40 anos da Revolução Sandinista. A Nicarágua socialista, cristã e solidária do século XXI

Fonte: http://www.amoreeliberta.blogspot.it/
Por Luca Bagatin

19 de julho de 1979, fim da ditadura sanguinária do liberal-conservador Anastasio Somoza Garcia, sustentado pelos EUA, e vitória da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN). O fim de um pesadelo para a Nicarágua e o início de uma nova era de desenvolvimento e nacionalizações das propriedades estrangeiras.

O sandinismo, como o peronismo argentino, foi uma corrente do socialismo, a qual favoreceu a participação dos trabalhadores na economia nacional, permitindo que ela recobre um novo élan vital.

Ele se inspirava no revolucionário nicaraguense Augusto Cesar Sandino (1895-1934), maçom e teósofo, capaz de conjugar valores espirituais teosóficos (dedicados à pobreza absoluta e ao sacrifício) e socialismo. Sandino foi um tipo de Giuseppe Garibaldi nicaraguense, o primeiro que, em 1927, se rebelou contra a ocupação estadunidense da Nicarágua, sob a presidência de Franklin Delano Roosevelt, infligindo diversas derrotas aos EUA e aos seus fuzileiros navais, ainda que sem conseguir libertar o país.

A ideologia sandinista foi recuperada em 1962 pelo dirigente do FSLN Carlo Fonseca Amador (1936-1976), opositor daquele ditador Somoza que foi o homem de confiança de Roosevelt na Nicarágua e pelo próprio Roosevelt considerado “o nosso filho da puta”. Aquele Somoza que, em 1934, mandou assassinar Sandino, dando vida a uma longa ditadura, que durou de 1936 a 1979.

A plataforma do sandinismo, isto é, do FSLN, estava dedicada à luta armada contra a ditadura sustentada pelo imperialismo estadunidense e, portanto, à libertação do país da opressão e à instauração do socialismo não-materialista em um contexto capitalista.

Foi apenas em julho de 1979 que os sandinistas, guiados, entre outros, por um jovem Daniel Ortega e apoiados a partir do exterior por Cuba, pelo México, pelos países do Pacto de Varsóvia e pela Líbia socialista de Gaddafi, derrotaram e puseram para correr Somoza, dando vida a um governo provisório, capaz de conjugar valores democráticos, espirituais, teosóficos, cristãos, marxistas e socialistas.

50 mil foram os mortos nicaraguenses no conflito. 120 mil os refugados nos países vizinhos.

O novo governo sandinista teve sucesso em melhorar a sorte do país e em garantir aqueles direitos humanos anteriormente negados, recebendo o apoio até mesmo de parte da Igreja Católica (aquela que se tornará a corrente denominada “Igreja dos Pobres” e pela assim chamada “Teologia da Libertação”). Consideremos que até mesmo alguns padres foram nomeados para cargos de ministro do novo governo sandinista.

Entre as primeiras reformas, a abolição da pena de morte; a introdução do Estatuto dos direitos e garantias dos nicaraguenses; foi consagrada a igualdade de todos os cidadãos, a liberdade religiosa e de consciência e de organização política. No plano econômico, foram confiscados os bens da família do ditador Somoza e de seus cúmplices; foi nacionalizado o sistema de comércio com o exterior e o financeiro; foi consagrado o controle estatal sobre os recursos naturais; foram reduzidos os alugueis, criado um fundo contra o desemprego e introduzida uma reforma agrária, com a redistribuição das terras aos camponeses.

No plano da educação, foi declarada gratuita a educação universitária e o processo de alfabetização levou a uma redução do analfabetismo de 50% a 12%.

Em 1983, a Nicarágua foi declarada, pela OMS, um país modelo no âmbito da saúde.

No curso dos anos 80, os EUA de Reagan voltaram a interferir na política da Nicarágua, financiando os Contras, ou seja, os grupos armados contrarrevolucionários, os quais realizaram diversos ataques contra hospitais, igrejas, fábricas e massacrando a a população civil. Tal situação acabou apenas em 1988, com a declaração do “cessar-fogo” entre Contras e o governo sandinista.

Apenas em 1990, o FSLN é derrotado nas eleições e sofre um revés, chegando ao poder a liberal-conservadora Violeta Chamorro, apoiada pelos EUA, a qual deu início a reformas liberais que resultaram no aumento das desigualdades.

Foi apenas em 2006, guiados por Daniel Ortega, o qual era também um grande amigo do presidente do Partido Socialista Italiano Bettino Craxi, que muito apoiou a causa sandinista, que os sandinistas retomaram o comando do país e derrotaram definitivamente os liberais.

Ainda hoje o governo – após quatro mandatos consecutivos – é guiado pelo FSLN de Ortega e sua mulher Rosario Murillo, sua vice-presidente, os quais desfrutam de um consenso de mais de 70% dos votos.

A Nicarágua mantém, na política externa, ótimas relações com todos os países latino-americanos e com as correntes do Socialismo do Século XXI; na política interna fez cair a taxa de pobreza de 42,5% a 30% entre 2009 e 2014 e passou – entre 2007 e 2016 – de 25% para 52% o uso de energias renováveis.

O órgão oficial do sandinismo é “La Voz del Sandinismo” o qual pode ser lido no seguinte link: http://www.lavozdelsandinismo.com/

A Revolução Sandinista – cujo lema é hoje “Nicarágua: Cristã, Socialista e Solidária” – tendo custado muitos sacrifícios e vidas humanas, por isso mesmo, 40 anos depois, está mais viva do que nunca e ainda tem muito de ensinar a este mundo globalizado onde tudo está à venda e os valores humanos e socialistas, em vários lugares do planeta, estão há muito perdidos.

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