Crise ucraniana | Igreja Ortodoxa Russa rompe com Patriarcado de Constantinopla. Entenda:

A crise ucraniana acaba de alcançar a última fronteira de suas tensões, rompendo as barreiras da temporalidade. No dia de ontem, o Patriarcado de Moscou anunciou o rompimento completo de relações com o Patriarcado Ecumênico (Constantinopla), em virtude da tentativa deste de conceder autocefalia ao “Patriarcado de Kiev”, na esteira da criação de uma igreja nacional ucraniana que atenda aos ditames do regime golpista de Kiev.

Reunião do Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Russa, realizada em 15 de outubro de 2018, em Minsk. Patriarchia.ru/Tsargrad TV

A última fronteira: crise ucraniana alcança dimensões espirituais

A crise ucraniana acaba de alcançar a última fronteira de suas tensões, para além dos cenários interno e externo, rompendo as barreiras da temporalidade. Se antes alguém ainda duvidava do poder do liberalismo em estruturar um regime de perseguição religiosa análogo àquele consagrado pelo comunismo, agora já estamos diante de evidências materiais desta possibilidade.

No dia de ontem, após a reunião do Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Russa em Minsk, Belarus, o Patriarcado de Moscou anunciou o rompimento completo de relações com o Patriarcado Ecumênico (Constantinopla), quebrando a Comunhão Eucarística, proibindo fiéis leigos e clérigos da Igreja Russa de congregar e comungar com o Patriarcado Ecumênico. A decisão consolida um aviso prévio emitido por Sua Santidade Cirilo, Patriarca de Moscou e todas as Rússias, que já havia notificado a todo o mundo ortodoxo que, caso o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I – ANAXIOS! ANAXIOS! ANAXIOS! – não demonstrasse arrependimento de sua tentativa anti-canônica e herética em conceder autocefalia aos cismáticos ucranianos do falso “Patriarcado de Kiev”, sob o jugo de Filareto.

Para maiores esclarecimentos, tracemos uma breve linha do tempo:

1992 – 1995: Após uma série de tensões no começo da década de 1990, motivadas por questões tanto canônicas quanto seculares, agravadas com as bruscas mudanças decorrentes do desmantelamento da União Soviética, surge um cisma de dentro da Igreja Ortodoxa Ucraniana (Patriarcado de Moscou), cujo estopim fora o fracasso do Metropolita Filareto em se tornar primaz da Igreja Ucraniana, que ambicionava a autocefalia (independência em relação à Igreja Ortodoxa Russa).

Em 1993 é formado o “Patriarcado de Kiev”, assumindo Filareto sua primazia dois anos depois. À época, o cisma recebera o apoio do então presidente ucraniano, Leonid Kravtchuk, bem como do partido de extrema-direita UNA-UNSO, que mais tarde viria a unir-se ao Pravyy Sektor, movimento ultranacionalista e paramilitar com forte atuação no Euromaidan.

1995: A diáspora ucraniana reunida sob a Igreja Ortodoxa Ucraniana dos Estados Unidos entra em Comunhão com o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla.

2013-2014: Uma onda de violentos protestos em Kiev gera a “revolução civil” pró-Ocidente e pró-União Europeia conhecida como Euromaidan, contra o então presidente ucraniano Viktor Yanukovych, que procurava manter relações mais diplomáticas com a Rússia. Petro Poroshenko é então eleito presidente da Ucrânia, iniciando uma guinada reacionária e pró-Ocidente, aumentando as tensões com a Rússia e complicando a situação civil dos russos étnicos em solo ucraniano. Dentre os conflitos decorrentes do Maidan, se destacam as guerras por autonomia travadas pelas Repúblicas Revolucionárias da Bacia do Donbass, região majoritariamente russa étnica e predominantemente ortodoxa (canônica). A perseguição étnica travada pelo governo ucraniano por intermédio de milícias neonazistas deflagra uma terrível onda de derramamento de sangue, que, necessário frisar, fora abençoada por cismáticos do “Patriarcado de Kiev” e sacerdotes uniatas (católico-romanos de rito oriental).

Abril de 2018: Ainda no período pascoal ortodoxo, em abril do presente ano, Petro Poroshenko em visita à Turquia se encontra com o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I. O presidente ucraniano inicia então suas petições ao Patriarca constantinopolitano pela edificação de uma igreja ortodoxa local na Ucrânia, segundo ele, “aclamada pelo povo ucraniano”.

Agosto de 2018: Petro Poroshenko e o Patriarca Bartolomeu I travam longas conversas telefônicas negociando as possibilidades de se estabelecer uma igreja nacional ucraniana, dano início à crise que desembocaria na quebra de relações com o Patriarcado de Moscou.

Setembro de 2018: Iniciando os preparativos para a concessão da autocefalia aos cismáticos ucranianos, Dom Bartolomeu nomeia dois bispos como seus exarcas em Kiev, a saber, Arcebispo Daniel de Pamphilon, dos Estados Unidos, e Bispo Ilarion de Edmonton, do Canadá. Imediatamente, os líderes de todas as Igrejas Ortodoxas Autocéfalas condenam a atitude do indigno Patriarca. Sua Santidade Cirilo, Patriarca de Moscou e todas as Rússias, anuncia que caso Constantinopla não recue em sua atitude irresponsável e herética, romperá a Comunhão Eucarística com o Patriarcado Ecumênico e, de imediato, proíbe a concelebração clerical entre ambas as jurisdições, bem como a comemoração do Patriarca Ecumênico. Dom Bartolomeu permanece irredutível em suas posturas anti-canônicas e afirma “não haver Ortodoxia sem Constantinopla”, transparecendo uma mentalidade herética e alheia à Igreja Ortodoxa.

Outubro de 2018: O Patriarca Ecumênico retira as Anátemas e entra em Comunhão com os cismáticos ucranianos. Dois dias depois, a 15 de Outubro de 2018, o Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Russa, em decisão histórica, rompe a Comunhão com o Patriarcado Ecumênico. O Patriarca João X de Antioquia convoca um Concílio Pan-Ortodoxo para definir as posições das demais jurisdições quanto ao tema.

O que se pode concluir disso tudo? O que está de fato por trás dos recentes episódios na Ucrânia?

A crise ucraniana deve ser analisada desde uma perspectiva ampla, que considere todos os pontos, não de forma isolada, mas transversal, correlacionando os fatos ocorridos nas diversas áreas das relações humanas. É preciso politizar o cisma encabeçado pelo Patriarcado Ecumênico.

Quantos milhões do multibilionário Petro Poroshenko estão envolvidos na trama satânica que compromete a fé de milhões de ortodoxos autênticos dentro e fora da Ucrânia? Em verdade, as ambições pelo advento de uma igreja local autocéfala na Ucrânia são infundamentadas desde uma perspectiva puramente eclesiástica, vez que a subordinação da Igreja Ortodoxa Ucraniana (canônica) ao Patriarcado de Moscou é quase que inteiramente cerimonial e simbólica, havendo ampla autonomia administrativa, satisfazendo a toda e qualquer necessidade espiritual e cultural do povo ucraniano. Porém, o que o Ocidente está a alimentar na Ucrânia é um movimento xenófobo proto-fascista que remonta ao nacionalismo russófobo de Stepan Bandera, líder ultranacionalista ucraniano do Século XX eternizado pelos ideólogos do “Estado Nacional Ucraniano” (uma ideia por si só absurda, ocidental e inorgânica).

O que ainda não mencionamos aqui é que dentro do projeto ucraniano de formação de uma igreja nacional, em acordo com o programa de Estado Nacional ucraniano sob o jugo da Junta golpista de Kiev encabeçada por Petro Poroshenko, está também prevista a nacionalização de tudo o que pertence à Igreja Ortodoxa Russa em solo ucraniano. Na prática, isso quer dizer que catedrais, paróquias, monastérios, seminários e Relíquias de Santos entre outros serão todos apropriados à força pela nova instituição cismática criada por Constantinopla com o apoio de Poroshenko e seus asseclas. O que se sucederá a isso todos sabemos. Fiéis ortodoxos canônicos defenderão até a morte o que lhes pertence e entregarão suas vidas ao martírio. Haverá um banho de sangue na Ucrânia.

Fato é concluso que, como outrora os soviéticos perseguiram e massacraram a Igreja Ortodoxa em solo russo, empurrando-a à clandestinidade e ao martírio de milhares de seus membros, agora o faz a Ucrânia pelo liberalismo ocidental e americanista. Se antes o válido e antigo jargão dizia que o comunismo matava o corpo e o liberalismo vendia a alma, agora já pode ser dito que o liberalismo é também capaz de matar o corpo e de diminuir a Igreja em números mundanos, mas incompetente em impedir o júbilo dos Céus com seus Santos Mártires.

Que a Santíssima Mãe de Deus interceda pelo povo ucraniano e pela Unidade da Igreja, orando a Seu Filho Cristo Nosso Deus para que salve as nossas almas.

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