Coronavírus: Governo Bolsonaro recusa proteger o próprio país

Brasileiros começaram a morrer por causa da epidemia de coronavírus. Não vão morrer só um ou dois, mas dezenas, possivelmente centenas ou mais. Ainda que não venham a óbito, muitos ficarão com danos permanentes por terem contraído a doença.

Os efeitos na economia serão catastróficos e vão se abater principalmente sobre os mais frágeis: os que se encontram em extrema pobreza; os que dependem de trabalho informal ou precarizado; os atravessam as metrópoles para bater ponto e enfrentam transportes públicos – os que vivem nas ruas ou em ambientes com péssimas condições sanitárias; os pequenos comerciantes e negócios de bairros; as favelas; etc.

É hora de lembrar que o governo federal não está nem aí para isso. Está usando o momento para chantagear o Congresso e exigir a venda da Eletrobrás. Nem os entreguistas que são favoráveis ao descalabro de vender a Eletrobrás consideram o momento propício, já que, por causa, da crise a companhia perdeu mais de metade de seu valor na bolsa.

O governo se recusa a injetar dinheiro na economia. Os anúncios de ontem não passavam de alongamento de prazo para pagamento de tributos e antecipações de pensões e benefícios, ou seja, não representam aumento de gastos e, logo, não são suficientes para que o Estado cumpra seu papel de conduzir e sustentar a economia nesse momento de emergência.

Se não vai fazer nada para apoiar a economia e manter empregos, o Reino dos Bozós tampouco está preocupado com os efeitos sociais da crise. Antecipar o décimo terceiro de empregados formais é louvável, mas não alcança mais de 40% da mão de obra, que se encontra na informalidade e são, em geral, os que mais sofrem riscos diante de medidas de isolamento social ou de doenças altamente contagiosas. Paulo Guedes correu para ajudar bancos e companhias aéreas, mas nada anunciou para os que serão mais afetados: os médios e pequenos empresários, as micro-empreendedores e os pequenos negociantes.

Do ponto de vista humano, os governantes atuais se caracterizam pela completa ausência de empatia com a população brasileira. Não houve anúncio sobre investimentos pesados da União em Unidades de Tratamento Intensivo ou novos e imediatos gastos na saúde. Na Espanha, o governo encampou provisoriamente toda a rede privada de saúde. A Europa e a maior parte da América Latina fechou as fronteiras. Nada similar, nenhum movimento nessa direção é feito pelo Reino dos Bozós (muito pelo contrário). A maior parte das ações efetivas vem dos estados e municípios.

O Super-Ministro da Economia declarou que os trabalhadores devem continuar sua vida normalmente, sem se importar se eles serão contaminados. O Presidente da República, um mentecapto psicótico, convoca manifestações em massa e recebe bençãos de pastores como Edir Macedo, que espalha em igrejas que o coronavírus é só uma gripe e que não vai causar dano algum. O Ministro da Saúde, sem coragem de enfrentar o chefe debiloide, declara que o ”isolamento não é pra todo mundo”.

Guedes chega a minimizar as mortes: ”matou só cinco mil na China, não é muito”. Para ele, a morte e o sofrimento de brasileiros é tão somente um número cujo significado está no balanço de empresa – única coisa que lhe importa de fato.

O Reino dos Bozós é anti-humano, anti-brasileiro, anti-popular, anti-patriótico. É um governo de psicopatas perigosos, cujo único fim é destruir o Brasil em todos os níveis: querem nos anular no cenário internacional, nos tornando sombras patéticas manipuladas pelos ianques; destruir nossa economia, entregando tudo o que temos e produzimos nas mãos de rentistas; fazer terra arrasada de nossas identidades, transformando o país em cópia política do Texas; restabelecer e reproduzir um sistema escravocrata a partir da demolição de nossos direitos sociais; solapar o Estado de modo que fiquemos nãos mãos de meia dúzia de grandes famílias burguesas; e, por fim, eliminar fisicamente os brasileiros, principalmente os mais pobres e vulneráveis, com ação de milícias em bairros populares, ausência de qualquer sistema de saúde universal, restrição dos empregos qualificados, e omissão diante da disseminação de doenças.

O atual [des]governo é inimigo radical da Pátria.

André Luiz

Historiador, mestrando em História pela UFRJ, cristão ortodoxo e membro da NR-RJ.
 

Deixe uma resposta