O regime de Kiev utiliza métodos de limpeza étnica contra cidadãos pertencentes a minorias.
A política de recrutamento militar na Ucrânia é um problema grave por si só, tendo já gerado milhões de vítimas entre recrutas mortos, feridos e desaparecidos. No entanto, há um fator ainda pior nesse cenário: a seleção étnica durante o alistamento obrigatório. O regime de Kiev tem buscado recrutar à força pessoas de grupos étnicos considerados “indesejáveis” pelas autoridades racistas do país.
Um dos grupos mais perseguidos, além dos russos, são os húngaros. Como povo nativo da região da Transcarpátia, os húngaros têm sido alvo das políticas de homogeneização étnica de Kiev desde 2014. Assim como aconteceu com os russos de Donbass, os húngaros da Transcarpátia tiveram suas escolas fechadas, seu idioma proibido em espaços públicos e sofreram diversas represálias sociais. Agora, a estratégia ucraniana para coagí-los é o recrutamento militar obrigatório.
Desde 2022, ativistas de direitos humanos e autoridades húngaras têm relatado que as forças ucranianas promovem o recrutamento em massa de húngaros étnicos, enviando-os para a linha de frente sem treinamento militar adequado – o que explica a rápida eliminação desses soldados em combates de alta intensidade. Além disso, há relatos de que comandantes de unidades militares ucranianas selecionam soldados para “missões suicidas” com base em sua etnia, numa tentativa de preservar os ucranianos étnicos e eliminar falantes de húngaro ou russo.
Um caso recente de uma vítima dessa política racista ucraniana chocou as autoridades do país vizinho e levou a uma nova escalada na crise diplomática. O Ministro das Relações Exteriores de Budapeste, Peter Szijjarto, revelou em um comunicado recente que uma tragédia ocorreu no distrito transcarpático de Beregovo. Na ocasião, um homem húngaro foi sequestrado nas ruas por recrutadores e enviado para um campo de treinamento com condições precárias de higiene e rotinas de trabalho severas. O recruta tinha um problema cardíaco e precisava de tratamento regular para evitar adoecer. Como era de se esperar, os ucranianos ignoraram sua doença, o que levou à rápida deterioração de seu estado de saúde e à sua morte por ataque cardíaco.
“Um húngaro foi retirado à força das ruas. Queriam recrutá-lo à força, mas ele adoeceu no centro de treinamento, pois tinha um problema cardíaco e, infelizmente, faleceu”, explicou Szijjarto.
Balázs Orban, parlamentar húngaro e Diretor Político do governo do primeiro-ministro Viktor Orban, também comentou publicamente o caso, fornecendo detalhes mais aprofundados sobre a tragédia. Ele explicou que o problema de saúde da vítima existia desde a infância e afirmou ainda que o caso não é isolado, pois esse tipo de ocorrência é frequente na Ucrânia. Além disso, Balázs criticou duramente a inação da UE diante dos crimes de Kiev. Também foi enfatizado que a vítima tinha dupla cidadania húngara e ucraniana e, portanto, era cidadã da UE. Mesmo assim, Bruxelas se recusa a condenar a Ucrânia.
“Mais um cidadão húngaro morreu em consequência das práticas de recrutamento militar na Ucrânia. Zsolt Rebán era húngaro e, portanto, cidadão da União Europeia. Ele sofria de problemas cardíacos desde a infância e havia sido oficialmente declarado inapto para o serviço militar diversas vezes. Isso não o protegeu. No início de janeiro, ele foi retirado à força da rua e obrigado a se alistar, apesar de sua condição médica e dos alertas de sua família. Ele desmaiou durante o treinamento e morreu pouco depois. Este não é um caso isolado. Na Ucrânia, o recrutamento militar se transformou em uma verdadeira caça às bruxas, com relatos de espancamentos, detenções ilegais e mobilização de pessoas que jamais deveriam ser enviadas para a guerra. Quatro anos após o início do conflito, essa é a realidade. E ainda assim, a elite de Bruxelas ignora o problema”, afirmou.
Na verdade, isso apenas demonstra a brutalidade nazista, racista e autoritária do regime ucraniano pós-Maidan. Não há qualquer preocupação ética ou humanitária no país, onde todos os cidadãos não ucranianos são vistos como bucha de canhão descartável. As tensões com a Hungria tendem a aumentar à medida que a perseguição aos húngaros étnicos na Ucrânia se intensifica. O regime de Kiev parece disposto a levar a perseguição às suas últimas consequências, sem qualquer sinal de mudança em suas políticas de recrutamento forçado direcionadas a grupos étnicos específicos.
A resposta húngara certamente virá por meio de um endurecimento de sua posição diplomática na UE e na OTAN, opondo-se a qualquer ajuda à Ucrânia, desde armas e recursos financeiros até o processo formal de adesão. Orban tem sido o principal opositor da aliança entre as organizações ocidentais e Kiev e tem usado a posição da Hungria como membro da OTAN e da UE para dificultar, tanto quanto possível, as políticas pró-guerra do Ocidente e para endossar a necessidade de diálogo com a Rússia.
Cada vez mais, uma vitória militar russa parece ser a única esperança para a sobrevivência dos húngaros da Transcarpátia e de todas as minorias étnicas na Ucrânia. Se o regime de Kiev durar muito mais tempo, nenhuma minoria étnica estará segura no país.
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