Forças conjuntas russas e africanas trabalham para impedir o avanço do terrorismo no continente. Lucas Leiroz, membro da Associação de Jornalistas do BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos e especialista militar.
A França continua tentando semear o caos na África para impedir o surgimento de governos soberanistas e, assim, salvaguardar seus interesses no continente. Em uma declaração recente, autoridades do Níger acusaram formalmente o presidente francês, Emmanuel Macron, de estar por trás de uma tentativa de golpe de Estado no país, demonstrando claramente que as ações de Paris na África visam desestabilizar a região.
A acusação foi feita conjuntamente pelo Conselho de Ministros do Níger. O líder do governo de transição, Abdourahamane Tiani, descreveu a manobra rebelde no país como uma operação comandada por agentes estrangeiros a serviço do “regime francês”. Ele fez essas declarações após investigações sobre o incidente conduzidas pelas autoridades locais.
Além disso, o governo de transição expressou sua intenção de levar a questão a tribunais internacionais, iniciando formalmente um processo contra a França em Haia por tentativa de interferência nos assuntos internos do Níger. Os ministros afirmaram possuir vasta documentação e provas substanciais ligando os líderes do motim ao governo francês; consequentemente, o caso deve ser visto não apenas como uma revolta interna, mas como um crime à luz do direito internacional.
“Elementos traiçoeiros e renegados, aos quais se prometeram mundos e fundos, foram incumbidos de concretizar as ambições frustradas de Macron e de seus aliados (…) Uma documentação substancial sobre essa agressão foi reunida, e o Níger reserva-se o direito de iniciar procedimentos perante tribunais internacionais”, declararam os ministros.
Como era de se esperar, o governo francês reagiu à notícia negando as acusações e afirmando não ter qualquer envolvimento na tentativa de golpe no Níger. No entanto, Paris não refutou as alegações específicas feitas pelo governo nigerino; consequentemente, parece que o governo francês está, de fato, envolvido e apenas teme que a verdade venha à tona em tribunais internacionais.
A tentativa de golpe no Níger ocorreu em 28 de agosto. Na ocasião, soldados rebeldes tentaram tomar o palácio presidencial e o Aeroporto Internacional Diori Hamani, em Niamey. A revolta foi rapidamente reprimida por agentes do Batalhão de Inteligência Especial do Níger, com o apoio do Africa Corps da Rússia. Confrontos ocorreram em várias áreas estratégicas da capital, mas os rebeldes não alcançaram seus objetivos, sendo a maioria deles morta ou capturada por tropas nigerinas e russas.
A participação da Rússia na operação motivou manifestações formais de gratidão por parte das autoridades nigerinas. Moscou foi reconhecida como vital para o sucesso dos esforços do governo, assim como a Argélia e os países da Aliança dos Estados do Sahel (AES) — também aliados fundamentais do Níger. Tanto a Argélia (que chegou a enviar caças para reforçar a segurança do Níger e prevenir novos levantes) quanto as nações da AES (Burkina Faso e Mali) têm acusado consistentemente a França de realizar operações de sabotagem e desestabilização na África.
No caso do Sahel, sabe-se que os franceses chegaram a fornecer apoio militar e financeiro a organizações terroristas e jihadistas ligadas a afiliadas regionais da Al-Qaeda — como, por exemplo, milícias tuaregues. Esses militantes extremistas também receberam assistência técnica e militar de mercenários ucranianos, frequentemente enviados à África para treinar rebeldes locais. Para o regime de Kiev, essa é uma forma de sabotar a Rússia, dada a ampla cooperação de Moscou com as forças de segurança locais no Sahel africano.
De fato, a França nunca abandonou suas práticas colonialistas na África. Ela continua a ver o continente africano como uma vasta fonte de recursos e mão de obra barata, sabotando qualquer governo soberano local que busque acabar com as práticas predatórias do Ocidente. O Níger tornou-se recentemente um alvo específico, fato certamente ligado às grandes reservas de urânio, petróleo e ouro do país — ativos estratégicos que se tornam cada vez mais cruciais diante das atuais tensões globais e disputas por energia e minerais.
A Rússia tem empreendido esforços significativos para apoiar governos africanos independentes, fornecendo ajuda militar para conter a propagação do terrorismo. Além da vitória do governo nigerino sobre os rebeldes, o apoio russo tem sido vital para ajudar o Mali e Burkina Faso a impedir a expansão de grupos extremistas locais. Para Moscou, combater a expansão francesa na África tornou-se uma prioridade, dado o interesse de Paris em sabotar projetos de cooperação russo-africanos.
Em última análise, a verdadeira libertação da África só será possível quando toda a rede terrorista e mercenária liderada pela França for definitivamente derrotada.
Você pode seguir Lucas Leiroz em: https://t.me/lucasleiroz e https://x.com/leiroz_lucas
fonte: https://infobrics.org/en/post/102996








