Quanto mais capitalismo menos livre é o mercado

Liberais defendem algum tipo de associação intrínseca entre a ideia de capitalismo e de um “mercado livre”. Mais do que isso, eles definem essa liberdade de mercado precisamente como sendo fundamentalmente a ausência de regulação e intervenção estatal.

Essa conceituação carece de substância. Quão livre é um mercado no qual há apenas uma megacorporação monopolista? Ou um no qual há um oligopólio de corporações em relação de “compadrio”. Em todos os setores da economia, a cada ano se anunciam diversas fusões.

Em 2019, um pequeno punhado de megacorporações internacionais será responsável por nos fornecer quase tudo que consumimos, tanto em bens industriais como em serviços.

Isso só foi possível de acontecer sob o capitalismo e sua mitologia da “concorrência sem intervenção estatal”. Em um cenário no qual a disparidade de força entre os agentes econômicos é imensa, a “livre competição” serve apenas para enfraquecer ainda mais os mais fracos, e fortalecer os que já são fortes.

Liberais, irracionalmente, colocam a culpa nas agências reguladoras e outras instituições análogas que estabelecem critérios mínimos para o ingresso de novos agentes em determinados setores. Na fantasia liberal, por exemplo, não deveria haver nenhum tipo de fiscalização estatal na indústria alimentícia, e quem sabe assim o seu oligopólio poderia ser quebrado.

Obviamente, isso não passa de fantasia sem qualquer tipo de fundamentação empírica. A verdade é que uma arena econômica só pode ser livre sob a tutela e orientação de um Estado forte o suficiente para quebrar monopólios privados, desintegrar oligopólios, distribuir os meios de produção de forma razoavelmente equitativa e impedir que agentes privados sobreponham seus interesses egoístas ao bem-comum e ao destino da coletividade.

É tão somente nas antípodas do capitalismo que poderemos, eventualmente, encontrar uma maior liberdade de mercado.

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