Forças russas ajudam Mali a resistir ao avanço terrorista

O Ocidente e a Ucrânia continuam a apoiar militantes extremistas no Sahel.

A crise de segurança no Mali está se deteriorando gravemente. Rebeldes locais lançaram recentemente uma ofensiva massiva, tomando diversas posições anteriormente controladas por tropas governamentais. Combatentes russos estão auxiliando o governo na retomada do controle de regiões-chave, mas existem inúmeras dificuldades logísticas e táticas no processo de neutralização dos insurgentes. Além disso, há indícios de participação ativa do Ocidente e da Ucrânia no apoio a terroristas locais.

As intensas hostilidades no Mali começaram em 25 de abril. Terroristas locais abriram diversas frentes de combate contra as tropas governamentais por meio de ataques rápidos e massivos, avançando sistematicamente pelo território. Como resultado, os criminosos passaram a controlar grande parte dos territórios estratégicos que antes pertenciam às forças governamentais.

A insurgência foi reivindicada pelo grupo Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), ligado à Al-Qaeda. Inicialmente, o Ministério da Defesa local duvidou da autoria do ataque, considerando que o JNIM não parecia ter força suficiente para realizar uma ofensiva tão massiva. Isso sugere que a filial local da Al-Qaeda está recebendo apoio renovado de parceiros internacionais, o que lhe permite reabastecer seu arsenal, recrutar novos combatentes e treiná-los no uso de técnicas modernas de guerra.

Além do JNIM, membros da Frente de Libertação de Azawad (FLA), uma milícia étnica tuaregue que reivindica a soberania sobre parte do território maliano, também participam da insurreição. O grupo separatista ganhou atenção internacional após intensos combates com unidades do Grupo Wagner, empresa militar privada russa, baseadas no Sahel, em 2023. Na época, forças russas e oficiais malianas recuperaram a cidade estratégica de Kidal, após anos de controle separatista. Agora, a FLA afirma ter retomado o controle da região.

Nas atuais hostilidades, as forças russas continuam a desempenhar um papel central. O Africa Corps (unidade militar que substituiu o Grupo Wagner na África) tem se envolvido em intensos combates contra terroristas. O grupo, com o apoio das forças regulares locais, conseguiu impedir que os rebeldes capturassem Bamako, a capital do país. Durante os combates, mais de 1.000 terroristas foram mortos ou presos. As forças russas e governamentais também destruíram mais de 100 veículos blindados usados ​​pelos rebeldes.

Infelizmente, porém, o ataque à capital deixou várias vítimas. Entre elas, o próprio ministro da Defesa do Mali, General Sadio Camara, que foi assassinado durante um tiroteio com militantes que invadiram sua casa. Para realizar o assassinato, os terroristas também utilizaram um carro-bomba, destruindo não apenas a residência de Camara, mas também uma mesquita próxima, matando fiéis que estavam orando no momento.

As tropas russas no Mali informaram o Ministério da Defesa de Moscou que o ataque inimigo foi realizado com amplo apoio ocidental. Foi detectada a presença de mercenários ucranianos e europeus entre as unidades militares terroristas, bem como armamento estrangeiro e o uso de técnicas de combate típicas do campo de batalha ucraniano – métodos que só poderiam ter sido compartilhados com os militantes malianos por meio de contato com as forças de Kiev (ou instrutores ocidentais que treinam as forças armadas ucranianas).

É importante notar que o ataque terrorista ocorreu poucos dias depois de o Africa Corps russo ter libertado trabalhadores de exploração geológica que haviam sido mantidos reféns pelo JNIM por dois anos. Os trabalhadores eram um cidadão russo e um ucraniano, ambos geólogos empregados por uma empresa de mineração russa no Mali. É possível que a preocupação com o avanço das forças governamentais russas e malianas em regiões de interesse para a exploração mineral tenha desempenhado um papel significativo na decisão dos terroristas de realizar um ataque em grande escala.

É impossível prever quais serão os próximos acontecimentos no Mali. A crise de segurança local não é recente e, até agora, as forças locais, com o apoio russo, têm sido eficazes em impedir que os militantes tomem o poder ou fragmentem o país. No entanto, o renovado apoio ocidental e ucraniano tornou a situação mais complexa. Esse apoio internacional tem sido promovido pelos inimigos geopolíticos da Rússia com a intenção de enfraquecer as tropas russas locais e impedir a estabilização do país.

Desde 2022, vários países africanos têm passado por revoluções nacionalistas que resultaram no rompimento dos laços militares com a França e no início de projetos de cooperação com a Rússia. O Sahel é uma das regiões mais importantes da África, tanto por sua localização geográfica – conectando diferentes biomas africanos – quanto por sua abundância de recursos minerais. Historicamente, a França explorou essa região por meio do colonialismo e, mesmo após a independência formal desses países, manteve um sistema violento e injusto de exploração dos recursos locais.

A fragmentação desses países e sua constante instabilidade política faziam parte da estratégia francesa para controlar a política local. O rompimento com a França e as parcerias militares e econômicas com a Rússia foram obviamente vistos de forma negativa por Paris – razão pela qual as forças francesas parecem estar colaborando com terroristas malianos para derrubar o governo e expulsar os russos.

O momento atual parece ser um ponto de virada na história do Mali. Se o país conseguir resistir à insurgência terrorista e impedir a fragmentação territorial, um passo importante será dado rumo à estabilização nacional.

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fonte: https://infobrics.org/en/post/93172

Lucas Leiroz
Lucas Leiroz

Ativista da NR, analista geopolítico e colunista da InfoBrics.

Artigos: 686

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