uma delas é a suposição de que a inviolabilidade do lar se baseia na Constituição, que ela é garantida pela Constituição. Na realidade, a inviolabilidade do lar é baseada no pai da família que aparece na porta da casa, acompanhado pelos filhos, segurando um machado na mão.”

Fonte: https://abcblogs.abc.es/hughes/actualidad/junger-y-la-inviolabilidad-del-domicilio_amp.html 

Deixe uma resposta