Dugin — ‘É necessário criar uma frente anti-Bolsonaro’

Em uma rede social, o filósofo e cientista político russo, Aleksandr Dugin, principal teórico contemporâneo da Escola Eurasiana de Geopolítica, emitiu sua opinião sobre as eleições brasileiras de 2018. 

O professor Aleksandr Dugin, um dos pensadores mais influentes do mundo na atualidade, importante figura no seio dos movimentos antiglobalistas, se pronunciou sobre a vitória de Jair Bolsonaro, no dia de hoje, em sua conta no Facebook, por meio de duas notas, destacando o papel nefasto da influência intelectual que o escritor neoconservador Olavo de Carvalho exerce sobre a política brasileira e apontando para a necessidade da constituição de uma frente de oposição a Bolsonaro. 

Inicialmente, tendo em mente precisamente um conceito de “esquerda” distinto da esquerda ocidentalizada dominante, Dugin sugere que o vetor da oposição, no Brasil, se encontra ao lado da esquerda brasileira:

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=2199141423429219&id=100000001479276

Após minha polêmica com Olavo de Carvalho e, hoje, com a vitória do ultraliberal-autoritário Bolsonaro, adquiri uma forte certeza de que, no Brasil, eu apoio a esquerda. “Apesar de você…”

Não obstante, percebendo que sua fala poderia ser erroneamente interpretada como que constituindo uma apologia das forças liberal-esquerdistas (das quais ele é um dos principais inimigos intelectuais no Hemisfério Norte), algumas horas depois, Dugin acrescentou uma elaboração mais desenvolvida de sua posição. Nela, ele aponta para a necessidade de uma união entre esquerda e direita autênticas, ou ainda, para a necessidade de uma frente populista unificada, transcendendo os conceitos de direita e esquerda, idealmente construída, de acordo com ele, sobre o projeto de uma Quarta Teoria Política. Mas isso, porém, ainda não é possível. A eleição de Bolsonaro (“o pior da direita”) só foi possível como reação contra o “pior da esquerda” , e essa oposição expressa um elevado grau de adoecimento da sociedade brasileira.

Alguns dos meus amigos brasileiros ficaram um pouco incomodados com minha declaração a favor da esquerda brasileira. Talvez eu tenha formulado minha posição de uma maneira genérica demais. Sendo um tradicionalista, sou favorável à esquerda antiliberal e antiglobalista, que luta por justiça social e pela libertação da América Latina da dominação americana. Eu realmente odeio ditadores liberais pró-americanos – marionetes do capitalismo. Assim, não tenho qualquer simpatia por Bolsonaro, haja visto que ele se enquadra exatamente nesse perfil. Mas isso não quer dizer que eu apóie a “esquerda” liberal financiada por Soros, com sua agenda sacrílega, anti-religiosa e voltada para questões de gênero. Tudo isso, na verdade, nos mostra a forte necessidade de irmos além da direita e da esquerda o mais rápido possível. Se Trump é pragmaticamente “bom” de alguma maneira (ele fratura o establishment americano e o enfraquece), Bolsonaro é absolutamente ruim em todos os sentidos. Ele representa a alienação total. Uma frente anti-Bolsonaro deve começar hoje, e é da maior importância lutar contra ele unindo a esquerda e a direita autênticas, ou melhor ainda, uma oposição populista unida, para além de direita ou esquerda. A Quarta Teoria Política seria a melhor solução, mas se a sociedade escolheu uma pessoa como Bolsonaro, é sinal de que ela está adoecida demais para avançar na direção da Quarta Via. Bolsonaro é o que há de pior na direita: e ele só é possível como protesto contra o que há de pior na esquerda. Precisamos nos unir em torno de outro eixo. 

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Leia também a Nota Oficial da Nova Resistência sobre as Eleições 2018

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