Marcelo Gullo no Rio de Janeiro

A NR-RJ participou, no dia 22 de novembro, de um excelente evento organizado pela Frente Nacional Trabalhista (FNT), no qual palestrou o professor Marcelo Gullo, intelectual dissidente e patriota argentino.

A fala do prof. Gullo focou em dois conceitos fundamentais: Insubordinação Fundadora e Umbral de Poder.

A Insubordinação Fundadora seria o processo de libertação empreendido por um Estado com o fim de alcançar uma soberania autêntica. Essa insubordinação deve envolver aspectos espirituais, intelectuais, ideológicos, geopolíticos, econômicos, etc., para que seja efetivamente completa. Este processo envolveria uma “descolonização” ideológica, e no âmbito material, demandaria a aplicação racional e inteligente das ferramentas do protecionismo e do impulso estatal. Foi por processos de Insubordinação que países como Inglaterra, EUA, Alemanha, Japão, Rússia passaram de países dependentes a países independentes.

Enquanto isso, os Umbrais de Poder seriam os patamares a serem alcançados para que um Estado possa ser efetivamente páreo para as potências mundiais. Historicamente, esses patamares sempre mudam. Já foi a unificação enquanto Estado-Nação, depois a industralização, então a construção de um Estado Continental, depois a bomba atômica, e no futuro pode haver outros patamares. O professor Gullo ressaltou que, em todas as vezes em que os países da América Latina tentaram empreender processos de Insubordinação, foram impedidos por forças estrangeiras, especialmente as do imperialismo anglossaxão. Os exemplos paradigmáticos são os de Perón e Vargas. Ambos haviam percebido, por isso, que a única solução possível para esse problema seria a unidade dos povos da América do Sul. Vargas, Perón e outros líderes da época, como Ibañez do Chile e Haya de la Torre do Peru, previram que apenas a unidade dos povos sulamericanos poderia garantir que estes povos pusessem em prática seus projetos de Insubordinação. Separados, cada um seria derrubado, um de cada vez.

Fazemos das palavras do prof. Gullo as nossas. A América do Sul precisava construir uma unidade, ou permanecerá perpetuamente escravizada e subordinada por forças estrangeiras.

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