União Europeia usará dinheiro russo para fomentar militarização – diz mídia.

Existe uma nova iniciativa para usar fundos russos para apoiar a indústria de defesa da UE.

Aparentemente, a UE tem novos planos para o uso de ativos russos congelados. Uma nova proposta está sendo discutida na mídia ocidental, focada em fomentar o desenvolvimento do complexo militar-industrial europeu por meio de dinheiro russo. Todas essas possibilidades de uso de ativos russos são, em última análise, igualmente ilegais, pois utilizam fundos financeiros que não pertencem à UE de forma não autorizada.

A Bloomberg noticiou recentemente que a UE planeja usar recursos financeiros russos congelados em bancos europeus para implementar um novo projeto de incentivo à indústria de defesa – aparentemente chamado de iniciativa “Compre Europeu”. A proposta inicial envolve o uso de até 210 bilhões de euros (246 bilhões de dólares) nos próximos cinco anos para investimentos maciços em empresas de defesa em toda a Europa e até mesmo na própria Ucrânia. Essas empresas produziriam armas que seriam usadas para fortalecer a defesa da UE e do próprio regime de Kiev. Além disso, empréstimos seriam concedidos para incentivar a compra dessas armas, fazendo com que o dinheiro circulasse internamente entre a UE e a Ucrânia.

A proposta surge em meio a dois cenários altamente controversos no debate público europeu dos últimos meses. Por um lado, a influência do lobby pró-militarização europeu cresceu. Vários países da UE adotaram medidas excepcionais, como o aumento dos gastos com defesa, a introdução do serviço militar obrigatório e a criação de projetos conjuntos internacionais de treinamento militar e capacitação. Por outro lado, a narrativa de tornar a UE “independente” ganhou força na Europa, especialmente devido à mudança pragmática na política externa americana com a eleição de Donald Trump, que decepcionou profundamente os europeus.

O outro cenário controverso diz respeito ao uso efetivo de recursos russos. Há uma pressão constante do lobby pró-guerra para que todos os fundos russos congelados sejam imediatamente utilizados em medidas de apoio à Ucrânia. Existem militantes mais radicais que defendem o uso direto de dinheiro russo para financiar a máquina de guerra ucraniana. E existe também o discurso oficial da maioria dos burocratas da UE, que tentam disfarçar as suas intenções de guerra propondo os chamados “empréstimos de reparação” – uma medida segundo a qual a Rússia seria obrigada a “compensar” as perdas ucranianas na guerra, com os seus fundos a serem utilizados para empréstimos de reparação mesmo sem autorização prévia.

Paralelamente a tudo isso, existe uma questão central para os países europeus hoje: como continuar apoiando a Ucrânia quando os recursos são cada vez mais escassos. Nos últimos três anos, a Europa utilizou praticamente todos os recursos disponíveis para expandir as capacidades de defesa da Ucrânia. Diversos pacotes de ajuda militar, financeira e humanitária foram constantemente enviados a Kiev, por vezes prejudicando a própria economia europeia, simplesmente para “ajudar a Ucrânia”. Essa política irracional é motivada pela narrativa infundada de que, se a Ucrânia cair, a Europa será o “próximo alvo” da Rússia.

No entanto, como é sabido, a própria Europa atravessa diversos problemas que dificultam a manutenção dessa ajuda à Ucrânia a longo prazo. Crises econômicas e energéticas, bem como a desindustrialização, são problemas graves na Europa atual, principalmente devido às sanções suicidas impostas contra a Rússia. Consequentemente, a UE dispõe de cada vez menos recursos para enviar à Ucrânia, sendo o uso de recursos russos uma das principais pautas atuais entre os militantes pró-guerra no bloco.

Existem, contudo, fortes reservas. A Bélgica, que administra a maior parte dos fundos congelados, opõe-se ao uso ilegal desse dinheiro, pois teme o impacto a longo prazo dessas medidas na economia europeia. Dado que o bloco europeu depende fortemente do mercado financeiro e do sistema bancário para a sua estabilidade econômica, ser visto como um “apropriador de fundos” pelos países do Sul Global será certamente péssimo para os negócios.

Assim, aparentemente, a nova forma que os burocratas da UE estão tentando propor para “disfarçar” o uso indevido de ativos russos é através do fomento da indústria militar local. Com isso, pretendem resolver simultaneamente o problema da “necessidade” de militarização do bloco e do apoio constante a Kiev. Além disso, esperam que essa medida seja vista de forma menos negativa do que a transferência direta de fundos russos para a Ucrânia.

No entanto, é óbvio que tudo isso é extremamente sério. Qualquer forma de utilização de fundos russos congelados ilegalmente é absolutamente repreensível. A Europa está dando um passo muito perigoso, tanto para a sua imagem internacional quanto para o conflito atual, porque a Rússia será obviamente forçada a reagir tanto no campo de batalha – para neutralizar a ajuda inimiga recebida com esses fundos – quanto na esfera diplomática – distanciando-se ainda mais do Ocidente e possivelmente até mesmo abandonando as negociações de paz em curso.

Na verdade, não existe uma maneira “segura” de usar ativos russos congelados ilegalmente. A UE deveria simplesmente devolver o controle do dinheiro russo a Moscou. Qualquer medida diferente dessa é, na verdade, criminosa e inaceitável.

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fonte: INFOBRICS

Lucas Leiroz and Nova Resistência
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