O espaço urbano deve ser ocupado pelo Povo:

Em seu livro Andar a Pé, Henry David Thoreau apresenta-nos uma visão bastante particular no que diz respeito a voltarmo-nos aos espaços naturais (florestas, charcos, pântanos).

Em paralelo à obra supracitada, e levando em consideração suas particularidades, podemos dizer que devemos nos reintegrar aos espaços do nosso cotidiano, sejam praças (em nossos bairros), parques (em nossas
cidades), reservas naturais, parques ecológicos, as mercearias e os comércios de nossa vizinhança, fazendo destes pontos de luz comunitários em meio a barbárie atomizadora que a hegemonia liberal nos lança dia após dia.

Quando as famílias voltarem a frequentar as praças e os parques, aproveitando seus benéficos em termos de lazer ou como ponto de locomoção, estaremos retomando os espaços que, hoje, nos foram tomados pela violência, pela degradação e pelo pouco caso da administração pública.

Ao utilizarmos proveitosamente de nossa vizinhança e de nosso bairro, consumindo localmente, zelando por nossas ruas e pela vizinhança como um todo, também estaremos retomando estes mesmos espaços do medo cotidiano, presente na maioria das cidades de nosso país, controlando pequenas áreas, transformando-as em locais familiares, como um projeto inicial de tomada posse de territórios hoje nas mãos de parasitas (que lucram com a aplicação da engenharia social do terror).

É necessário retirar o povo do confinando alienante imposto pela hegemonia liberal, que nos faz prisioneiros de nossos próprios muros, que nos faz alérgicos ao contato humano e ao relacionamento comunitário.

Devemos, como ato de resistência, nos apossar progressivamente do que nos foi amputado. 

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