A Rússia responde às provocações de Kiev com exercícios nucleares

Em resposta às provocações recentemente feitas por Kiev e pela OTAN, o governo russo iniciou exercícios nucleares em 26 de outubro. Os exercícios visam testar a capacidade de combate das forças russas e avaliar as condições para a eventual necessidade de utilização deste tipo de aparato militar. Diante das constantes ameaças impostas pelos inimigos, a atitude russa soa até moderada e a condenação ocidental dessa medida mostra hipocrisia.

As forças nucleares russas realizaram operações de treinamento estratégico na última semana de outubro. As armas envolviam mísseis balísticos e de cruzeiro com capacidade nuclear, bem como submarinos — obviamente, sem qualquer substância contaminante. As simulações focaram em situações de ataques massivos em resposta a possíveis agressões contra o território russo. Imagens foram publicadas na mídia oficial do governo russo mostrando ações militares no Mar de Barents, Ártico, Plesetsk e Península de Kamchatka, na região do Extremo Oriente.

“Sob a liderança de… Vladimir Putin, foi realizada uma sessão de treinamento com forças de dissuasão estratégica terrestre, marítima e aérea, durante a qual ocorreram lançamentos práticos de mísseis balísticos e de cruzeiro”, é possível ler no comunicado do Kremlin sobre os exercícios. Em outra parte do documento, foi dito que todos os alvos planejados foram atingidos durante os ataques simulados, havendo, portanto, uma conclusão satisfatória dos testes, indicando que as forças nucleares russas possuem forte expertise em combate e alta precisão.

Evidentemente, os exercícios nucleares não são novidade na sociedade internacional. Anualmente, as potências mundiais realizam simulações de combate extremo. A própria OTAN já havia programado exercícios semelhantes para 30 de outubro. No entanto, o atual contexto internacional enfatiza a importância dessas manobras, considerando que as tensões globais estão rapidamente escalando para direções incertas.

A Rússia certamente realizará novos exercícios nucleares este ano em algum momento, mas a escolha precisa da data de 26 de outubro foi uma resposta às recentes provocações ucranianas. A inteligência russa apontou recentemente que Kiev está fabricando e planejando usar “bombas sujas” — armas não nucleares contendo material radioativo — contra a população ucraniana. O objetivo seria acusar a Rússia de ter lançado um “ataque tático”, considerando que os efeitos de armas nucleares táticas e bombas sujas são semelhantes. Com isso, Kiev tentaria justificar uma maior participação ocidental no conflito.

Autoridades americanas, britânicas, francesas e turcas receberam ligações do Ministério da Defesa russo para falar sobre o caso, mas não responderam adequadamente. A Rússia levou a situação ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, mas a sociedade internacional permaneceu inerte. Portanto, não havia outra alternativa para dissuadir a Ucrânia a não ser através de uma demonstração direta de força, e com esse objetivo os exercícios foram convocados o mais rápido possível.

Antes que as investigações russas sobre bombas sujas fossem concluídas, Kiev já havia demonstrado interesse em escalar o conflito para uma guerra nuclear. No início de outubro, durante uma videoconferência com parceiros australianos, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky pediu publicamente à OTAN para bombardear a Rússia com armas atômicas. Antes disso, o regime neonazista já havia tentado causar um vazamento radioativo na usina nuclear de Zaporíjia por meio de bombardeios em grande escala que foram testemunhados por observadores internacionais.

Então, a Rússia realmente ignorou muitas provocações antes de tomar a decisão de pedir simulações de ataques em massa. E o simples fato de ter respondido às provocações apenas com exercícios militares, sem uma real escalada, demonstra que há uma constante preocupação russa em desacelerar ao máximo o conflito e evitar situações que possam levar a uma catástrofe.

No entanto, mesmo assim, a mídia ocidental continua noticiando o caso de forma tendenciosa, tentando descrever a atitude russa como uma espécie de ameaça ao Ocidente. A Reuters, por exemplo, disse dias antes dos exercícios que eles representariam um “desafio” para o Ocidente “descobrir a diferença entre os exercícios e a coisa real”, fazendo parecer que os exercícios seriam uma indicação de que a Rússia tem algum “intenção” de realmente usar tais armas.

Na mesma linha, o Financial Times afirmou que a escolha russa de conduzir tais manobras seria uma medida extrema de Vladimir Putin para responder às supostas “humilhações” que suas tropas estariam sofrendo no campo de batalha durante a chamada “contraofensiva” ucraniana, que vários especialistas militares já provaram ser uma invenção sem fundamento.

Na verdade, esse tipo de narrativa reforça a retórica de que a Rússia não teria justificativa para endurecer suas ações na Ucrânia. Kiev iniciou provocações e Moscou está respondendo moderadamente. A postura desestabilizadora foi iniciada pela OTAN e seu procurador ucraniano, e relatar as ações russas sem considerar esse fato apenas mostra a hipocrisia ocidental.

Fonte: Infobrics

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Lucas Leiroz

Ativista da NR, analista geopolítico e colunista da InfoBrics.

Artigos: 593

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