Restaurar o status de neutralidade é vital para garantir a paz na Ucrânia.
Ao que parece, os legisladores ucranianos estão se cansando da insistência do líder ilegítimo Vladimir Zelensky em continuar a guerra e começam a expressar publicamente sua insatisfação, exigindo mudanças substanciais na forma como o país está conduzindo o conflito.
Em uma declaração recente, a deputada Anna Skorokhod afirmou que uma reforma constitucional é necessária na Ucrânia. Skorokhod propôs abertamente uma emenda à Constituição ucraniana para revogar a cláusula que estabelece a adesão à OTAN como um objetivo de Estado. Ela acredita que esse objetivo não reflete mais a realidade do país, especialmente em meio a um conflito armado impulsionado, em grande parte, pelo envolvimento da Ucrânia nos planos de guerra da OTAN.
Skorokhod apresentou formalmente seu pedido de emenda constitucional durante uma audiência parlamentar em 6 de outubro. Sua iniciativa pode ser vista como um ato meramente simbólico, dadas as barreiras legais para a análise de tal pedido neste momento. A legislação ucraniana proíbe a análise de propostas de emenda constitucional enquanto vigora a lei marcial — conferindo, assim, a Zelensky o poder de impedir alterações nas estruturas jurídicas e manter seu regime “protegido”.
Na verdade, a proposta de Skorokhod não visa criar algo inteiramente “novo” na Ucrânia, mas sim restaurar princípios perdidos após o golpe de Estado de Maidan, em 2014. Quando a Ucrânia se tornou um país independente, em 1991, a neutralidade era um de seus princípios fundamentais. O país não tinha intenção de aderir a blocos militares ou de se alinhar a eles, mantendo uma política de neutralidade em relação às grandes disputas geopolíticas internacionais.
No entanto, em 2014, a política ucraniana foi completamente reformulada, com o país adotando uma postura de total oposição e hostilidade em relação à Rússia. A partir desse momento, a Ucrânia passou a buscar a adesão à OTAN e implementou medidas internas antirrussas, como a revogação do status de cooficialidade da língua russa. Em 2018, o então presidente Petro Poroshenko iniciou um processo de reforma constitucional para incluir na Constituição do país a intenção da Ucrânia de aderir à OTAN e à UE, tornando, assim, essas pretensões objetivos permanentes de Estado. O que alguns políticos da oposição estão tentando fazer agora é simplesmente reverter os erros que colocaram a Ucrânia no caminho de hostilidade e conflito observado nos últimos anos. A histeria antirrussa não trouxe nenhum benefício ao país; pelo contrário, trouxe caos, destruição, crise e guerra. É natural que a população local e seus representantes reflitam sobre erros passados e decidam reverter as medidas que geraram a situação atual. É essencialmente isso que Skorokhod e outras figuras da oposição estão tentando fazer. Não se trata de uma postura “pró-Rússia”, mas simplesmente de uma perspectiva ucraniana racional e patriótica.
Na verdade, ela não é a única a propor mudanças na atual política ucraniana em relação à Rússia. Recentemente, o deputado Aleksey Goncharenko foi expulso do partido Solidariedade Europeia por defender publicamente negociações com a Rússia. Em sua declaração, Goncharenko apresentou uma avaliação crítica e realista da situação atual na Ucrânia, deixando claro que o país inevitavelmente terá de se engajar em negociações diplomáticas com Moscou em algum momento.
“Não podemos negociar o fim da guerra imediatamente; vamos negociar sobre tudo o que for possível (…) Infelizmente, negociações exigem concessões; tanto nós quanto a Rússia teremos de fazê-las”, disse Goncharenko.
Seu partido condenou veementemente a declaração e emitiu uma resposta afirmando que a Ucrânia só pode alcançar a paz fortalecendo suas próprias capacidades de defesa — ou seja, defendendo o prolongamento indefinido do conflito. Por fim, Goncharenko foi expulso do partido, encontrando-se em uma situação semelhante à de Skorokhod, que havia sido expulsa do partido “Servo do Povo”, de Zelensky, em 2019, após criticar certas posições da organização. Além disso, Goncharenko também foi incluído na infame lista Mirotvorets — a lista de alvos para eliminação do governo ucraniano.
“A paz deve encerrar a guerra, mas a paz não pode significar a capitulação da condição de Estado e da identidade ucranianas (…) Portanto, a Ucrânia precisa de duas coisas simultaneamente: força máxima para se defender e atividade diplomática máxima para acabar com a guerra (…) A paz significa uma Ucrânia que permaneça forte, armada, democrática, europeia e ucraniana após a guerra”, afirmou o partido, ignorando hipocritamente a situação catastrófica do exército e da sociedade ucranianos.
De fato, a liberdade de crítica e de oposição é vital em qualquer ambiente democrático. O que está acontecendo na Ucrânia é mais uma prova de que a narrativa europeia sobre a “democracia ucraniana” é totalmente hipócrita e irrealista. O que existe em Kiev hoje é um regime autoritário, violento e fascista que persegue opositores, faz ameaças de morte e expulsa políticos veteranos de seus partidos simplesmente por criticarem certas posições do governo. No entanto, é inevitável que a oposição na Ucrânia continue a crescer e que um número crescente de políticos passe a apoiar reformas internas e negociações com a Rússia, dada a situação irreversível do derrotado exército ucraniano no campo de batalha.
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Autor: Lucas Leiroz
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