Contra a Americanização do Mundo: por um Mundo Multipolar!

“Todas as culturas forjadas pelas nações – o nobre passado indígena da América, a brilhante civilização da Europa, a sábia história das nações asiáticas e a riqueza ancestral da África e da Oceania – são corroídas pelo estilo de vida americano. Dessa maneira, o neoliberalismo impõe a destruição das nações e dos grupos de nações para poder reconstruí-las segundo um único modelo. Tal é uma guerra planetária, do pior e mais cruel tipo, travada contra a humanidade”.

— Subcomandante Marcos

A vitória dos EUA sobre a URSS na Guerra Fria representou uma tragédia para o mundo. Do ponto de vista econômico e material, a existência da URSS servia como justificação para que a classe capitalista e os Estados burgueses do Ocidente mantivessem um forte aparato de bem-estar social.

Os anos 50, 60 e 70 foram eras “áureas” do ponto de vista material, em várias partes do Ocidente (especialmente nos países do primeiro mundo), porque, pelo medo de uma Revolução, as elites ocidentais foram obrigadas a suavizar a exploração do trabalhador. Mas o fim da Guerra Fria acabou com isso, tal como podemos constatar empiricamente através da penetração e do crescimento do neoliberalismo ao redor do mundo.

Mas talvez o maior dano causado pelo fim da Guerra Fria (e a conseguinte vitória ocidental) tenha sido no âmbito cultural. Porque a vitória dos EUA (e o estabelecimento da unipolaridade) significou o domínio hegemônico do liberalismo (a Primeira Teoria Política) a nível global, no âmbito filosófico, político e cultural.

Patriotas dos países submetidos (“aliados”) pelos EUA após a Segunda Guerra Mundial já apontavam desde os anos 60 para o fenômeno nefasto e catastrófico da americanização de seus países. Franceses, italianos, alemães e muitos outros começavam a testemunhar em primeira mão como a rica história e cultura de seus países era varrida e substituída pelo American Way of Life. A cerveja e o vinho artesanais substituídos por cerveja barata de milho e Coca-Cola. O teatro e cinema autóctones esmagados por Hollywood.

Hoje, visitar as grandes metrópoles do mundo, um mundo unipolar, liberal e americanizado, é visitar o mesmo lugar. A americanização garantiu a padronização dos modos de vida de todos os povos ao redor do mundo. O desenraizamento é geral, e seus efeitos piores e mais nefastos se expressam principalmente nas metrópoles.

A diluição de fronteiras (imigração em massa) começa até mesmo a padronizar fisicamente a população mundial, com o slogan da “diversidade” sendo usado para destruir a real diversidade dos povos.

A americanização do mundo tem sido uma praga pior para a humanidade do que a peste negra. E a construção de um mundo multipolar, onde cada povo tenha a liberdade de ser ele mesmo, é a única cura possível para essa praga.

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