O Brasil é realmente um “anão diplomático”. Liberdade para Rafael Lusvarghi!

Anos atrás, um representante do governo israelense categorizou o Brasil como “anão diplomático”. Em que pese o fato de que na controvérsia em questão o Brasil estivesse com a razão, não podemos deixar de considerar que há elementos suficientes (de outras ocasiões) que apontam que o Brasil é, de fato, um ANÃO DIPLOMÁTICO.

A última demonstração disso é a atual situação do cidadão brasileiro que foi ao Donbass, no leste da Ucrânia, para combater em prol da liberdade de sua população, se tornando heroi condecorado.

Tendo retornando ao Brasil, sob a égide de acordos de trégua entre as partes envolvidas, Lusvarghi em pouco tempo retornou à vida civil e se preocupou basicamente com encontrar emprego. Procurando emprego, ele recebeu oferta de uma empresa de segurança para trabalhar em um navio que ele só poderia pegar na Ucrânia.

Convencido por seu contato de que estaria sob a proteção da trégua, Lusvarghi foi à Ucrânia e lá foi preso pelo seu governo. Tudo não havia passado de um estratagema dos serviços de inteligência da Ucrânia. Só isso já deveria ter bastado para que o governo brasileiro tomasse interesse ativo pelo assunto. Mas nada.

Estando preso, Lusvarghi foi torturado e ameaçado. Sua família, amigos e camaradas levaram a questão ao Itamaraty. Não obstante, todos sempre receberam mensagens “padrão”, dizendo que a embaixada e o consulado brasileiros estavam acompanhando o caso, que Lusvarghi estava bem e que o próprio Lusvarghi havia recusado ajuda.

Posteriormente, Lusvarghi conseguiu vazar cartas e a realidade dos fatos. Representantes diplomáticos brasileiros VIRAM pessoalmente as condições nas quais Lusvarghi estava e tomaram conhecimento de ele ter sido torturado e não se importaram. Recusaram ajuda. Lavaram as mãos.

Foi condenado, mas o seu julgamento foi anulado porque as próprias autoridades judiciárias reconheceram as incontáveis irregularidades do processo.

Tendo recebido a promessa de ser trocado por prisioneiros ucranianos no fim de 2017, Lusvarghi foi solto, mas ele não pôde ser trocado porque seu passaporte foi confiscado pelo governo ucraniano. Impossibilitado de sair do país, Lusvarghi decidiu viver e trabalhar discretamente em um mosteiro em Kiev enquanto aguardava novo julgamento.

Apesar de estar cumprindo à risca o estipulado quando de sua soltura, o mosteiro em que Lusvarghi vivia foi invadido por um bando de criminosos de organizações neonazistas, que insultaram e cuspiram em padres e outros cidadãos. Como eles souberam que Lusvarghi estava vivendo ali?

Segundo o advogado de Lusvarghi, foi A PRÓPRIA EMBAIXADA brasileira (ou algum funcionário) que vazou a informação da localização de Lusvarghi. A mídia logo espalhou seu paradeiro e em questão de dias o mosteiro foi invadido. Lusvarghi, porém, não estava lá.

Ele estava a caminho da embaixada e já havia entrado. Mas a embaixada brasileira na Ucrânia foi INVADIDA por terroristas, com a ajuda e conivência de funcionários, que lá pegaram um cidadão brasileiro, no próprio território inviolável da embaixada e o levaram ao prédio dos serviços de segurança ucranianos.

Com que outro país isso seria possível? Que outro país permitira uma violação da inviolabilidade de sua representação diplomática por bandos criminosos caçando um cidadão brasileiro que aguardava em liberdade um novo julgamento?

Em toda essa situação, o governo e os serviços diplomáticos de nosso país tem se mantido em silêncio. Curiosamente, em outros casos envolvendo traficantes, prostitutas e todo tipo de “restos” sociais, o governo brasileiro demonstrou enorme prontidão e interesse, mobilizando incontáveis recursos e apelando de todas as formas para tentar garantir a segurança de arremedos de cidadãos.

O governo não parece ter interesse no caso de Lusvarghi. O governo brasileiro dá a entender que se você, cidadão brasileiro, estiver em dificuldade no exterior e não for realmente um criminoso, melhor tentar se refugiar na embaixada de outra nação, jamais na brasileira.

A brasileira se deixará ser invadida ilegalmente e entregará a cabeça de qualquer cidadão seu ao estrangeiro, só para manter essa passividade internacional ruminante, que diplomatas brasileiros chamam de “seguir nossos interesses de forma independente”.

A história diplomática brasileira parece se resumir a quase 300 anos de baixar a cabeça para países estrangeiros, até mesmo quando eles são pouco relevantes, como a Ucrânia, que atualmente não é mais que um Haiti da Europa.

Liberdade para Rafael Lusvarghi!

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