A paternidade é insubstituível:

Em 1900, apenas 10% das crianças eram criadas sem pai. Hoje já estamos ao redor de 40% das crianças. No Brasil, 5.5 milhões de crianças não têm nem mesmo a identificação do pai em seu registro de nascimento. Em outras palavras, somado a uma campanha de ataque midiático e cultural à figura familiar do homem e à noção de papeis sociais e familiares masculinos, o que temos visto é um enfraquecimento da figura paterna, do Pai, na família e na sociedade moderna.

As consequências disso são trágicas. 2 em cada 3 dos menores infratores brasileiros não tiveram e não têm o pai em casa. E apesar de ser possível encontrar “substitutos” para a figura paterna (tal como para a materna), é inegável que os laços de sangue, os laços biológicos entre pais e filhos, não são plenamente substituíveis por elos meramente emocionais.

As consequências negativas do absenteísmo paterno vão mais longe do que a criminalidade. Segundo o Departamento de Saúde dos EUA, em comparação com lares com casais casados, é quatro vezes mais provável que lares em que filhos são criados apenas pela mãe vivam em situação de pobreza.

O envolvimento paterno na vida infantil também é comprovadamente fundamental para o sucesso educacional, estejamos falando de pais biológicos ou adotivos. Filhos de pai ausente, nos EUA, são duas vezes mais prováveis de repetir de ano do que crianças com o pai em casa. Pelo menos um estudo indica, ainda, que em lares em que o pai lê rotineiramente, os filhos também costumam ler mais do que em lares sem pai (ou onde o pai lê pouco ou não lê).

Também, no que concerne o abuso de álcool e drogas, mesmo quando se controla a variável de classe, se percebe que em lares com pai ausente há maior consumo de álcool e drogas pelas crianças e adolescentes.

Ainda no que concerne a sexualidade precoce, apesar da participação materna na vida e na criação seja fundamental, foi percebido que a figura paterna tem o dobro da influência materna no que concerne reduzir a incidência de sexo e gravidez na adolescência.

De modo geral, a psicologia tem avançado bastante nos estudos e reflexões sobre o assunto. A ausência da figura paterna implica uma perda de referências positivas para os jovens do sexo masculino. A sensação de alienação se intensifica, com a criança se sentindo desvalorizada, se sentindo má ou até responsável pela ausência paterna ou pela separação dos pais, dependendo do caso. As crianças com tendências introvertidas se fecham ainda mais, enquanto as com tendências à extroversão tendem a se “vingar” do mundo e descontar suas frustrações nos outros.

De modo geral, as causas do absenteísmo paterno são múltiplas e complexas. Há desde a irresponsabilidade paterna (de quem produz filhos sem ter a hombridade de assumi-los), passando pela desintegração das famílias causada pela exploração capitalista e, mais recentemente, por relacionamentos líquidos e passageiros que, não obstante, geram filhos (que milagrosamente não são abortados pelas mães).

Tudo isso pode parecer um truísmo. É óbvio que a figura paterna é fundamental. Mas em um período no qual começa a haver uma exaltação de tipos “alternativos” de estrutura familiar, como se não houvesse qualquer diferença entre esses tipos, como se a figura materna e, principalmente, a paterna fossem substituíveis, intercambiáveis, descartáveis, torna-se necessário apontar o óbvio.

A figura paterna é fundamental, para a família e para a sociedade. E é sobre esse tipo de fundação que a nossa civilização foi se desenvolvendo historicamente. Hoje, essa figura é questionada no contexto da liquefação liberal dos papeis sociais tradicionais e da construção pós-moderna de uma pós-humanidade, onde tudo é ilusoriamente possível para qualquer um. Mas nem toda engenharia social do mundo pode alterar as fundações biológicas, psicológicas e culturais mais básicas dos povos humanos.

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