O DEVER PATRIÓTICO dos Trabalhadores da Educação Mineira

Os Trabalhadores da Educação Mineira se preparam para mais uma paralisação neste dia 12 de setembro, que não é a primeira deste ano de 2019, nem será a última do desgoverno Romeu Zema. Sob os olhares críticos de uma sociedade que não consegue olhar o velho travestido de NOVO, os professores, ASBs e ATBs irão marchar pelas ruas da capital mineira, exigindo o mínimo de respeito do poder público, que lhes nega, entre outras coisas, o piso salarial disposto na Lei.

Tem sido difícil a vida dos Trabalhadores da Educação Mineira: todo início de ano, a grande massa de designados se encaminha para tentar manter seus empregos – devido às parcas nomeações que o Estado tem feito. São as Reuniões de Designação, onde companheiros de trabalho olham com desconfiança para pastas e envelopes que concorrentes trazem consigo. Quem escreve é um Professor Designado, e este afirma que o conselho que ele ouviu desde sua primeira designação em 2014 é que “Na designação, não existem amigos – todos estão pelos seus interesses”. O clima de desesperança e rivalidade é patente: competem os profissionais por tempo de serviço, classificação em concurso, inscrição para nomeação em outra cidade, etc., etc., ad nauseam. Quando a ata vem a ser assinada, muitas vezes os olhares da sala evitam se cruzar. É isso que defendem aqueles que querem menos concursos e nomeações: o constrangimento desde antes do primeiro dia de trabalho. Mas o trabalho também se revela pouco fácil depois que se começa…

Se o profissional se encarrega da nobre arte de ensinar, a pressão cai-lhe logo na primeira semana: “O seu DED está em dia?”, perguntam especialistas em educação e diretores pressionados pelas Superintendências Regionais de Ensino, que por sua vez são exaustivamente cobradas pela Secretaria de Estado da Educação. O DED, Diário Escolar Digital, argumento para fechamento de salas, para afastamento de professores, para demissão de Auxiliares de Serviços Básicos, cuja quantidade é proporcional ao número de salas em funcionamento, simplesmente coloca números acima do pedagógico, faz da estatística um deus e torna a função do professor, primariamente, a de arquivista, dos antigos perfuradores de cartões, dos administradores de dados. Ai do professor que não traga seu DED em dia! Ai do Diretor que não traga os da sua escola atualizados! Ai dos Superintendentes que sejam relutantes ao assédio moral da cobrança absurda sobre um sistema inútil, que não funciona, que tem incontáveis debilidades! Uma cascata de Assédio Moral, o DED não tem outra função, a ponto de se tornar até mesmo figurinha de WhatsApp, onde o próprio Romeu Zema aparece a cobrar a pontualidade. Será que Sua Excelência já tentou preencher o DED em época de fechamento de bimestre? Ou até mesmo em época normal? Perdem-se horas tamanhas, em que o digital parece menos útil que o velho e bom Diário de Classe, de papel, preenchido a caneta, com taletas destacáveis, que acompanhou gerações e gerações de mestres dedicados, que não ensinavam menos por não usarem a tecnologia.

O descaso da educação de Romeu Zema chega à sociedade. O ensino integral prometido pela sua palavra é uma farsa! Cidades e regiões inteiras não têm sequer uma escola com o período integral de educação. As vagas serão cada vez mais diminuídas, salas estão sendo fechadas em todo Estado, empaçocando os estudantes em salas lotadas, onde sequer o professor consegue transitar para fiscalizar uma prova, onde o ar se vicia, o calor atormenta e o barulho cessa qualquer possibilidade pedagógica. Possibilidade pedagógica? O importante é o DED em dia, professor!

Mineiros, acordem! Salas fechadas são menos empregos, e estes empregos são motores de economias de muitas pequenas cidades, e municípios Minas Gerais tem muitos! O Estado tem 15,5% dos municípios brasileiros, economias regionalizadas onde o emprego público se faz muitíssimo necessário. O atentado contra o funcionalismo público da educação mineira chegará aos postos de gasolina, mercados, à agricultura familiar, aos tabelionatos, empregadas domésticas e pequenos comércios, como bares e lanchonetes. O que nós, Trabalhadores da Educação Mineira, exigimos é o mínimo, são direitos fundamentais, que todos os homens e mulheres devem perseguir em suas carreiras: piso salarial, pagamento de direitos como o ADVEB, defesa das nomeações (que foram menos de mil este ano), fim do “pingamento” – o pagamento em parcelas –, do assédio moral pelo DED e a garantia de um décimo terceiro salário pago integralmente e de forma digna, não em parcelas que arrastar-se-ão pelo ano de 2020.

Nós sabemos que os Trabalhadores da Educação Mineira estão calejados de greve. O ano de 2019 teve inúmeras reposições, algumas escolas não tiveram folgas em quase nenhum sábado do segundo semestre, em favor dos 200 dias letivos a que os alunos têm direito. Mas o sábado reposto vale a pena. Vale muito mais apena do que o desemprego do amigo secretário, do irmão servente, do professor que é obrigado a largas as aulas. O sacrifício é a maior das fórmulas do sucesso, não aquele que aliena e dói somente no mais fraco, mas aquele que é feito em conjunto, por um fim definido, digno e maior! O Trabalhador da Educação Mineira tem suas leis de proteção rasgadas sob as gargalhadas do projeto neoliberal de Romeu Zema, o governador que se nega a pagar o mínimo que a lei nos oferece. Será que esta luta é indigna? O amor da profissão do professor não é somente deitado ao giz e aos alunos, mas é sobretudo deitado à Consciência. Todo professor quer gerar consciência aos seus educandos. Tenhamos consciência agora! A paralisação de 12 de Setembro de 2019 é um dever patriótico pela dignidade do Trabalhador da Educação de Minas Gerais! Quem não aderir a essa paralisação, tenha plena certeza de que estará aceitando o posto de burro de carga do depósito de crianças. O Trabalhador que quer respeito, se faça respeitar, nem que seja na força de sua classe. A Educação é forte, não à toa é a base da mudança social. Como a Escola deve ensinar o patriotismo, senão buscando o mais patriótico dever, que é o da luta?

Trabalhadores da Educação, estejam presentes, ativos e militantes!

Todo apoio às nobres causas das Escolas Mineiras!

Liberdade! Justiça! Revolução!

Rogério Saraiva Jr

Professor de História e ativista da NR-MG

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