Por que Bolsonaro demora tanto a cair?

Como Brizola explicou, o drama político-partidário da Nova República não passa de uma guerra perene entre o Demônio e o Coisa-Ruim, na qual o inferno ganha sempre.

A QUARESMA E O DRAMA POLÍTICO DA NOVA REPÚBLICA, ou: por que Bozó demora tanto a cair?

Se alguém quiser saber o que significa de fato o liberalismo no campo político-partidário basta olhar para a Maligna Trindade formada por Jair Bozó, Rodrigo Maia e Paulo Guedes, e para seus principais inimigos no campo político-partidário.

Eles se odeiam, se sabotam, mas ao mesmo tempo não podem viver na ausência uns dos outros. Se um deles cai, os demais não sabem como atuar, o que realizar.

Caricatura diabólica da Santíssima Trindade, a Tríade Maligna que citei é um só pensamento e vontade: fazer do Brasil um país liberal, demolindo a Era Vargas ou qualquer projeto similar.

Mas seus principais adversários também, ainda que tentem esconder o rabo pontudo!

Por isso falam tanto de “combater o fascismo”: para esconder de todo mundo que, apesar de se oporem ao Ternário Maligno (Bozó, Maia e Guedes), estão todos na mesma pericorese liberal.

Me apropriando da frase de Leonel Brizola, são liberais se acotovelando pra mostrar quem é mais liberal do que o outro e pra realizar o plano de seu pai maior, o Liberalismo.

É como se o liberalismo fosse a verdadeira ousia de todas essas personas, sendo elas da Maligna Trindade ou anjos que lutam para retornar para os céus dos quais foram desalojados.

Nesse confronto apocalíptico que se desenvolve no campo político-partidário brasileiro, a Divindade Liberal reúne seus exércitos para combater os diabinhos liberais que se acham muito rebeldes só poque imitam a Califórnia em vez do Texas.

A dependência do liberalismo é tão grande que o satanás da história, rebelde que gostaria de tomar o lugar da Maligna Trindade, prefere deixar o inimigo vivo do que se aventurar a abalar o edifício liberal em que respira.

Mas como derribar o inimigo e ao mesmo tempo manter o ambiente que o nutre e vivifica?

Não há como: a briga se torna apenas um jogo de espelhos, em que a Maligna Trindade liberal de hoje é substituída pelo satanás liberal que será a Maligna Trindade de amanhã.

É claro que eu inverti o final da história apocalíptica, já que o drama político-partidário da Nova República não passa de uma guerra perene entre o demônio e o coisa ruim, na qual o inferno ganha sempre.

Como também explicou Leonel Brizola.

André Luiz

Historiador, mestrando em História pela UFRJ, cristão ortodoxo e membro da NR-RJ.
 

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