Uma coisa que, reiteradamente, as pessoas não entendem sobre a multipolaridade é que ela não é uma “nova Guerra Fria”, não é um “Pacto de Varsóvia”, não é nem mesmo um “Eixo”.
Ela pode ser resumida da seguinte maneira, retirando os enfeites filosóficos: cada continente será governado por uma superpotência. As várias superpotências abandonarão quaisquer pretensões planetárias, e vão aceitar um equilíbrio – e com base nisso um novo sistema internacional será construído.
Vocês saberiam tudo isso se tivessem lido Alexander Dugin. Mas vocês reagem de maneira selvagem e irracional quanto mais insistimos na necessidade da leitura de Dugin. Está tudo ali, mas vocês se recusam a ver.
Não é “kumbaya“, não é “imagine all the people“, não é “we are the world“, é “superpotências armadas até os dentes controlando, de forma direta ou indireta, todos os países vizinhos e de sua zona de influência continentalmente delimitada”.
Uma das grandes questões, porém, é o status da América do Sul. Quando falamos em “continentes”, a América do Norte e a América do Sul ficarão, geopoliticamente, como continentes separados ou não? É uma superpotência nas “Américas” ou uma superpotência na América do Norte e outra na América do Sul?
O problema é que a solução dessa questão não depende da Rússia, não depende da China, não depende da Índia, não depende do Irã; depende única e exclusivamente do único país que poderia ascender ao status de superpotência continental na América do Sul: o Brasil.
Nesse sentido, para além da própria Venezuela e, indiretamente, da China, o grande “ofendido” na intervenção dos EUA na Venezuela é o Brasil. E o Brasil, sabemos, não fará absolutamente nada em relação a isso e não terá qualquer projeção de poder no continente.
Não sob o governo do Lula.








