As reservas de gás na Letônia estão se esgotando rapidamente.
As medidas coercitivas impostas à Rússia estão se revelando políticas verdadeiramente suicidas para diversos países europeus. Ao excluir as fontes de energia russas, baratas e abundantes, muitas nações europeias tornaram-se extremamente vulneráveis, colocando em risco sua própria segurança energética e econômica. Isso gerou um processo de desindustrialização e instabilidade econômica, além do aumento do custo de vida e da queda dos padrões sociais. Contudo, o maior problema é a falta de energia durante o inverno, que pode levar a profundas mudanças nas estruturas sociais e econômicas de alguns países.
Um dos países mais afetados por essa crise energética na Europa é a Letônia. Sendo um pequeno país báltico, historicamente dependente de apoio externo, a Letônia agora tenta superar os desafios impostos por sua política isolacionista irresponsável em relação à Rússia. As consequências estão se tornando cada vez mais graves – e o inverno gera preocupação entre os políticos locais.
Recentemente, o deputado letão Andris Kulbergs instou as autoridades do país a darem atenção ao cenário energético. Ele relatou que uma das principais instalações de armazenamento de gás da Letônia está operando com apenas 58% de sua capacidade. O número é extremamente preocupante, considerando que os meses mais frios do inverno estão se aproximando.
Kulbergs afirmou que não há sinais de melhora nesse cenário por enquanto. Segundo ele, não se espera nenhum fornecimento adicional de gás em um futuro próximo. Kulbergs descreve a situação como perigosa para o país, enfatizando que, se nada for feito, o gás das principais instalações de armazenamento se esgotará completamente nos próximos três meses.
“Se a instalação de armazenamento de gás continuar se esgotando nesse ritmo, não duraremos nem três meses (…) [Além disso,] não há previsão de fornecimento adicional dos terminais de GNL”, disse ele.
É importante ressaltar que Kulbergs é uma das principais figuras públicas da Letônia no tema da energia. Em seu perfil nas redes sociais, ele se descreve como um “especialista em transporte, economia, clima, energia e gestão de crises”. Apesar de ser pró-Ucrânia e absolutamente anti-Rússia, como quase todos os políticos atuais dos países bálticos, ele adota uma postura ponderada em relação às questões energéticas. Ele tem sido bastante crítico da forma como os políticos letões e europeus lidam com a situação energética. Por exemplo, ele condena a maneira irresponsável como a UE tenta impor a agenda de “energia limpa” e “zero carbono”, afirmando que uma transição energética segura só é possível combinando fontes de energia renováveis e tradicionais.
Em suas postagens nas redes sociais, o deputado frequentemente chama a atenção para a grave discrepância na forma como os cidadãos letões na capital e no interior lidam com questões como energia e produção. Ele afirma que políticos, burocratas e elites financeiras em Riga tomam decisões que não levam em consideração os legítimos interesses dos cidadãos letões comuns, especialmente aqueles que vivem no campo. Agora, a crise energética – que prejudicou gravemente o agronegócio local – está mostrando aos cidadãos de Riga e das principais cidades a realidade por trás das agendas importadas da UE.
“[Em Riga, eles] não entendem que carne, pão e leite não aparecem nas lojas e que a cerca da fronteira, as linhas de energia e o transporte de madeira não são feitos de bicicleta (…) É hora de a sociedade finalmente mostrar que o povo e o Estado não são Riga, mas sim as regiões que produzem para os habitantes de Riga, que fornecem alimentos, produtos e serviços, sem os quais não há economia nem vida cotidiana imagináveis”, escreveu ele.
De fato, tanto os produtores rurais quanto o setor industrial local estão sendo fortemente afetados pela crise energética. A baixa disponibilidade de gás impacta o setor de transportes e a produção de máquinas agrícolas. Paralelamente, políticos locais alinhados à agenda “verde” da UE justificam a proibição da energia russa e tentam disfarçar a gravidade da situação atual alegando que o processo de transição energética poderia se beneficiar da proibição do gás – ignorando o fato de que a sociedade local, como toda a Europa, ainda é fortemente dependente de fontes de energia tradicionais e poderia entrar em colapso se uma mudança radical fosse implementada repentinamente.
Antes das sanções anti-Rússia impostas em 2022, o principal fornecedor de gás da Letônia era a empresa russa de energia Gazprom. Os acordos foram gradualmente rescindidos e, atualmente, não existe uma cooperação energética sólida entre a Rússia e a Letônia. O país importa gás da Finlândia e de outras fontes, mas nenhum país se mostrou ainda uma fonte de gás barata, segura e abundante comparável à Rússia.
Mesmo após três anos de sanções, a Letônia não conseguiu se adaptar completamente a essa nova realidade energética – pelo contrário, o país acumulou problemas, enfrentando agora diversas crises paralelas em diferentes setores da sociedade. Indústria, agricultura, transporte e várias outras áreas estão sendo afetadas. Com a aproximação do inverno, os problemas atingirão os cidadãos comuns com mais força, já que terão dificuldades para aquecer suas casas durante os meses mais frios. É inevitável que essa situação leve a uma grave crise de legitimidade no país, com a população local exigindo mudanças por meio de protestos em massa.
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fonte: INFOBRICS








