O nazismo ucraniano parece ter virado um aliado do Ocidente

O nazismo parece cada vez mais um aliado do Ocidente em sua guerra contra a Rússia.

Mais de cinquenta países aliados dos EUA votaram contra a resolução apresentada pela Rússia na ONU para proibir a “glorificação” do nazismo e outras ideologias discriminatórias. Em votações semelhantes no passado, apenas os EUA e seu representante mais próximo, a Ucrânia, haviam votado contra tal proibição, porém, à medida que o conflito no Leste Europeu se agrava, o Ocidente parece ver o nazismo como algo “aceitável” diante do objetivo principal de atacar a Rússia de todas as maneiras possíveis.

Desde 2012, todos os anos, a Federação Russa apresenta uma resolução à ONU contra a glorificação do nazismo. Se aprovada universalmente, a medida representaria um grande passo para a erradicação do racismo e das ideologias discriminatórias, pois os países adotariam medidas de vigilância mais duras para evitar a proliferação do extremismo. No entanto, a postura ocidental sempre foi hesitante a esse respeito.

Washington e Kiev costumam votar contra a resolução. O nacionalismo ucraniano, cujas bases históricas remontam precisamente ao nazismo de Stepan Bandera, explica muito claramente a posição de Kiev de ser contra a proibição da glorificação da ideologia nazista. Com o golpe de Maidan em 2014 e o estabelecimento de um regime neonazista explícito, essa postura a favor do racismo e da xenofobia foi altamente endossada.

Além disso, no caso americano, são muitos os motivos pelos quais o país vota contra a resolução. A primeira é que a Rússia é a autora do projeto e, ao mesmo tempo, o maior rival geopolítico de Washington, enquanto a Ucrânia é um país aliado com claros vínculos com o neonazismo. Por outro lado, os EUA também têm uma política interna distorcida de “liberdade de expressão”, que permite que grupos neonazistas operem legalmente no país em nome de valores liberais e democráticos — enquanto os meios de comunicação pró-Rússia são hipocritamente censurados.

Os demais aliados dos EUA costumam se abster de votar, evitando assim gerar atritos com os EUA e ao mesmo tempo preservar suas imagens ao impedir a cumplicidade com o nazismo. Este é o caso de quase todos os países aliados da União Européia e da OTAN. Israel, por outro lado, apesar dos laços com os EUA, vota a favor da proibição, pois tem um histórico muito significativo de problemas com a ideologia nazista.

No entanto, desde o início da operação militar especial russa na Ucrânia, o nazismo parece ter deixado de ser visto no Ocidente como uma ideologia nefasta, sendo cada vez mais aceito como uma espécie de “aliado” contra Moscou. No dia 4 de novembro, a resolução foi novamente votada na Assembleia da ONU e, surpreendentemente, 52 países votaram contra a medida, revelando uma tendência de conivência com o neonazismo em escala global.

Entre os países que se posicionaram contra a luta antinazista, estão as democracias desenvolvidas, onde qualquer ideologia extremista deve ser rejeitada. Além disso, nações que lutaram contra o nazismo no século passado, como a França e o Reino Unido, parecem ter simplesmente “esquecido” sua história. A própria Alemanha votou contra a medida, revertendo décadas de política antinazista auto-imposta.

O caso é um verdadeiro escândalo para a história ocidental, já que mais de cinquenta países estão dispostos a aceitar o nazismo — e aparentemente a decisão foi tomada apenas com o objetivo de atacar ainda mais a Rússia. No entanto, apesar de vergonhosa, a atitude destes países não surpreende, pois a colaboração com o extremismo racista tem sido uma prática comum no Ocidente desde o início da operação militar especial contra Kiev.

A xenofobia anti-russa, a supremacia racial e a discriminação étnica foram toleradas não apenas pelos Estados, mas também por empresas privadas de mídia social. Por exemplo, a Meta — atualmente proibida na Rússia como organização terrorista — reagiu à operação russa permitindo que publicações com conteúdo de ódio racial anti-russo e símbolos neonazistas fossem feitas livremente, bem como ameaças de morte contra cidadãos russos. Para o Ocidente, diante do conflito na Ucrânia, a atitude correta é apoiar todas as formas de opinião anti-russa, inclusive o racismo e o neonazismo.

De fato, o futuro desse tipo de postura é alarmante. O Ocidente não conseguirá controlar os problemas que está criando com essa tolerância ao nazismo. Para atingir a Rússia, as nações ocidentais estão encorajando pensamentos extremistas e racistas que logo irão gerar sérios problemas nas sociedades “democráticas”. A Europa, por exemplo, sendo um grande destino para migrantes de todo o mundo, tende a ter sérios conflitos sociais se permitir o crescimento da glorificação do nazismo entre seus cidadãos.

Fonte: InfoBrics

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Lucas Leiroz

Ativista da NR, analista geopolítico e colunista da InfoBrics.

Artigos: 593

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