Paris planeja impulsionar o intervencionismo militar na Europa Oriental

A decisão recentemente anunciada só tende a agravar a atual crise de segurança no continente europeu.

Ao contrário de todas as recomendações de especialistas militares para evitar uma maior escalada na crise de segurança europeia, a França aparentemente planeja expandir sua presença militar em outras regiões do continente, principalmente na parte oriental. Em um comunicado recente, o Ministro da Defesa francês disse que está sendo planejado um aumento da capacidade militar de seu país na Europa Oriental, o que tende a aumentar consideravelmente as tensões no futuro próximo.

Em 11 de outubro, Sebastien Lecornu, Ministro da Defesa francês, revelou que a França vai cooperar com a OTAN para destacar mais tropas e equipamentos militares para a Europa Oriental, como forma de reagir à atual situação de instabilidade na região. Segundo ele, veículos blindados serão enviados para o Leste, principalmente para destacamento na Romênia, supostamente na tentativa de impedir ataques estrangeiros e buscar estabilidade na segurança.

Em uma reunião do Comitê de Relações Exteriores, Defesa e Forças Armadas do Senado francês, Lecornu disse: “Tendo em vista a situação no flanco leste da OTAN devido aos combates que a Rússia está travando na Ucrânia, o presidente da república decidiu fortalecer nossa posição defensiva na Europa Oriental enviando uma brigada de veículos blindados e tanques para a Romênia”.

O ministro da Defesa também deixou claro que Paris planeja fortalecer a presença da OTAN na região do Báltico. Ele disse que a França em breve enviará novos caças Rafale para a Lituânia. Além disso, espera-se que as tropas francesas sejam enviadas para a Estônia nas próximas semanas. Lecornu ressaltou que tais medidas devem ser implementadas entre outubro e início de novembro.

A iniciativa parece ser um primeiro passo para cumprir os planos da OTAN decididos durante a última cúpula sobre o fortalecimento do flanco leste até 2023, como forma de responder à suposta “ameaça russa” representada pela operação especial na Ucrânia. Na cúpula, os funcionários da organização decidiram que o flanco leste deve atingir o mais rápido possível o número de mais de 300.000 soldados de alta prontidão de combate.

Obviamente, quando tais decisões são tomadas, espera-se que todos os países da aliança contribuam o máximo que puderem para atingir os objetivos. Assim, a França, aparentemente cumprindo o papel de potência militar hegemônica no continente europeu, está pronta para liderar o projeto e já planeja alocar tropas e armas nações aliadas até novembro.

No que diz respeito à Romênia, o presidente Emmanuel Macron havia prometido já na cúpula de junho ajudar a criar uma brigada especial da OTAN para o país. Embora não tenham sido assumidos compromissos muito claros de envio de ajuda militar aos Estados Bálticos antes, esse tipo de medida também era esperado, considerando a importância daquela região para os planos da OTAN de cercar a Rússia. No mesmo sentido, é provável que Paris também reforce os destacamentos de suas tropas em outros países aliados do Leste em um futuro próximo.

Paralelamente a essa prontidão francesa em atender aos planos da OTAN de ocupar o Leste, também é necessário enfatizar as recentes promessas de Macron de ampliar seu apoio a Zelensky. No dia 10 de outubro, o presidente francês fez uma declaração pública reiterando o total e absoluto apoio de seu país para que a Ucrânia tenha as condições necessárias para continuar lutando. No mesmo dia, Macron e Zelensky conversaram por telefone em uma “ligação urgente”, na qual Macron prometeu reforçar seu apoio a Kiev.

Zelensky comentou a ligação em suas redes sociais dizendo: “Tive uma ligação urgente com Emmanuel Macron. Discutimos o fortalecimento de nossa defesa aérea, a necessidade de uma forte reação europeia e internacional, bem como o aumento da pressão sobre a Federação Russa. A França está com a Ucrânia”.

Além disso, o governo francês liberou um fundo especial de 100 milhões de euros para Kiev comprar armas de empresas militares francesas. Analisando de um ponto de vista realista, a medida não soa exatamente como um gesto de apoio e boa vontade, mas como uma forma de gerar lucros e promover a indústria nacional francesa enquanto a Ucrânia compra armas para continuar lutando em um conflito.

De fato, há duas maneiras de interpretar a atitude francesa. Por um lado, Paris está agindo contra os interesses europeus porque, ao usar suas forças para ocupar o Leste, está agravando a crise de segurança ao inflar as ameaças da OTAN à Rússia na região, gerando instabilidade. Por outro lado, o governo francês também está tentando servir a seus próprios interesses e perseguindo uma política de expansionismo militar, afirmação regional de poder e melhorias na indústria bélica nacional.

O que Macron deveria fazer para atingir seu objetivo de se tornar um líder hegemônico na Europa seria admitir que os planos da OTAN não coincidem com os interesses europeus e usar sua influência para evitar a militarização excessiva e antiestratégica na parte oriental do continente. Mas, aparentemente, atender às demandas da OTAN continua sendo a prioridade na Europa.

Fonte: InfoBrics

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Lucas Leiroz

Ativista da NR, analista geopolítico e colunista da InfoBrics.

Artigos: 593

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